domingo, 22 de novembro de 2015


memória destroçada
qualquer lembrança
é melhor que nada


Escrevi este poemicro no Faceboock,como escrevo tantos outros. Me surpreendeu o interesse da escritora Maria Valéria Resende, amiga querida, nascida em Santos-SP e moradora na Paraíba, como eu. Valéria colocou o poema no livro "Quarenta dias", vencedor do Prêmio Jabuti 2015. Não fosse a atenção de Valéria este texto estaria perdido para sempre na linha do tempo de uma rede social.
Viva Valéria!


é tempo de lama e bala

entre paris e mariana

há um silêncio que fala

Poemicro sobre o atentado em Paris e a tragédia em Mariana-MG.


sábado, 7 de novembro de 2015

CANÇÃO DE AMOR
AO SILÊNCIO



às vezes 
- nem sempre
 
(eu disse às vezes)

o silêncio diz tanto
diz tanto o silêncio

que meus cílios
solfejam 
silícios

e há música
no que transborda

às vezes o silêncio
é vento apressado
 
semear bravura 
antes do medo

atento ao tempo
escuto seu eco

mais cedo

(Lau Siqueira)


LANÇAMENTO - O lançamento do Livro Arbítrio que aconteceria em Aracaju hoje, dia 7, acontecerá no domingo, dia 8, a partir das 16h, no stand da Livraria Escariz, na Feira do Livro e da Leitura de Sergipe - FLISE 2015. Estaremos lá.

quinta-feira, 15 de outubro de 2015

CANÇÃO DE AMOR
ÀS TEMPESTADES


não sinto saudades
do que me faz falta
nem de ausência
que permanece

porque o mundo inteiro
desaba em tempestades
mas o sol sempre nasce

quando sinto saudades
reviro memórias e recolho
as melhores sementes

porque mesmo quando
tudo falta ainda há
o que brota

o que diante do sim
e do não

é cio 

não se permite
nem se esgota

(Lau Siqueira)

LANÇAMENTO EM ARACAJU - No próximo dia 7 o meu Livro Arbítrio estará chegando em Aracaju-SE. O lançamento acontecerá na I Feira da Leitura e do Livro de Sergipe, às 20 horas, no Estande da Livraria Escariz. Antes disso, haverá um lançamento triplo em Curitiba no Museu Guido Viaro, no próximo dia 24. Também às 20 horas. O Livro Arbítrio estará ao lado de Micrópolis, da paranaense Marília Kubota e Febre Terçã, da catarinense Vássia Silveira. Antes, no final do mês, tem o lançamento em Itabaiana-PB.


CÓDIGOS

o que há de ser dito

mesmo quando

impreciso



o que não é

viagem nem vício

o que nunca revela

o índice além do

indício


o que repete

o fim

desde o início


(Lau Siqueira)

domingo, 4 de outubro de 2015

RECEITA PARA AMAR
AS CIGARRAS
a liberdade é um rio
um peixe um vento
tem suas leis
seus códigos
aventuras inevitáveis
coisas que conjugam
a vida fora do ninho
no mais
nenhuma palavra escrita
nenhuma imposição de nada
custo nenhum ao sujeito
todavia
é preciso tolerar o disperso
mesmo quando verso
é preciso deixar
os chinelos na areia
um olho na babilônia
caminhar pela aldeia
saber que a lua
é inteira
mesmo quando meia
(Lau Siqueira)


MOÇAMBIQUE - Foi em Maputo que nasceu a antologia Arqueologia da Palavra e Anatomia da Língua, organizada pelo poeta Amosse Mucavale e que reúne poetas de todos os países de Língua Portuguesa. Ele teve a generosidade de me incluir. Agora retorno à Moçambique nas páginas da revista DEBATE. E assim, só aumenta minha vontade de conhecer Moçambique.

SOBRE A CRÍTICA DE AMADOR - O poeta Amador Ribeiro Neto é também crítico literário. Doutor em semiótica e professor da Universidade Federal da Paraíba. Sempre contundente e extremamente honesto, Amador é do tipo de crítico que não tem papas na língua. Elogia alguns poetas e faz restrições à outros. Na verdade, estamos nos ressentindo da falta de críticos. Os críticos nãoescrevem para que concordemos com eles. Os críticos escrevem para que nos apossemos das suas leituras. O ambiente literário é tão eivado de vaidades que as pessoas estranham quando algumas vozes desfavoráveis se levantam contra alguma produção desta imensa enxurrada de publicações que saem todo ano. Mas, o fato é que sem crítica contundente não teremos poesia contundente.

