domingo, 5 de fevereiro de 2012


ímpeto

no corpo inteiro
transitam palavras
não ditas

minh’alma explode
e nasce um poema


(poema vermelho – lau siqueira)

PARAIBA JÁ – fui convidado e assumi a responsabilidade de manter uma coluna no portal Paraíba Já (www.paraibaja.com.br). O primeiro texto busca contextualizar-me dentro da conjuntura vivida por aqui. Mas, os próximos deverão tratar de abordagens sobre arte, cultura, políticas públicas, literatura e outros assuntos que julgar conveniente. Os textos publicados no portal Paraíba Já, também poderão ser encontrados no blog Pele Sem Pele (www.lau-siqueira.blogspot.com) e poderão ser reproduzidos sem autorização prévia, desde que citada a fonte e autoria.

COINCIDÊNCIA BOA - Recentemente se apresentou em João Pessoa a Orquestra Vila Lobos, da Escola Vila Lobos de Porto Alegre. Um encantamento tomou conta da platéia. Fiquei, logicamente, tomado de orgulho. Dias depois recebo um e-mail da minha amiga e minha editora, Laís Chaffe, informando que o projeto Cidade Poema (www.vidadepoema.com) havia colocado um poema meu, em adesivo, na entrada da sala dos professores da referida escola. São essas conspirações cósmicas que fazem a vida ser mais interessante que já é.

BIBLIOTECA COMUNITÁRIA – No próximo dia 7 de fevereiro, às 18 horas, estará sendo inaugurada a Biblioteca Comunitária Antônio Soares de Lima na comunidade Tito Silva, em João Pessoa. Antônio Soares de Lima foi um líder comunitário, conhecido como Chuá, que deixou um legado de esperança e protagonismo na comunidade. Analfabeto, pobre e rico em valores humanos, letrado em humanismo, Chuá recebe uma homenagem mais que merecida. Os grandes homens, mesmo esquecidos, confinados na opressão e na desigualdade social, não podem ser esquecidos.

POEMA DE DORA FERREIRA DA SILVA

É preciso que venha de longe
do vento mais antigo
ou da morte
é preciso que venha impreciso
inesperado como a rosa
ou como o riso
o poema inecessário.

É preciso que ferido de amor
entre pombos
ou nas mansas colinas
que o ódio afaga
ele venha
sob o látego da insônia
morto e preservado.

E então desperta
para o rito da forma
lúcida
tranqüila:
senhor do duplo reino
coroado
de sóis e luas.

(Nascimento do poema, do livro Poesia Reunida, 1999)

sábado, 28 de janeiro de 2012

livros



pra que
servem os livros?

para enluarar

semente no
esparramo da pele

livro é
alimento dos livres

e dos tigres


(poema vermelho - lau siqueira)

PENSAR COLETIVO - Todos os olhos e todas as asas do planeta somente existem quando em bando. Os solitários são conversas do escuro onde a luz pede passagem. Pensar além dos próprios ombros e das próprias ombreiras. Sem a ironia dos que odeiam apaixonadamente. Pensar no que pode gerar o escambo de uma tribo inteira no processo de universalização da aldeia. A vida ponteia!

POESIA NO PRESÍDIO – Depois do sucesso do sarau POESIA NO HOSPÍCIO, realizado no complexo Psiquiátrico Juliano Moreira, fui convidado e aceitei fazer um sarau num presídio de segurança máxima aqui em João Pessoa. Poesia é fator de liberdade.


UNIVERSO LITERÁRIO
– Vale a pena conferir o programa Universo Literário na Educativa FM da UFMG. Dentro do Universo Literário tem a seção Toque de Poesia, sempre sendo apresentado por volta das 08:30h, horário de Brasília e 07:30, aqui no Nordeste. O programa pode ser ouvido pela internet no endereço
http://www.ufmg.br/online/radio . Produção e apresentação de Rosaly Senra.

POEMA DE SANDRA REGINA

Teu ponteiro sempre em riste
Atravessa minhas horas eternas
A menor distância entre nossos pontos:
quando ele pára entre minhas pernas.


