POEMAS VERMELHOS

conheça meu novo blog, POEMAS VERMELHOS, www.poemasvermelhos.blogspot.com

domingo, 14 de abril de 2013


SOBRE VIVÊNCIA

um puta vento soprando no rosto
arrasta os cabelos os pensamentos
o canto dos pássaros e o barulho
dos carros

os espirros os gemidos os pigarros
os esquecimentos e os sentimentos
raros

viver é tão imenso
e ao mesmo tempo
um faro

uma vez sim uma vez não esses
punhados de dúvidas e uma
certeza escancarada

não sei
onde se formam as paisagens
muito menos em que navegação
o mar é a viagem

e tudo isso tem cheiro
(poema inédito)

REVISTA VOX - Recebi e aceitei o convite para publicar mais um artigo na excelente revista VOX, do Instituto Estadual do Livro do Rio Grande do Sul, agora sob direção da escritora, editora e jornalista Laís Chaffe. O editor da revista é o também escritor Tailor Diniz.  Desta vez o texto buscará fazer uma ponte entre a literatura e a gastronomia. Na revista VOX já publiquei "Do berimbau ao chip", uma tentativa de traçado entre a tradição cultural e a modernidade.

BRUNO GAUDÊNCIO - Um dos editores da prestigiada revista Blecaute, o poeta Bruno Gaudêncio lançou o livro "Acaso Caos" neste último dia 13 (sábado) no Bar do Élvis aqui em João Pessoa. Bruno faz parte de uma nova geração de escritores paraibanos que merece um olhar mais atento dos agentes culturais brasileiros. Bom escritor, gente boa e bom articulador das coisas da literatura, Bruno merece o sucesso que vem alcançando.

LIVRO PRONTO? - Finalmente decidi dar um basta aos "Poemas Vermelhos" que costumo publicar por aqui. É possível que este seja o título de mais um livro com meus poemas. Estou esperando a confirmação desta boa novidade que no momento está nas mãos de uma editora bem conhecida.

DETALHE

este caco de espelho
queimando feito brasa  viva

memória tão breve de uma
vida sólida em princípios

e leve no que sustenta
um corpo de cabeça erguida

viver é um verbo sem saída

(poema inédito)

segunda-feira, 24 de dezembro de 2012

AMPULHETA



o tempo
essa tempestade
de instantes

vertendo horas
dias e meses

todo ano 
é novo



(poema vermelho – lau Siqueira)

FELIZ 2013 AOS VISITANTES DO BLOG– O ano de 2012 está sumindo no horizonte. O tempo é assim, um rito de passagem. Pra mim foi um ano de grandes lições. Um ano de provações imensas. Sobretudo um ano em que a dignidade valeu mais que determinadas ofertas. Foi um ano de resistência e de plantio. Espero que 2013 floresçam todas as semeaduras deste ano seco.


MUDANÇAS NO BLOG – Provavelmente devo fazer alguma mudança neste blog. Nos demais, não. No Pele Sem Pele (www.lau-siqueira.blogspot.com) continuarei a publicar todos os textos que envio ao Jornal da Paraíba e aos portais Paraíba Já e Repórter PB. Aguardemos as surpresas. Aliás, ainda não sei o que fzer. Portanto a surpreza é também pra mim.

POEMA DE EDUARDO LACERDA


Há regras à mesa
como em um brinquedo
de quebra-cabeça

/ E eu não entendo
os dispostos à esquerda

dos pais.

Restos do pequeno
que sentavam ao meio

da mesa (como prato
que se enche
e procura lugar entre
as pessoas)./

Já não me encaixo
depois que aprendi

a olhar de lado
e sair por baixo.


(“A última ceia”, poema de Eduardo Lacerda, no livro "Outro dia de Folia". Belíssima edição da Editora Patuá.)

segunda-feira, 26 de novembro de 2012


resumo



misturo tudo
que penso e sinto
num mesmo precipício

olhos que sabem voar

certeza que nunca
retorna ao mesmo
tamanho

e sou essa imensa
eterna e lenta
mutação

um estranho
que aos poucos vai
tecendo as manhãs

(mas, isto é apenas
um resumo)

(poema vermelho – lau Siqueira)

BATE-PAPO LITERÁRIO – Amanhã devo estar em Sapé-PB, terra de Augusto dos Anjos. Vou participar de um programa de incentivo à leitura desenvolvido pela Escola Estadual Gentil Lins. Uma iniciativa que está conduzindo o velho e necessário diálogo entre o autor e a sala-de-aula. A Escola Gentil Lins destaca-se pelo dinamismo da sua direção e pelo comprometimento dos seus profissionais. Os alunos fazem parte de todo esse processo. Já estou feliz 24 horas antes.