CERTA VEZ... Um certo poeta e editor sulista recebeu meu livro e me escreveu detonando. Era o livro Sem Meias Palavras, publicado pela Ideia em 2002. Respondi agradecendo, pois sua leitura me levaria a refletir melhor sobre a minha poesia. Para minha surpresa, o referido poeta publica um poema desse mesmo livro que ele disse que não valia nada, na sua prestigiada revista. Pior: publicou como "poema inédito", o que me faz supor que nem leu tanto assim meu livro. Daí eu reagi. Aceitei a crítica, mas não aceitei a publicação sem a minha autorização. Achei contraditória  a postura do cidadão, mas certamente que todas as críticas serão bem vindas. Me ajudarão, certamente, a redefinir meus processos.

UMA CENA INESQUECÍVEL - No dia 8 de setembro de 2015 cheguei no Café da Usina, na Usina Cultural Energisa, em João Pessoa, com uma caixa de livros nas costas. em meia hora começaria a autografar meu Livro Arbítrio. Voltei pra casa sem a caixa, mas com apenas 41 dos 240 livros que estavam na caixa. A poesia é a minha mais agradável aventura.

quarta-feira, 30 de setembro de 2015

Museu Guido Viaro,em Curitiba.

Lançamento do Livro Arbítrio em Curitiba 

No próximo dia 24 de outubro, a partir das 20 horas, o Museu Guido Viaro estará vestido de poesia. Nosso "Livro Arbítrio" estará chegando ao Paraná. Haverá um triplo lançamento dos livros "Micrópolis", de Marília Kubota, "Livro Arbítrio", de Lau Siqueira e "Febre Terçã", de Vássia Silveira. Três estilos diferentes. Três vozes distintas e consolidadas na poesia brasileira contemporânea. Uma experiência que, certamente, valerá a pena ser vivida. É a guerrilha de escrever poemas, publicar livros e mergulhar no mundo como se não houvesse amanhã.


NASCENTE
tudo que eu sei
se perde de mim
nunca alcança
os viveiros
da memória
se espalha sem medo
de perder o cerco
das margens
pois o que mistura
nunca perde a cor
tudo que eu sei
se perde no que
desconheço
despido de todas
as memórias
me permito beber
esse rio
imenso
e sempre nascente
(Lau Siqueira)

ARACAJÚ - No dia 7 de novembro o "Livro Arbítrio"  
chegará em Aracaju, na Feira do Livro de Sergipe. 


terça-feira, 15 de setembro de 2015

TANGO


ninguém te vê
com meus olhos

...
com meus braços
nenhum outro
abraço
tudo é tanto
e tão pouco
(que louco)
Em entrevista à conhecida jornalista gaúcha, Ivete Brandalise.
LANÇAMENTOS - Até o momento lancei o Livro Arbítrio em Porto Alegre (03/09), João Pessoa (08/09) e Campina Grande (11/09). Em termos de vendas, podemos considerar que a edição já foi paga. Na próxima sexta, 18 de setembro, o lançamento será em Olinda-PE, no Palácio dos Governadores, na abertura do evento Infinita Primavera, da Prefeitura Municipal. Em termos de divulgação, também podemos considerar que o Livro Arbítrio já cumpriu o seu papel, tendo sido objeto de atenção de jornais como Zero Hora, Correio do Povo, TV Itararé, Rádio Cultura FM, de Porto Alegre, Jornal da Paraíba, A União e outros veículos virtuais ou não. O Livro Arbítrio é uma coletânea de poemas escritos originalmente na linha do tempo do Facebook. Tal qual o poema "Tango", publicado acima.

