exercício lúdico
a palavra semente
enquanto estrutura
...germe do poema
ventre é verbo é
óvulo fecundado na
substância do que
semeia
germinação do que virá
no desmonte do silêncio
e da ira do que
p e r m a n e c e
palavra semente
princípio de tudo
muda
(ls – da série poemas vermelhos)
“JARDIM DE CAMALEÕES”
Eis um livro necessário na estante de quem estabelece uma relação com a poesia contemporânea, seja na pesquisa ou na criação. Uma antologia poesia neobarroca na América latina, organizada por Cláudio Daniel e com traduções do Cláudio Daniel, do Luiz Roberto Guedes e do Glauco Mattoso. Sabe aqueles livros que quando você compra fica feliz? Pois é!
CALÇANDO PALAVRAS
Na verdade fui ontem ao Tambiá Shopping comprar sapatos porque meus dois únicos andam algo rotos. Esqueci que não vendem sapatos em livraria. Acabei almoçando no Iokan e comprando dois livros na Prefácio. Um deles “Jardim dos Camaleões”, comentado acima. Outro, “A geração que esbanjou seus poetas”, do Roman Jakobson. Lindos meus livros novos. Rotos e felizes os meus sapatos. Meus passos permanecem rotos, guardando meus pés descalços na mesma direção.
TRADIÇÃO E MODERNIDADE
Minha experiência de vida recente me traz de roldão ao olho dos furacões contemporâneos. Um desses furacões é o debate entre tradição e modernidade. Uma coisa tão presente na vida cotidiana, mas objeto de tão poucas reflexões. Penso que são forças complementares. Ao respeitarmos e conhecermos a tradição estaremos com fôlego para distrair a modernidade e, quem sabe, inventar uma nova tradição.
“VIVA A VAIA”
Augusto de Campos não poderia ter sido mais denso quando encontrou este título. Todas as reflexões que cercam sua extensa e maravilhosa obra passam por ele. Penso nisso quando me orgulho de determinadas críticas contra o que eu acredito ou – vou mais longe - contra pessoas que, como eu, pensam. Versões da ditadura que permanece, por exemplo, me fizeram comprar ontem um jornal da Causa Operária e seus necessários petardos. Toda sinceridade é necessária!
SEVERO SARDUY
Uma lâmpada. Um copo. Uma garrafa.
Sem outra utilidade ou pertinência
Que estar ali, que dar à consciência
Um casual pretexto, mas não grafa
o traço humano que ora inflama, abafa
a luz ou que ali beba. em tudo a ausência:
paredes que, caiadas, dão ciência
que ali ninguém repousa nem se estafa.
Somente é familiar a luz acesa
que põe sobre a toália posta á mesa
a sombra que se alarga: o dia quedo
do tempo o passo segue em sua vaga
irrealidade. a tarde já se apaga.
Abraçam-se os objetos: sentem medo.
(Morandi, poema de Severo Sarduy. Um cubano de Camagüey, mascido em 1937 e falecido em 1993, exilado em Paris. Tradução de Glauco Mattoso. O poema está na antologia comentada acima.)
“BASTIDORES DO PARTO”
Este é o nome do meu nem tão novo blog, onde publico artigos esparsos e perdidos. Publicados na via impressa, ou não. Confira!
Quinta-feira, 26 de Junho de 2008
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10:43:00
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disseram Poesia Sim
Sábado, 21 de Junho de 2008
poema diário
minhas mãos
caminham sobre o teclado
aliás
correm
voam
algumas vezes
na busca do poema das
palavras libertárias
escrevê-lo é subtrair
distâncias
navegar do cálido ao ártico
na perenidade do instante
faço poema
como quem cuida das lidas
necessárias
descobrindo a balbúrdia
do silêncio
penso
(ls – da série poemas vermelhos)
VOLTAIRE
Aprendi a ler Voltaire em “Tratado sobre a tolerância”. Não importam os motivos. Na verdade, uma banalidade me levou até ele. O texto denso e veloz do francês me cativou. Vi em Voltaire, na prática, a universalidade de descrever a própria aldeia. Agora leio “Cândido”, com o mesmo encantamento. É a história de um cara que viveu acreditando no que havia afirmado seu mestre (que no mundo só havia bondade e justiça) e foi violentamente expulso do castelo onde vivia. Um livro escrito em 1758, lido em 2008 por quem acredita que os castelos (sejam quais forem) ainda são as mais sólidas ilusões.