MEU VIZINHO, O ESCRITOR  – No dia 4/12, estarei em Recife. Mais precisamente na Biblioteca Central da Universidade Federal Rural de Pernambuco. “Meu Vizinho, o escritor” é um programa do SESC-Santa Rita, de Recife. O convite chegou pelas mãos da poeta Cida Pedrosa. O bate-papo será coordenado por Heloísa Arcoverde. Assim, convido aos amigos e amigas de Recife para este momento mais que especial.

POEMA DE ANDRÉ RICARDO AGUIAR

Quis te acordar, beijei a sombra
entre tuas pernas. Umedecida

como a chuva de polens,
abriu-se como um cais à partida

na hipnose de rastros e viagens
a assinatura do meu assombro

é esse gosto de amor que me repete
dentro de ti, que te penetra

(entre os lábios, poema de André Ricardo Aguiar no livro A Idade das Chuvas. Mais uma bela edição da Patuá)

terça-feira, 9 de outubro de 2012


silêncio pelo que
sobrou do infinito



 

durante o sono vejo
um rosto estranho ao
teu rosto e um sonho
de um outro rosto
repetindo sem parar  
o teu nome

( e nome é uma espécie
de carimbo digital que em
tudo aparece mas nenhum
nome se parece
exatamente com este
homem

) o homem é
o vôo muito além do
pássaro

... e o pássaro é o homem
em seu nome
 

08.10.12  ( Ernesto Che Guevara foi morto no dia 08.10.67 - este poema é pra sua memória. Enquanto seus inimigos comemoravam sua morte, sua história
começava a tomar gosto pelo infinito)


COLETÂNEA DE POETAS DO RIO GRANDE DO SUL – A Assembléia Legislativa do Estado do Rio Grande do Sul vai publicar uma coletânea com 80 poetas gaúchos. Depois te ter meus poemas incluídos na antologia Moradas de Orfeu, lançada em Florianópolis pela Editora Letras Contemporâneas, com poetas do RS, PR e SC, fico feliz de ver meus poemas serem incluídos também nesta coletânea de poesia gaúcha contemporânea.

MINHA RELAÇÃO POÉTICA COM O RIO GRANDE – Escrevo poemas desde menino, comecei a esboçar os primeiros versos com uns 12 ou 13 anos, quando ainda morava em Jaguarão, na fronteira com o Uruguai. Tempos depois fui de mala e cuia para Porto Alegre e continuei estudando e escrevendo poemas, experimentando linguagens. No entanto, somente lancei o primeiro livro em 1993, quando já morava na Paraíba.

CIDADANIA POÉTICA – Depois de 27 anos fora, sinto que tenho recuperado minha cidadania poética nos pampas. Participei de projetos interessantes, como o Instante Estante, Poemas no Ônibus, Cidade Poema e outros. Meu livro mais recente, Poesia Sem Pele, foi lançado na Casa de Cultura Mário Quintana, pela Editora Casa Verde, de Porto Alegre. Fui finalista do prêmio Livro do Ano, da Associação Gaúcha de Escritores e participei de um projeto do Instituto Estadual do Livro do RS que levou a poesia e as artes plásticas gaúchas para uma exposição em Montevidéu. No mais a vida continua e a caminhada é a mesma.

POEMA DE JUAN GELMAN

 

a esperança fracassa muitas vezes, a dor jamais. por isso alguns crêem que mais vale a dor conhecida que a dor por conhecer. crêem que a esperança é ilusão. São os iludidos da dor.