OUTROS LANÇAMENTOS - Existem outros convites para lançamentos, porém ainda não agendados. Por exemplo, em São Paulo deverá acontecer na Casa das Rosas em dezembro. Em Curitiba e Florianópolis, provavelmente ainda em outubro ou novembro. Em Sapé, terra do grande Augusto dos Anjos, deverá acontecer em novembro. Existem ainda especulações para lançamentos em Boqueirão, durante a VI FLIBO, em Patos, Guarabira, Maceió, Aracaju e Fortaleza. Há tambpem a possibilidade de uma tarde de autógrafos na FLIPORTO, também em Pernambuco. No entanto, caso não aconteça mais nada, o que aconteceu até agora impulsiona minha alma.
Professores e alunos das escolas públicas de Campina Grande que desenvolvem um trabalho
magnífico na Biblioteca Comunitária do bairro Malvinas, no Mercado Público do bairro.

quarta-feira, 26 de agosto de 2015

Lau Siqueira lança “Livro arbítrio” em Porto Alegre

Quatro anos depois de lançar "Poesia sem pele" pela editora gaúcha Casa Verde, Lau Siqueira autografa no próximo dia 3 de setembro (quinta-feira), a partir das 19 horas, seu sexto livro de poemas: "Livro arbítrio". O lançamento será no Café Cartum (José do Patrocínio, 637 – Cidade Baixa), onde o poeta, nascido em Jaguarão em 1957 e há 30 anos morando em João Pessoa, será homenageado por seus pares com um sarau. Já confirmaram participações no SaLau Siqueira:Alexandre BritoAndreia LaimerDiego PetrarcaIsrael Mendes Laís ChaffeLiana Timm,Marcos MesserschmidtMaria Alice BragançaRenato De Mattos Motta,Ricardo Silvestrin, Ronald Augusto, Sandra SantosSidnei Schneider.
"Livro arbítrio", assim como "Poesia sem pele", faz parte da série Cidade Poema, voltada a participantes do projeto homônimo e inaugurada em 2010 com "O livro das fraquezas humanas", de Pedro Stiehl. É dividido em duas partes: "Ventanias - sobras tatuadas da memória" e "Pequenas chuvas – tercetos ocasionais para Alice Ruiz. Ao todo são 55 poemas, 40 no primeiro grupo, mais longos e marcados pela memória familiar – tinta de dor -, como define no prefácio o poeta e crítico Amador Ribeiro Neto. Nos 15 tercetos dedicados à poeta paranaense, Lau une, como poucos, a leveza à profundidade, com um humor “do riso entre lábios e que satisfaz até a alma”, na definição de Ribeiro Neto.
Com design gráfico e capa de Roberto Schmitt-Prym e edição de Laís Chaffe, "Livro arbítrio" já tem lançamentos agendados para setembro em João Pessoa (dia 8, 19 horas, na Usina Cultural Energisa), Campina Grande (dia 11, 19 horas, Livraria Nobel), e Olinda (dia 18, 18 horas, Palácio dos Governadores). “Tem gente querida querendo que eu lance em São Paulo. Talvez eu consiga amarrar algo para o dia 6, domingo, na Casa dos Rosas”, conta Lau.
O QUÊ: lançamento de "Livro arbítrio" (Casa Verde, 2015, 80p) com sarau.
QUEM: Lau Siqueira
QUANDO: 3 de setembro (quinta-feira), às 19 horas
ONDE: Café Cartum (José do Patrocínio, 637 – Cidade Baixa)
QUANTO: R$ 22,00 (papel)
R$ 9,90 (e-pub e/ou pdf - adquira aqui: casaverde@casaverde.art.br)
COMO: participam do SaLau Siqueira os poetas Alexandre Brito, Andreia Laimer, Diego Petrarca, Israel Mendes, Laís Chaffe, Liana Timm, Marcos Messerschmidt, Maria Alice Bragança, Renato de Mattos Motta, Ricardo Silvestrin, Ronald Augusto, Sandra Santos, Sidnei Schneider.
ENTREVISTAS: 51 8103 2086 (agendar c/ Jonas Ferrigolo Melo) - jonasferigolo@yahoo.com.br
ENCOMENDAS: casaverde@casaverde.art.br - 51 9121 77
LAU SIQUEIRA nasceu em 1957, em Jaguarão (RS), e reside há trinta anos em João Pessoa (PB). Publicou "O comício das veias" (1993), "O guardador de sorrisos" (1998), "Sem meias palavras" (2002), "Texto sentido" (2007),
"Poesia sem pele" (2011). Participou de antologias como "Na virada do século – poesia de invenção no Brasil" (2002, organização de Frederico Barbosa e Claudio Daniel), "Moradas de Orfeu" (2011, organização de Marco Vasquez), "Bicho de siete cabezas" (2013, Argentina, organização de Martín Palacio Gamboa), "A arqueologia da palavra e a anatomia da língua" (2012, Moçambique, organização de Amosse Mucavele), "Poemas que escolhi para crianças" (2013, organização de Ruth Rocha), entre outras. Escreve para jornais, revistas e para o blog A Barca (lau-siqueira.blogspot.com). Atual secretário de Cultura da Paraíba, foi executivo da Fundação Cultural de João Pessoa (2007/2008), da Fundação Espaço Cultural da Paraíba (2013/2014). “Mas sou militante cultural desde sempre”, afirma.