(Pontual, poema de Sandra Regina, no livro O Texto Sentido. Ed. Limiar, 2008)

quarta-feira, 11 de janeiro de 2012

s o n i f e r o z

vou adormecer
com olhos de lua

um espelho de estilos
num estio de estrelas


(lau siqueira – poema vermelho)

POESIA NO HOSPÍCIO – Toda quinta-feira, no auditório do Complexo Psiquiátrico Juliano Moreira, em João Pessoa, sempre a partir das 19 horas, acontece um sarau poético com a participação de poetas (e outros artistas), dependentes químicos em tratamento, portadores de transtornos mentais, funcionários do hospital e visitantes.

POESIA NO HOSPÍCIO I – Sair do focos, dos holofotes, das “gorduras saturadas” do meio literário que elevam as taxas de vaidade dos poetas. Mergulhar num universo real da existência humana, onde homens e mulheres se igualam pela fragilidade. Experimentar um processo de cura coletiva através da arte e do enfrentamento ao preconceito guardado naqueles loucos muros.

POESIA NO HOSPÍCIO II – O sarau Poesia no Hospício é, também, um engenho de idéias que ajudem a construção de um mundo mais justo, um mundo sem muros entre raças, credos, ideologias, solidões e loucuras. A partir do sarau, outras ações estão sendo inventadas no Hospício e fora dele.

POEMA DE FERNANDO PESSOA

Que jaz no abismo sob o mar que se ergue?
Nós, portugal, o poder ser.
Que inquietação do fundo nos soergue?
O desejar poder querer.

Isto, e o mistério de que a noite é o fausto...
Mas súbito, onde o vento ruge,
O relâmpago, farol de Deus, um hausto
Brilha e o mar ‘scuro ‘struge.

(Tormenta, poema do livro Mensagem, publicado pelo Selo Centro Atlântico, Lisboa. Edição comemorativa dos 75 anos da morte de Fernando Pessoa.)

sábado, 7 de janeiro de 2012

mulher

a silhueta em tom
um tanto cinza vai tomando
cor e aproximando o riso
dos passos na calçada
sólida e íngreme

colheu do tempo um certo
abandono depois de fundar
a diversidade e o canto dos
passaredos

na vida e no tempo
estio e miragem
encanto e imagem

coxas abertas
para que os dias e as noites
não se resumam nos poemas
escritos a giz ou carvão

num espelho d’águia
que no silêncio
do canto

escolheu voar
(poema vermelho –lau Siqueira)
MORADA DE ORFEU – Chegaram os exemplares da antologia de poetas do Rio Grande do Sul, Paraná e Santa Catarina na qual tive meus poemas incluídos. Feliz por participar de uma antologia bastante representativa do que é a poesia brasileira em suas mais diferentes regiões. Concordo, no entanto, com Antônio Cândido quando diz que não existem literaturas regionais, mas uma literatura brasileira feita nas mais diferentes regiões. A antologia Moradas de Orfeu, organizada pelo escritor catarinense Marco Vasques, foi lançada recentemente em Florianópolis e será lançada em Porto Alegre e Curitiba neste início de ano.

MORADAS DE ORFEU I – Alguns dos poetas participantes da antologia são bem conhecidos nos meios literários interligados pelas redes sociais e pelo mundo virtual. Entre os nomes conhecidos por mim e pelo país, podemos citar Ademir Assunção, Ademir Demarchi, Beatriz Bajo, Jussara Salazar, Luci Collin, Marcelo Sandmann, Marcos Losnak, Ricardo Corona, Rodrigo Garcia Lopes, Celso Gutfriend, Deise Beier, Diego Petrarca, Jaime Vaz Brasil, Ricardo Silvestrin, Ronald Augusto, Sidnei Schneider, Rubens da Cunha, Vicente Cechelero e outros que somados chegam a 59 poetas publicados em 611 páginas de uma bela edição da Editora Letras Contemporâneas.