(poema de Juan Gelman, do livro Isso. Tradução, e introdução de Andityas Soares de Moura e Leonardo Gonçalves. Editora UNB)


(poema de Juan Gelman, do livro Isso. Tradução, e introdução de Andityas Soares de Moura e Leonardo Gonçalves. Editora UNB)

domingo, 19 de agosto de 2012


namastchê



a beleza
tem algo brutal
de concreto e viga

violência e ópio
no estio das horas

bah
a vida diz sim


(poema vermelho – lau siqueira)

I SEMINÁRIO DE AÇÃO POÉTICA – Na terça passada estive em São Paulo, na Casa das Rosas debatendo com Frederico Barbosa e Pedro Américo acerca de experiências de políticas públicas para a poesia. Tudo muito explícito por ali. Afinal, a Casa das Rosas é hoje a MPB - Meca da Poesia Brasileira. Uma conquista e como toda conquista coletiva para a poesia tem sempre um poeta generoso, como Frederico Barbosa, no leme... ou no Leblon. Que bom!

I SEMINÁRIO DE AÇÃO POÉTICA (I) – O evento é, na verdade, uma cospiração poderosa de dois grandes poetas brasileiros: Frederico Barbosa e Cláudio Daniel, através de duas instituições públicas, a Casa das Rosas e o Centro Cultural São Paulo. Frederico Barbosa é diretor da Casa e Cláudio é curador de literatura do CCSP. A presença dos dois e a existência das duas instituições fazem a diferença na história da poesia dos nossos dias.

I SEMINÁRIO DE AÇÃO POÉTICA (II) – Na minha fala abordei a criação da Divisão de Literatura, talvez tenha sido esta a minha marca na estrutura da Fundação Cultural de João Pessoa, uma vez que até 2005 a Fundação não tinha a Literatura dentro do seu organograma. A partir da Divisão de Literatura criamos um evento anual chamado Agosto das Letras, um programa de formação de leitores de peosia, através de oficinas nos bairros e um sistema editorial a partir do edital público, Novos Escritos, onde no primeiro ano publicamos 10 autores e autoras e no segundo ano, 8 autores. De 2008 para cá, nenhum outro edital foi publicado, infelizmente.

I SEMINÁRIO DE AÇÃO POÉTICA (III) – O Seminário começou com uma mesa formada por Cláudio Daniel, Ricardo Aleixo e o editor Ronaldo Gadelha. Na primeira mesa já pudemos perceber claramente que poesia e mercado são incompatíveis. Gadelha é editor e deixou clara a distância entre um paulo Coelho e um Sebastião Nunes. Distância, logicamente, benéfica para Sebastião e vergonhosa para Paulo Coelho.

eixo



poesia é festa
na floração das
palavras

risco e angústia
diante do abismo

serenatas do riso
soprando as nuvens
espalhadas na deriva 

motivos da língua
e da saliva


(poema vermelho – lau siqueira)

sábado, 21 de julho de 2012

peixe-boi

...eras uma pena
desabando do alto

com a lentidão
dos que contemplam
o ermo em um único
suspiro

e depois afogam-se
em bolhas de tristeza

como perfurações
de aço na pele
da infâmia

no jogo bruto
onde meu coração
mesmo manso

explode
(poema vermelho – lausiqueira)

SALA DE AULA - Já autorizei a inclusão de um texto meu num livro didático que será lançado nacionalmente pela editora FTD. O título provisório é “Arte Literária Luso - Brasileira” Volume Único, para o Ensino Médio. A autora é Clenir Bellezi de Oliveira. Vai ser publicado em formato impresso (700 páginas), digital e seus respectivos suportes, podendo ainda ser adaptada para formatos de acessibilidade (Mecdaisy, Libras e Braille). Também neste ano terei poema publicado na coletânea "Meus poemas escolhidos", organizada por Ruth Rocha para alunos e alunas do Fundamental I. Este pela Editora Moderna.

AGOSTO PRA TUDO – Agosto vem com tudo e partido ao meio. Dia 14 vou estar em São Paulo participando de um evento de Poesia no Centro Cultural São Paulo. Dia 15, estarei no Seminário de Literatura do SESC, em João Pessoa, mediando uma mesa com Chacal, sobre mídias digitais e outros babados.