sábado, 25 de julho de 2015

MÃE D'ÁGUA


da janela
o mundo se espalha
e se espreguiça


a tarde brisa
num horizonte
lento

a vida vai passando
em suas estradas


e mais nada


(Lau siqueira)

quinta-feira, 23 de julho de 2015

OLHAR FOTOGRÁFICO


da tua alma
nem mesmo as minhas mãos
guardam memória

mas é no teu silêncio que
as minhas palavras escolhem
o sol e a lua

vivo minhas distâncias
sem medir o retorno
na pele do teu sonho

(Lau Siqueira)

domingo, 12 de julho de 2015

QUASE HINO



antes que a água se espalhe
pelo chão seco das manhãs
e da poeira ressurjam 
novas sementes


aquelas que resistem
na sola do sapato no fio
da navalha do arado


no eterno taciturno e rígido
jogo da memória desatenta
e o que nasce

depois as raízes as folhas
o fruto e enfim os pássaros 
desvendaram as sombras

aqueles 
que não se completam
nas sobras

porque o deserto é apenas
uma longa distância jamais
um lugar sem saídas

antes que o espelho repita
o que reflete e não destoe
em alguma ruga estanque

a que segura o topo do
abismo o olho do vulcão
nas ternuras escandalosas
que bebem o mar

no que se sente

o que se espalha
pela pele

o que faz com que 
o coração

apele

(Lau Siqueira)

terça-feira, 30 de junho de 2015

ESGRIMA


metade de mim
é um beco sem saída
um caminho sem volta
um traçado sem tropeços

oito erros crassos de estima
e uma multidão de coragens
vencidas


imponência de velhas
calmarias e uma
imensa tempestade
 

no silêncio do silício
no que não troca
a prova pelo indício 

na outra metade 
que não combina com 
as ruas escuras
do hospício

e por isso

escancara-se
diante do universo

um tanto quanto
disperso


(LS - poema inédito)


CONFESSO QUE CONFESSO - A alegria de entregar um livro de poemas aos prelos da vida não se dá apenas porque a nossa criação cotidiana está se transformando num livro. Mas, porque a partir de vencido este cansaço estamos liberados para escrever sem compromisso algum de publicar nada. É quando a poesia é puro gozo para o poeta.

O SOL 
QUE SE GUARDA
NA CHUVA...



mesmo que a chuva
e vento 
acordem meu sono
no 
pipoco híbrido 
da janela 

e o velho despertador 
antes dos bem-te-vis

estabilize meus passos
em direção ao riso que
risca o horizonte

onde tudo é deserto 
e nada surpreende
o vazio


onde tudo é desvario

(LS - poema inédito)


Poema visual de Constança Lucas.





LANÇAMENTOS - Tenho alguns convites, mas não sei nada ainda sobre lançamentos do meu Livro Arbítrio que está na boca desse vulcão que é estar vivo e pulsante, fervendo ideias ainda vivas. Mas,pretendo caminhar com ele por onde puder levar meus passos.

domingo, 28 de junho de 2015

MILONGA


no pipoco do trovão
no estancar escroque
no traque do rito
no riso do atabaque

no impreciso no dito
no juízo do estampido
no incêndio do sentido
no que estala do olvido

derradeiro destemido
tipo reto disfarçado
em retas linhas tortas

resistência dos abalos no
que consiste e rasga o
tédio o ébrio o abandono


LIVRO ARBÍTRIO ´- Agora é com a editora Casa Verde. Em breve estarei com mais um livro na área. Mais um trabalho feito com a Casa Verde, de Porto Alegre. Na verdade, aos cuidados da minha amiga Laís Chaffe, jornalista,poeta, minicontista, editora. Ex-presidente do Instituto Estadual do Livro do Rio Grande do Sul, com uma gestão voltada para a promoção da literatura gaúcha.