VOLTAIRE I
O nome de batismo de Voltaire era François-Marie Arouet (1694-1778). Ele fez da filosofia um processo de permanente diálogo com o tempo. Sua obra é, sobretudo, um exercício de linguagens, vivências e idéias de mundo. Admiro escritores que não se rendem aos passos delimitados por sua época. Escrever é um ato de dignidade selvagem.
PENSAR O POEMA
O poema deve ser pensado como se estivesse sendo sentido. Ou seja: com os sentidos. O poema deve permanecer ancorado numa linha tênue entre o balbucio e o berro. Buscando palavras, mas, deixando-as à vontade por não precisar.
VIVER O POEMA
O poema deve ser vivido como se estivesse sendo pensado. Ou seja: ancorado nos enleios de um dia comum. Calado no meio da noite escura. Arrepiado. Seduzindo e seduzido pelo desconhecido. Num eterno seguir em frente... Como se as mensurações do calendário não pudessem reter a memória dormida.
DENSIDADE
A densidade do poema deve ser, antes de tudo, tudo. Antes de submeter-se às cercanias das estéticas temporais, o poema deve desabotoar-se ao mundo. Alguns poemas nos fazem pensar que o eterno e o provisório, a matéria e o espírito... somente quando em conjugação seguem em frente. Como esse poema do catalão Joan Brossa!
“O que fazemos? Aonde vamos?
De onde viemos?
Mas aqui tem uma caixa de lápis
De cor.”
Ao ler os versos, você percebe que o espelho da sua densidade, está no título. “O SOL DETIDO”. Joan Brossa nasceu em Barcelona em 1919 e morreu em 1998. Para ele não existiam fronteiras entre as artes. Brossa foi um poeta desvinculado de doutrinas. O poema acima foi extraído do livro Poesia Vista, das editoras Amauta Editorial e Ateliê Editorial, com tradução de Vanderley Mendonça.
BROSSA POR BROSSA
Em La poesia em present, discurso pronunciado nos Joes Florals de Barcelona , em 1985, ele disse: “Minha obra sempre teve o tom experimental que acompanha a evolução da arte. Me movi e me movo, numa linha alternativa à arte oficial, que nos quer comparsas em tudo. Porque definitivamente, os que fazem a História são os que vão contra os tópicos da História.”
publicado às
12:41:00
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disseram Poesia Sim
Quinta-feira, 19 de Junho de 2008
nada não
sabe
essa coisa que limita a sorte
de quem foge da fome
com a cara clandestina
e suprime a certeza
diante da
impressão de vida fluente na
imensidão da
paisagem humana da cidade
e se perde de mim
se perde de mim
e de ti
e permeia as gameleiras
que em simples nós
comprimem o que não está no
que dizem
nossas bocas secas
nossas bocas
prescritas pelo cansaço dum
pálido fiapo de rio que
insurge o crespo silêncio
da noite que assim
parece mais amena
) mas...
é a mesma noite assassina (
a mesma noite
dentro dum carretel de coisas
que no espaço de um minuto
acontecem no mundo
por isso respiro fundo
o hálito da manhã que nos
abriga para um dia de luz
no meio da meia noite
que trafega no ar
e em mim
r
e
s
p
i
r
o
(espirro!)
(ls - da série poemas vermelhos)
ILIMITES
A distância entre o sim e o não e a distância que os separa na amplitude de uma decisão, são infinitamente distintas. Estamos sempre na medida do erro. A vida está sempre na medida da morte. A soberania está sempre na medida da mais profunda servidão. Por isso não é a distância entre o sim e o não que impedem a serenidade dos rios que correm para o mar, com águas sobrepostas num mesmo transbordar...