MATERNIDADE – Fui desafiado   a escrever poemas sobre maternidade, abordando todas as fases, desde a concepção até o nascimento. esta antologia temática será publicada em Portugal (já escrevi os poemas). Um deles é o que aparece no topo desta página. Os demais, devo ir publicando por aqui, aos poucos. Outras novidades a respeito, serão reveladas aqui. Também aos poucos irei dando uma leve burilada nos versos...

POEMA DE TELMA SCHERER

Um homem é um todo em partes,
partida.
partido: um homem tem muitas certezas.
Não suporta dor de parto.
Tem barba, mau cheiro,
maus poemas.
Os homens gritam, pedem socorro,
mamadeiras,
sussurro e perdas.
Quem há de ser, quem há de vir,
quando a hora assombra?
Até tu, bruto, fugirá.

(Um homem é um oco: um foco em zona indefinida, poema de Telma Scherer, na antologia Moaradas de Orfeu – Letras Contemporâneas, 2011
)

quarta-feira, 28 de dezembro de 2011

ALGUNS POEMAS VERMELHOS... ANTES QUE O ANO TERMINE.



multidão distraída


...
..
.
guardava
todas as dores
do mundo no
olhar e na pele


era uma cidade
sitiada pelas
sombras


rosto multiplicado
povoando esquinas


___________________________________


viva sem moderação
num hiato calculado
entre o sim e o não


___________________________________






cara distração


...
..
.
esqueceram de dizer
que não era possível viver
um século em uma semana
e mesmo antes da sexta
não pude reconhecer
meu rosto


__________________________________


pequeno
concerto
da memória

...
..
.
a madrugada
recolhe pequenos
ruídos do vazio


ecoa no medo
dos que dormem
ao relento


neste dia
que nunca
amanhece


__________________________


olhos de boi outro


...
..
.
este olhar de boi morto
não cobre minhas pestanas
nem coleta das luzes
o melhor motivo


postiço e imprevisto
no meio das trapaças
na resistência da raça


esparsa nitidez do alumínio

estilo tino fascínio delírio


este olhar casto


mirado no osso


colosso


_____________________________


adiós las vegas


...
..
.


tenho pernas antigas
e passos cada vez mais lentos


rigidez nos ombros e abdomem
no estilo concreto


não sou discreto
no máximo perplexo


sobretudo mantenho orelhas
estampadas no que não escuto


e olhos atentos ao escuro
sou suavemente bruto


fico puto

descendo pro mar
meu pensamento navega


adiós las vegas

__________________________________


então é natal


...
..
.


esqueceram de apagar
as luzes da avenida


meninos e meninas
perderam o sono numa
manjedoura imaginária


(debaixo da marquise
de frente para a vitrine
da elegância mutilada)


enroscados no frio
de uma invernia perene


esperando um papai noel
que já chegou muito tarde


destituindo sonhos de trenós
e esperanças


esqueceram de avisar
os homens do choque


que as calçadas não são
berços


e que crianças dormindo
não oferecem perigo algum
ao dono do shopping

enfim
os dias nunca nascem iguais


feliz natal
aos que dormem
sob o teto lunar

terça-feira, 20 de dezembro de 2011



artéria em pausa


não pintaremos
as bandeiras da farsa
ou da hipocrisia

nem esqueceremos as rimas
dos que trafegam nas palavras
acolhedoras de pior desfecho

não fecharemos os olhos
para o que não pode ser visto
nem deixaremos nossas mãos
alheias ao que germina

as palavras são uma espécie
de coisa nenhuma

as olheiras do sol
não explicam a noite anterior

tudo está posto

sinta o gosto


(lau siqueira – poema vermelho)

III FLIBO, VAMOS LÁ! – Fui convidado para ser o patrono da III Feira Literária de Boqueirão. Então perguntei para a portadora do convite, a escritora Mirtes Waleska Sulpino, o que era ser patrono da FLIBO. Então ela me respondeu que significava defender a FLIBO, divulgar a FLIBO. Então eu aceitei e já começa a circular por aí as primeiras divulgações de um festival literário que acontece no interior da Paraíba pela terceira vez consecutiva, o que é uma notícia ótima. A cultura brasileira tem suas raízes muito bem sustentadas nos sertões e nos pampas, nos cerrados, nas florestas, num mar sem tamanho dentro da mesma história.