DUPLA CIDADANIA -  O fato de ser gaúcho e morar há 30 anos na Paraíba é um prazer adicional que a vida me deu. Tenho visto minha poesia acolhida nas antologias de poesia contemporânea do Rio Grande do Sul. Recentemente (post anterior) pude ver também minha poesia exposta no Museu da Língua Portuguesa representando a Paraíba. A bem da verdade, todo poeta, todo artista é cidadão do mundo. É uma partilha com o infinito.

ADRIANO ESPÍNOLA - A Editora Record fez a delicadeza de me enviar um exemplar de "Escritos ao Sol", uma antologia dos poemas escritos por este importante poeta brasileiro. Belos poemas que nos revelam o quanto a Poesia Brasileira está viva, pulsando e mostrando seus grandes nomes como Adriano Espínola, Sérgio de Castro Pinto, Glauco Mattoso, Ademir Assunção, Ricardo Silvestrin e tantos outros.

CATARSE

na liturgia do verso
perpetuo madrugadas
de sóis esmaecidos

           e finjo ser dor
a dor que de vera minto


(poema do meu terceiro livro, "Sem meias palavras", 2002)



sábado, 27 de junho de 2015

CRISTAL

era tão delicado
que ao quebrar

não deixou
cacos

nem sangrou
seu pensamento

sem sobras
seguiu na vida


diatraído
com o vento

(LS)

UMA NOVA COLETÂNEA DA POESIA BRASILEIRA


De junho à setembro no Museu da Língua Portuguesa estará acontecendo a exposição Poesia Agora. A exposição acontece a partir de uma seleção de poetas e poemas atualmente em atividade no Brasil. Poetas de diversos estados, as mais diversas linhas criativas. Da Paraíba eu fui um dos selecionados, juntamente com os amigos Linaldo Guedes e Dijavan Luiz. Poetas conhecidos, poetas desconhecidos.Poetas inéditos, poetas que até já receberam o prêmio Jabuti. Enfim... esta é a natureza da exposição.

BUARQUE-SE CAFÉ E ARTE
Localizado em Cabedelo-PB, mais precisamente na praia de Intermares, duas ruas por trás da Empadinha Barnabé, foi inaugurado mais um espaço de poesia na grande João Pessoa. Três jovens empreendedores largaram seus empregos para apostar nos próprios sonhos.O Buarque-se nasce homenageando os artistas da Paraíba. No cardápio, Hermano José (bolo de tapioca), Escurinho (bolo de chocolate), cafés Torquato Joel, Juca Pontes e Lau Siqueira. Uma ideia interessante que torcemos para que se multiplique.

TOQUES

era tão distante o teu sorriso
que eu bebi oceanos inteiros
e um mar mediterrâneo

depois levei tuas mãos
para passear pelo universo
no toque infinito das estrelas

(LS)





SUBSTÂNCIA

quando me revelo
o silêncio fala

mas nada digo 
se não pelo que 
transito

no eco do oco
que me abala

e que transmito
entre o verso o
avesso e a fala

pois pago 
um preço

no que me cabe
no que mereço

MUTANTE

tinha tudo 
para ser eterno

mas preferiu 
ser mutante

como nuvem
no inverno


 DOMINGO
amou o eterno mas
perdeu-se no efêmero

no infinito esquecido

onde toda lembrança
é um sopro

MARGENS DO RISO

sou o som que escuto
o poema que leio o verso
que esqueço o traço 
o tropeço


verbo saltando a farpa
do segredo que cerca 
o avesso

sábado, 19 de julho de 2014

PORTO DO CAPIM

(poema dedicado às mulheres da comunidade do Porto do Capim, em João Pessoa, que resistem com garra aos desejos ilimitados da especulação capitalismo)




a cidade de joão pessoa
nunca olha de frente para o rio sanhauá
talvez por ter vergonha das suas margens

a cidade não veste a pele dos que encharcam 
os pés nas beiradas do porto do capim
onde as chuvas aniquilam o pouco 
dos que pouco possuem onde os barcos atracam 
no assoreamento e no abandono