SANDINO
Não penso mais em revolução. Jovens de arma na mão recuperando a dignidade da raça. Não me iludo mais com bandeiras vermelhas e mesmo estrelas, foices, martelos... fico colhendo na memória do mundo, frases que indicam caminhos. Como a de Augusto César Sandino: “não me rendo, não me vendo. Tenho de ser vencido.”
COSTUMES
Juro que não nasci pra isso, mas vou cumprindo como posso o que represento com minhas somas e perdas. Ando caminhando meus palmos e plumas dentro do que não me pertence, mas que está em mim e que guardo como se guarda um pássaro no vôo. Vou...
ANA LOYOLA
Menina danada essa Ana Loyola. Dizia que seu Trabalho de Conclusão de Curso, no Depto. de Letras da UFPA, campus de Santarém seria sobre a minha poesia. Eu acreditei. Agora escreve os “finalmentes” de um projeto chamado “Meu caso de amor com Lau Siqueira – um guardador dos sentidos. Susy, procê este post.Obrigado pela alegria tão imensa do teu carinho.
DIAS IMENSOS DE POUCAS HORAS
Tenho vivido dias imensos em poucas horas. Quase não respondo meus e-mails. Tudo que me faz vivo corre e transcorre em minhas artérias...
Ufa!
publicado às
23:40:00
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Domingo, 15 de Junho de 2008
cordas vocais
a garganta é uma represa
de tudo que não pode ser dito
sumidouro de palavras que
percorrem na boca o véu dos
insumos infinitos
um epitáfio do silêncio
e a permanência do assombro
no espelho orvalhado
das manhãs
por isso as flores acolhem
na beleza os colibris com seus
beijos azuis convertidos ao
sabor do pólen
lentamente
(ls – da série poemas vermelhos)
VOZES DISSONANTES
Um dos espetáculos mais emocionantes que assisti nesses cinqüenta e um anos errantes (porém certeiros) foi o de Denise Stoklos, Vozes Dissonantes. Um monólogo de impermanências diante de uma compulsiva realidade mundial. Uma realidade de constante rendição à ditadura das coisas visíveis. Quem compreende a vida pela importância da larva que passa pela inadequação do sangue em nossas veias entupidas por uma gorda empáfia... não ouve, não vê, nem sente.
RESISTÊNCIA
Sempre estive nas trincheiras dos que resistem. Por isso não engulo pedras nem guardo mágoas. Por isso nem mesmo na dor sou amargo. Resistir, sobretudo, é manter-se terno e rijo ao mesmo tempo. Resistir com arte, sobretudo, tendo a palavra como pena de um pergaminho em coletas mensuradas no acaso...
FRASES DA MINHA VIDA
Sempre trago comigo algumas palavras que mantive no meu aprendizado de mundo. Como as do comandante Augusto César Sandino: “Não me rendo. Não me vendo. Tenho que ser vencido.”
EM JULHO
Ficou para julho a minha participação no instigante evento do Espaço Psi, a convite da amiga, poeta e psicanalista, Lúcia Wanderley. Ainda não entendi direito a proposta, mas aceito o mergulho pela seriedade e pelo caráter irrepreensível da amiga Lúcia e das pessoas envolvidas. Vou ler meus poemas e conversar com quem, diante da usura intelectual dos nossos dias, prefere o prazer do partilhamento.
ENTRE VISTAS
Minha amiga querida, Maúde Viscardi, diz que não sou calmo, mas contido. Aprendi a admirar ainda mais minha amiga a partir desta descoberta. Realmente, sou um eterno explodir de lavas. Coisas que petrifico em palavras para uma eternidade de instantes. Esta semana fui entrevistado pela amiga Reny Barroso para a revista Alternativa Nordeste. Conversamos sobre os véus da minha presença no Nordeste e a permanência de musgo que mantenho com os músculos do espírito. Confira!