BOQUEIRÃO – Boqueirão é uma cidade no interior da Paraíba, nas margens de um açude enorme, em cujas barrancas se almoça um dos melhores peixes por um dos melhores preços.  Uma cidade com cerca de 20 mil habitantes, com uma imensa vocação para a cultura enquanto importante instrumento propulsor da sua economia e do seu desenvolvimento. Na cidade, pessoas querendo mudar o curso da história, emprenhadas pelo futuro. Apoiar uma feira como a FLIBO é uma questão de acreditar que um outro livro é possível. Vamos escrever essa história juntos!

III FLIBO, VAMOS LÁ! – A Feira de Boqueirão começa sua caminhada com olhos de pássaro sobre a pradaria. De 21 até 25 de março, Boqueirão será a capital literária da Paraíba. Por lá passaram escritores como Bráulio Tavares,  Ariano Suassuna e outros. Por  lá os escritores nordestinos, paraibanos, do cariri, de Boqueirão... todos encontram seus espaços. O envolvimento de estudantes é algo a ser revelado para que se consolide a ideia que em Boqueirão o espaço para as políticas públicas de leitura e literatura têm espaço e tempo. Debates, palestras, shows, caminhadas... A FLIBO segue em frente.

POEMA DE CZCESLAW MILOSZ

Um dia tão feliz.
A névoa baixou cedo, eu trabalhava no jardim.
Os colibris se demoravam sobre a flor madressilva.
Não havia coisa na terra que eu quizesse possuir.
Não conhecia ninguém que valesse a pena invejar.
O que aconteceu de mau, esqueci.
Não tinha vergonha ao pensar que fui quem sou.
Não sentia no corpo nenhuma dor.
Me endireitando, vi o mar azul e velas.

(Dádiva, no livro Não Mais. Tradução de Henryk Siewerski  e Marcelo Paiva de Sousa. Editora UNB. )

sábado, 26 de novembro de 2011

desbravata







indiferente
à luz opaca da sala

a vida pulsa desigual
pelas calçadas e campos
onde a humanidade sonha
e espalha o belo e o triste 


o fato midiático é o crime
enquanto a miséria guarda
seus motivos num silêncio
                 de bala perdida




um bolha imagina-se che
numa américa que morre
nas rodas
do degredo sumário


como um sapo singular


(fico quase sem ar)




(lau siqueira – poema vermelho)


POESIA SUMIDA – Escrevo sumido nas tempestades que acumulam-se na história dos livros e que não traduzem o que ainda não foi escrito ou pensado, sequer vivido. Escrevo diluído nas águas que escorrem do olhos, nos atropelos da pressa, num eterno e desmantelado zelo. Escrevo corroído pelas chamas e tiritante no gelo. Em sensações que ao mesmo tempo ampliam e resumem o suor e o ócio. Nas cataratas... nos pingos de uma fonte que não esgota nunca e que não sucumbe ao arenoso e restrito ato de surtar diante do medo.


TRAPICHE – Numa nessas obrigações humanas me deparei mais uma vez com uma realidade extremada. Fui, a trabalho, acompanhar a Defesa Civil, no amparo às famílias que tiveram suas casas incendiadas por um estúpido. Famílias que moravam nas piores condições, num mangue. Homens, mulheres e crianças-caranguejo. Perderam o pouco que tinham. Tudo vida. Tudo linguagem viva. Chegando em casa, escrevi o poema que transcrevo abaixo.


trapiche


a vida que já não era
nada além de um estandarte
das misérias urbanas virou cinza
carvão e fogo intermitente

eram crianças ainda os que mais
sentiam saudades do dia anterior


até bichos da maré comungavam
com as ausências transformadas

e era noite no olho da lua cheia
e chegamos com algumas sementes
de vida imersa
numa esperança
que não se rende



(lau siqueira - poema vermelho)




POEMA DE EDUARDO SAN MARTIN






O tempo tempera e move um único dia
no equilíbrio cotidiano dos planetas
com uma xícara de cansaço a cada década.