onde um estupro urbanístico é prometido 
pelos que mandam e fazem
pelos que arrancam as árvores porque 
acreditam não precisar dos pássaros

a cidade de joão pessoa esqueceu 
do seu nascedouro e virou as costas para onde 
a verdade maior é o reflexo da lua nas águas do rio

um lugar onde o esquecimento fez morada 
no tempo e a beleza é o alimento de cada manhã

suas mulheres transformaram a luta 

num porto seguro


sexta-feira, 13 de junho de 2014

Acompanhei a abertura da Copa do Mundo, escrevendo alguns poemas sobre lances do campo, sobre lances da partida. Todos os poemas abaixo foram publicados em tempo real, no Facebook. Foram escritos, aliás, na time-line. .
Um abraço!
Lau Siqueira


PADRÃO FOFAS

num contexto
frio de gramado

as pombas
espremidas nas
mãos das etnias
brasileiras

voaram 
assustadas
com o cerco
dos canarinhos

observadas
pelas nuvens

represadas na arena
para representar
uma liberdade falsa

padrão fifa

(tão fofas)



GOL CONTRA

o escrete croata
crê e cobre o credo
sobretudo escapa
pela esquerda
e acredita

o brasil cria 
o seu primeiro
embaraço

(marcelo
marcou 
um golaço)

OLHA O GOL

apesar de galvão
bueno

é gol

do brasil

neymar nem
menos


FALTA

faltou mirar
o chute 

a bola perdeu-se
no ar

a trave travou
neymar


PÊNALTI

o jogador fred
mas não cheira

caiu de maduro

mas o juiz
tem olhinho
apertado

tolinho

nem viu o lance
coitado

o juiz apita
neymar rebola

o goleiro quase
pega a bola


ESCANTEIO

o gol visto
de fora

de longe

bem longe da arena
com sua angulação
pequena

não deu em nada

(que pena)



OSCAR

aos quarenta 
e cinco do segundo 
tempo

finalmente um gol
de placa

gol de raça
sem tropeço
nem trapaça

gol de quem merece
levantar a taça

domingo, 13 de abril de 2014

DA IMORTALIDADE
POÉTICA


eternas mesmo
são as nuvens

essas dissonâncias
do infinito

eternas
e mutantes 

mas a vida 
e suas dobras
de estupidez e
coragem...

a vida é aqui
e agora 

e é frágil
como uma caipora

é tão frágil a vida 
que uma única morte
não basta

por isso sempre
amanheço um pouco
esta memória

o que está posto
poderia ser dito
numa oração

num tratado 
numa tese
num conceito
reformado

mas eis aqui
um poema
besta

e hoje nem é sexta

(lau Siqueira, poema inédito)

LIVRO DA TRIBO – Depois de alguns anos sem publicar no Livro da Tribo, mandei alguns poemas para avaliação da edição de 2015. Havia dado um tempo em razão de proporcionar que o espaço fosse ocupado por outros poetas. No entanto, sempre colhi bons frutos da Editora Tribo, com sua capacidade de entrar no mercado do público jovem. Muita gente me conheceu daquelas páginas e ainda hoje me acompanha.

QUINTA PASSADA NA UEPB – Na última quinta-feira estive em Catolé do Rocha, Sertão da Paraíba, para dar a aula inaugural do Campus IV da Universidade Estadual da Paraíba – UEPB. Uma experiência muito bacana. Levamos um papo sobre a Poesia enquanto sedução para a leitura e o papel da leitura na qualidade do Ensino. Foi um momento muito bacana. Não fizemos uma abordagem crítica da poesia, mas falamos da sua potencialidade para a conquista do leitor.

QUINTA PASSADA NA UEPB (I) – Entre os poetas apresentados, destaco o concretista Ronaldo Azeredo, o poeta visual Avelino de Araújo, Drummond, Vinícius de Moraes, o poeta popular e cantador Pinto do Monteiro, Fernando Pessoa, Chico Cesar, Otacílio Batista com o cordel “O peido que a nega deu” e um poema de uma menina de 14 anos, Lara Beatriz, que conheci na cidade de Frei Martinho, no Seridó.

RECUERDO

teu olhar
eternizado em mim
dia após dia

perene como um rio
ou uma fotografia


(lau siqueira, poema inédito)