ÁGUAS DE JUNHO
A programação dos festejos juninos aqui na capital da Paraíba não agrada os mercadores de tróia. E acho que nem mesmo mercadores gregos. Na verdade, não agrada os mercadores. Como disse em e-mail distribuído por aí, é um evento que prima pelo bom senso de uma política cultural comprometida com a preservação do patrimônio imaterial da cultura nordestina. Como disse ainda, “uma festa popular sem concessões ao grotesco, ao mau gosto, ao desrespeito à diversidade humana... uma festa popular com responsabilidade de política pública.” Enfim, de 21 à 29 de junho o velho, charmoso e histórico Varadouro abrigará a poesia de uma guerrilha cultural ativa. Confira!
DICA DA NEUZA
Neuza Pinheiro é uma artista de alma livre. Mandou uma dica que aqui registro. Bóra ver com olhos leitores. Confiram!
publicado às
14:38:00
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disseram Poesia Sim
Quarta-feira, 11 de Junho de 2008
SUPERLATIVO
todos os sentimentos puros
e também os impuros os putrefatos
os absurdos os putos os rútilos
e ainda aqueles que bóiam quando a
solidão afunda os olhos no mar
todos os arremedos do ar e as bolhas
que secam na margem do rio
todos os sentimentos úmidos
e ainda os que permanecem mudos
os súbitos e os argutos os bárbaros
e ainda os que não escutam
quando abusam do que chupam
todos os impulsos esquisitos
os uivos descritos n’areia
em pegadas sumidas
todos os desníveis da fome ainda
não vivida toda essa sede de infinito
tudo que embriaga os poros e rompe
o limite dos sentidos e ainda o que
navega no que parece incontido
tudo que é som e ruído
tudo isso e mais o que não digo
tudo isso é o que sinto
) e finjo que não ligo
(ls- da série poemas vermelhos)
CARCAÇA CANIBAL
Tenho repetido coisas pra mim mesmo. Coisas nas quais acredito. Ando sumido do que, na verdade, desejo e preciso. Tenho retornado à primeira pessoa. Ao que me permito na pertinência íngreme do estágio canibal da minha calma. Ainda assim me restam ilhas de costumes e guerrilhas íntimas com as quais trafego no lume das coisas...
QUAL A DISTÂNCIA?
Qual a distância entre o crítico e o artista medíocre? No caso da literatura, é o texto. Mas, em qualquer arte é a própria arte. Leia um texto critico de Pound, Rilke, Maiakovski, Borges ou Leminski. Lá você também encontrará poesia. No entanto há os que são apenas ferinos, oportunistas e medíocres. Apontam o dedo, resmungam, constrangem... com o rabo preso e exposto.
clorofila
às vezes comungo
com as folhas das árvores
aquelas que
no acalanto do vento
algo múltiploe solitário
e é como se estivesse
observando a fecundação
das sementes
pelo invisível
(Outro poema vermelho que estará no Livro da Tribo 2009)
UM TEXTO DE JULIO CORTAZAR (pra quem acredita)
“Toco a tua boca,com um dedo toco o contorno da tua boca,vou desenhando essa boca como se estivesse saindo da minha mão,como se pela primeira vez a tua boca se entreabrisse e basta-me fechar os olhos para desfazer tudo e recomeçar.Faço nascer,de cada vez,a boca que desejo,a boca que a minha mão escolheu e te desenha no rosto,uma boca eleita entre todas,com soberana liberdade eleita por mim para desenhá-la com minha mão em teu rosto e que por um acaso,que não procuro compreender,coincide exatamente com a tua boca que sorri debaixo daquela que a minha mão desenha.Tu me olhas,de perto tu me olhas,cada vez mais de perto e,então,brincamos de cíclope,olhamo-nos cada vez mais de perto e nossos olhos se tornam maiores,aproximam-se,sobrepõem-se e os cíclopes se olham,respirando indistintas,as bocas encontram-se e lutam debilmente,mordendo-se com os lábios,apoiando ligeiramente a língua nos dentes,brincando nas tuas cavernas,onde um ar pesado vai e vem com um perfume antigo e um grande silêncio.Então,as minhas mãos procuram afogar-se nos teus cabelos,acariciar lentamente a profundidade do teu cabelo enquanto nos beijamos como se tivéssemos a boca cheia de flores,ou de peixes,de movimentos vivos,de fragrância obscura. E, se nos mordemos,a dor é doce;e,se nos afogamos num breve e terrível absorver simultâneo de folêgo,essa instantânea morte é bela. E já existe uma só saliva e um só sabor de fruta madura,e eu te sinto tremular contra mim,como uma lua na água.”