(Meditações no éter, do livro O Círculo do Suicida. Cadernos Margem, 1981 – Porto Alegre-RS)

domingo, 20 de novembro de 2011

miragem




tua pele

              monja

tatuada n’algum
espelho marginal
das águas

é um hiato solar


(poema vermelho – lau siqueira)

QUARTA NA UFPB  - Na última quarta-feira estive aula do Curso de Letras da Universidade Federal da Paraíba, a convite do Doutor em Literatura, professor e grande  poeta paraibano, Sérgio de Castro Pinto. Conversei sobre a minha trajetória literária, sobre a vida, sobre as minhas influências, respondi perguntas, ri, tirei fotos e saí feliz da vida. Soube que também a turma achou bacana. Bacana também foi o suave tumulto em busca do meu livro, Poesia Sem Pele.

QUINTA EM BOQUEIRÃO – No dia seguinte estive, juntamente com os amigos e poetas Bruno Gaudêncio e André Aguiar no primeiro dia da programação literária do Balaio Cultural, promovido pela Secretaria de Cultura do Município.  Foi um bate-papo sobre literatura com alunos das escolas municipais. Boqueirão vem se destacando pela realização de eventos culturais. Na programação deste ano, nomes conhecidos como o cantor Geraldo Azevedo e ator Luiz Carlos Vasconcelos.

NEM FUI À FLIPIPA -  Também no dia 17 eu estava convidado para participar da caminhada literária na Festa Literária de Pipa – FLIPIPA. Com a aproximação da data e sem qualquer confirmação, fui conferir o site e vi que a programação tinha sido fechada e sem o meu nome. Alegaram falta de recursos. Sem problemas. Essas coisas acontecem. Fechar programações é sempre um estresse. Infelizmente nem pude ir à bela praia da Pipa conferir a boa programação do evento. Vida longa à FLIPIPA!

POEMA DE REYNALDO DAMAZIO

miro tua
tatuagem
tateio tua
miragem

(Psycho, poema de Reynaldo Damásio, no livro Nu Entre Nuvens – Editora Ciência do Acidente)

domingo, 6 de novembro de 2011

novembro





há quem não esteja atento
aos sulcos sonoros do silêncio
a vida espalha seus traços e
suas enzimas no olhar que
redime e vôa...


(poema vermelho – lau siqueira)


QUINTAS CULTURAIS – Muito bacana chegar no Centro Histórico de João Pessoa, mais propriamente na Praça Anthenor Navarro, tomar uma ceveja no Espaço Mundo e participar de uma noite de arte no Espaço de Musicultura. Valeu o convite de Talina Bandeira! Há mais de quatrocentos anos a cidade nascia exatamente ali, nas margens do Rio Sanhauá. O trabalho daquela meninada nos mostra que a cultura não sobrevive apenas dos incentivos oficiais que, são importantes, mas não representam a totalidade nem a mais animada perspectiva. As políticas de cultura devem ser fomentadoras e não executoras, prioritariamente. É o que eu penso. As coisas estão acontecendo na Nação Varadouro.


MORADAS DE ORFEU é uma antologia de poetas do sul do Brasil que foi lançada recentemente em Florianópolis pela Editora Letras Contemporâneas. Tive a generosidade de ser um dos poetas escolhidos como representante da minha terra, depois de 26 anos residindo no Nordeste. Entre os poetas da antologia, nomes conhecidos como ricardo silvestrin, Ronald Augusto, Ademir Demarchi, Ademir Assunção, Luci Collin, Diego Petrarca, Beatriz Bajo, Jussara Salazar, Ricardo Corona, Rodrigo Garcia Lopes, Sidnei Schneider, Telma Sherer e outros. O organizador da antologia é o poeta e crítico de teatro Marco Vasques.