POEMAS VERMELHOS E UMA DO ORKUT
Outro dia meu amigo Dan perguntou qualé dos meus Poemas Vermelhos. Velho Dan, são experimentos com as palavras. São recém nascidos, despidos do ineditismo ao serem publicados aqui no blog. Na verdade, também, Poemas Vermelhos é uma analogia aos Poemas Suspensos, dos poetas beduínos. Provavelmente, o título do meu próximo livro. E a do Orkut? Bem, fui adicionado por um músico com o seguinte argumento: “te conheci num desfile da Furtacor, havia um evento (pago) com palhaços. Você disse: só rio de graça.” Eu disse isso, bróder?
publicado às
23:37:00
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Terça-feira, 10 de Junho de 2008
RELÓGIO
DE PAREDE
tenho coisas amargas
nos guardados da memória
e lá estão porque são
necessárias aos momentos
de conter os tigres
esses tigres esquisitos que
às vezes habitam meu riso
e visitam meus sentidos
como se o bicho que sou
fosse outro
tenho um tempo guardado
e outro tempo perdido
ambos cantam as geadas
dos meus cabelos gris
e o gemido dos galos que
perfuram as madrugadas
(ls, da série poemas vermelhos)
DISCUTINDO LITERATURA
A revista Discutindo Literatura, da Escala Editorial (SP), pode ser encontrada nas bancas das principais cidades brasileiras. No próximo número você poderá conferir um artigo meu questionando a ausência de uma única editora nordestina com circulação nacional, apesar da imensa tradição literária da região. O “start” da idéia nasceu quando no ano passado estive como convidado no projeto Rumos Literatura, do Itaú Cultural (na Paulista). Incrédulo, ouvi a respeitada professora e antologista Heloísa Buarque de Holanda afirmar que os poetas nordestinos não entravam nas antologias nacionais porque seus livros não chegavam no eixo Rio/Sampa. Bah!
CHAMA SEU MADRUGA
A vida toda estive envolvido em militância política. Tenho oito pontos na cabeça por conta disso. Não fui torturado, mas já fui preso pelo mesmo motivo. Sei da pressão das algemas. Conheço o ar rarefeito de um camburão. Hoje, ocupo um cargo de relevância na prefeitura de João Pessoa. Dirijo a Fundação Cultural da cidade. Isso pode durar até amanhã, às 9h em ponto. Pouco importa! Ainda exerço minha função com o mesmo espírito militante. O que me move não é a vaidade, mas a verdade. De onde estou, observo quem lá esteve e tratou apenas dos próprios interesses. Convivo com críticas que procedem e com o exercício da falta de caráter. Por falar nisso, cadê seu Madruga pra dar um cascudo no Chaves?
NADA SERÁ COMO ANTES
Não vivo o dia de hoje para consumo próprio. O dia que eu vivo e todas minhas energias estão no empenho do dia que virá. O mundo que busco no cotidiano é o mundo dos que ainda virão. Depois do esquecimento, ainda estarei onde sempre estive. Porque sempre foi assim e assim será. No que me é permanente, guardo a eternidade das emoções fugidias...
TRIBAL
Por falar em antologias e coletâneas, a Editora da Tribo, hoje instalada em São José do Rio Preto (SP), lança todos os anos o maravilhoso “Livro da Tribo”, que pode ser encontrado também no país inteiro e ainda comprado pela net, no site da editora. (Confira) No próximo ano, dez dos meus poemas estarão circulando no Livro da Tribo. Entre os quais, este que publico abaixo e que era para sair na quarta capa do livro, mas, por timidez (digamos assim), não saiu. Aos editores Décio Melo e Regina Garbellini, o meu abraço.
quarta capa
O poeta
é o que busca na palavra
a dimensão do átomo.