estilo por estilo
sou mais
zuada de grilo


(terceto vermelho - lau siqueira)



CANTATA BRUTA
– Foi de arrepiar a experiência de estar no Cine Bangüê, do Espaço Cultural José Lins do Rego e assistir o concerto da Orquestra de Câmara Cidade de João Pessoa, sob regência do maestro Eli-Eri Moura, em homenagem ao multiartista W. J. solha. De arrepiar tudo que vi, ouvi e senti. Parte deste sentimento pode ser conferido em um texto que escrevi a respeito para o meu outro blog, Pele Sem Pele – www.lau-siqueira.blogspot.com . Se estiver com alguma coceirinha de curiosidade, leia o texto e exija pelo menos mais uma apresentação.


BALAIO CULTURAL – Já saiu a programação do Balaio Cultural, um evento que acontece na cidade de Boqueirão – um dos pólos culturais da Paraíba – e que terá abertura com show de Geraldo Azevedo. No dia 17, às 14h, eu e o poeta andré Ricardo Aguiar estaremos por lá, debatendo literatura. Um prazer enorme estar em uma mesa com o meu mano André Ricardo, pessoa e escritor maiúsculo. Aindo aguardo confirmação da minha presença no FLIPIPA – Festa Literária de Pipa-RN.


POEMA DE FERNANDO PESSOA


Leve, leve, muito leve,
Um vento muito leve passa,
E vai-se sempre muito leve.
E eu não sei o que penso
Nem procuro sabê-lo.


(Poema do livro Fernando Pessoa – obra poética II – Poemas de alberto Caeiro. Editora LP&M. Poema publicado originalmente na revista Atena, em 1925.)

domingo, 30 de outubro de 2011

pantim





munganga
no dito da rapina


resenha de mico
no circo da mata


no bafo do asfalto
no cerne da bufa


parabólica mente
mídia (macro-íris

na pele do espelho

um anarco-lírio


cravado no pelo


pentelho em nó
acrílico


(poema vermelho – lau siqueira)


QUINTA NA MUSICULTURA – Fui convidado para ler poemas e curtir o projeto Quintas Culturais do Varadouro, na Casa de Musicultura. Vou lá ouvir o que toca em nossos silêncios. Palavras e linguagens cruzarão as senzalas e os moinhos se farão reais. Estaremos por lá.

QUINTA NA MUSICULTURA – É a segunda edição do projeto Quintas Culturais da Casa de Musicultura. Vai rolar um curta de Marcelo Quixaba, participante do III Cinecongo, do Cineport 2011 e convidado especial da Mostra Matizes da Sexualidade. Logo em seguida, uma performance teatral do Coletivo Sofia Clube, com direção de Bertrand Araújo e encenação de Naiara Cavalcanti. Vai rolar ainda uma roda de diálogo, leituras de poemas e sorteio de alguns exemplares do meu livro mais recente, Poesia Sem Pele. Enfim...

FLIPIPA E BALAIO CULTURAL – Estou com dois convites bacanas (mas ainda não confirmadas as datas) para este me(i)ado de novembro. Um deles para a II Caminhada Literária na FLIPIPA – Festa Literária da praia da Pipa-RN. Ano passado a caminhada foi com Daniel Galera. Para o evento, estão confirmados os nomes de Arnaldo Antunes, Fernando Moraes, entre outros. Também estou sem saber ao certo a data da minha participação, juntamente com o poeta André Ricardo Aguiar, no Balaio Cultural, um evento bacana de acontece em Boqueirão-PB. Esta Edição do Evento será aberta por Geraldo Azevedo. Enfim, sou bem desligado e isso atrapalha um tanto.

POEMA DE THIAGO LIA FOOK MEIRA BRAGA


a luz já se apagara


no dormitório
outra luz causava penumbra


alheia às inalteráveis regras
uma andorinha retardatária
se equilibrava no varal

(gravura, poema do livro Poesia Natimorta e Versos Sobreviventes - Bagagem Edições)