O silêncio extremo
por detrás de cada fato.
O poeta é o etéreo e o ácido
na pele dos valores estáticos.
Estéticos são seus baralhos.
O poeta é o vapor barato e o
lance de dados. O acaso e
o atalho.
Macalé e Mallarmé
no mesmo saco:
O poeta é um guapo!
POESIA PORRAÍ
Infelizmente tive que recusar a proposta irrecusável da poeta, professora, colunista do Diário de Pernambuco, Lucila Nogueira, para uma noite de autógrafos no Festival Literário de Gravatá(PE), no frio inacreditável da serra pernambucana. Afinal, estarei trabalhando diuturnamente aqui em Jampa, na Festa das Neves (sem neve). No entanto já pude confirmar presença dia 10 de outubro, em Porto Alegre, no Porto Poesia, organizado pelos amigos poetas Mário Pirata e Sidney Schneider. Também na próxima sexta, devo ler meus poemas no Espaço Psi, aqui na cidade, a convite da poeta e psicanalista Lúcia Wanderley.
publicado às
01:50:00
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Domingo, 1 de Junho de 2008
na pele de um rio
a solidão
é a uma pedra que
no meio de uma tempestade
permanece imóvel
uma provação aos ventos
a escuridão que não fere
e tantas vezes absorve
o limo
tantas vezes transborda
um cântico
ao silêncio dos românticos
coisa roendo os ossos
testando o limite do que
alimenta o ar
(ls – poema vermelho)
GRANDE CAMPINA
Estive ontem em Campina Grande conversando com um grupo de artistas sobre a questão das políticas públicas e a relação com as instituições, enfim... a falta de, também. Articular, organizar, planejar e insistir, formar... eis as palavras que estiveram na pauta. Aliás, As palavras pautaram a reunião. oO Universo faz sentido!
ERROS CRASSOS
Tenho convivido com a repercussão de erros crassos e com a remissão de atitudes ridículas. Tudo numa didática comum: a vida é uma estrada de mão dupla. O que perdemos quando esticamos a corda sem saber da sua espessura, é o conceito de partilha desigual. Não compreender a circunstância do outro é um erro crasso e a pífia performance do ego.
VOCAÇÃO
Não tenho vocação para o escárnio. Muito menos para a diluição. Não tenho vocação para ouvidos moucos. Também não tenho das noites uma lua pontilhada. Prefiro resumir minhas impossibilidades e caminhar sem medo dos becos e das esquinas distantes...
DA DISTÂNCIA
Não nos vemos, mas penso em tu. Penso que a vida é um tal de escoar pra dentro tudo que transborda e não se cumpre. Penso que todo o resto que há, nasce de um olhar que às vezes se perde mudo.
FLORES DE MAIO
Cada dia, cada instante... o tempo quando denso, tem um significado íngreme. Não há hora de chegada nem saída. O tempo é aqui e agora, com nossas convicções e nossas dúvidas...
POEMA DE ROBERTO PIVA
Eu atravessei manguezais
& estrelas
sementes espalhadas
na voz do olho obscuro
répteis abandonados no pó das estradas
Esta Serra enforca o horizonte
Nômade no Absoluto
(Roberto Piva é poeta paulista nascido em 1937. O poema acima se chama Gavião caburé e se encontra na antologia “Paixão Por São Paulo”)
POEMA DE WALTER GALVÃO
Possibilismos 3
(Da série dos espelhamentos)
Ao ar nascido
equilíbridodesperto amotinado
todo dia.
Minha carne não está à venda.
Meus olhos abertos
bichos comparsas
esvoaçam a esmoentre espinhos.
Esta sina de trapézio
prisão de espelhoeu sei...
fascina
metade é nada
a outra é desejo
paixão e trapaça
palácio, degredo.
(Walter Galvão é um poeta e jornalista paraibano autor de tanta coisa bonita que, sinceramente, merece uma edição especial aqui no blog. E terá.)
publicado às
13:52:00
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