CAIXA BAIXA – Sábado participei de um momento bacana com os escritores do grupo Caixa Baixa na Livraria do Luís. Jan Macedo apresentou seu livro de micro-contos e nosotros espalhamos nossas esteiras no pensamento daquela manhã. Presentes Bruno Gaudêncio, Jairo Cezar, Beto Menezes, Denser, André Ricardo, Felix, Xirukaia (melhor assim), Tiago Braga e... e? Não lembro.

qualquer riso

a vida é um estreito
largo abismo onde pálida
a nua cheia caminha
entre as nuvens

cozendo espelhos no acaso

remando com dedos
lacerados

a vida é um junco estúpido
- cortiça boiando num
banhado de fundo azul em
greda flácida
retido no encantamento
das garças sobre a correnteza

respiro como os peixes
num rio sempre corrente

(poema vermelho – lau siqueira)

quarta-feira, 27 de junho de 2012

Memórias de Macondo


Começo minha caminhada nas páginas do jornal A União, lembrando que dia desses fiquei abatido - na verdade, bem mais que esperava - ao saber que Gabriel Garcia Marquez, uma das mentes de maior produtividade da literatura latino-americana, estava perdendo a memória. Fiquei triste pelo velho Gabo, autor de Cem Anos de Solidão, O Amor nos Tempos do Cólera, Relato de um  Náufrago, Ninguém Escreve ao Coronel, O Outono do Patriarca e outros clássicos que fizeram da América Latina um continente literário e tornaram nossos dias e noites mais plenos. O conjunto da obra rendeu a este colombiano de Aracataba, nascido em 06 de março de 1927, o Prêmio Nobel de Literatura em 1982.
Há alguns anos, circulou na internet um texto atribuído à Garcia Marquez, onde ele se despedia da vida. Alguns dos grandes jornais brasileiros publicaram o tal texto em letras garrafais. Mas, a  autoria foi desmentida pelo próprio escritor. Agora, não. Agora sentimos que ele está mesmo doente. Aos 85 anos, já não reconhece os amigos mais próximos e desde os 80 anos ele próprio vem constatando que sua mente já não é a mesma. Desistiu de escrever seu livro de memórias depois de ter perdido o irmão e ter começado a perceber que aquela sua “engrenagem criativa” começava a falhar.
Quem gosta de boa literatura acaba mantendo com os autores preferidos um certo grau de intimidade, sentindo suas dores como se fosse membro da família. Nestes tempos de cólera, quando a memória de alguns anda destruída pela ambição, pela embriaguês do poder ou mesmo pela falta de caráter, nunca é demais lembrar que somos muito pequenos diante da história. Talvez somente o realismo fantástico criado por Garcia Marques seria capaz de explicar as razões de quem esquece que as coisas conquistadas a qualquer preço, não valem quanto pesam. O que é real nesta vida é que os personagens da literatura tantas vezes são mais vivos que certos viventes.
 “A memória do coração elimina as más recordações e dignifica as boas, e graças a esse artifício, conseguimos superar o passado.” Esta frase remete-nos a reflexões. A memória de Gabriel Garcia Marquez é, na verdade,  toda uma obra construída com sotaque latino, com cheiro de povo. Ainda que passem os séculos, terá sua perenidade garantida. Todavia, entre o criador e seus personagens, existem as ruas vazias de Macondo. Lugar onde as sete gerações da família Buendía nos farão lembrar que entre a realidade e a fantasia, existem os valores humanos. Gabito, como era intimamente conhecido, soube escrever sua memória na galeria dos homens que resistem aos apelos do poder e lutam pelos direitos do povo. Por isso, quando morou em Nova Iorque, foi perseguido pela CIA. Agora é hora de rebuscar a estante e reler seus livros e perceber o quanto são pequenos alguns personagens da vida cotidiana.

Com esse texto, inauguro a minha coluna semanal também no Jornal A União, todas as quintas-feiras. Portanto, depois de amanhã, nas bancas.

sábado, 16 de junho de 2012


liga não

poesia é

invenção


(poema vermelho - lau siqueira)
SESC-PB – Vem aí mais uma edição do Festival de Literatura do SESC-PB, em Agosto. Fui convidado para mediar uma mesa com o poeta carioca Chacal, sobre mídias digitais e poesia contemporânea. Acho que é mais ou menos isso. Também no SESC, desta vez no SESC Santa Rita,  no dia 4 de dezembro, estarei junto com a poeta e amiga Vitória Lima, encerrando as programações do ano naquela instituição.

LIVROS DIDÁTICOS – A editora Escala Editorial está preparando um livro didático sobre literatura de 750 páginas e, a convite de Clenir Belezzi, tive a honra de ser incluído. Este ano, também, estarei numa publicação da Editora Moderna para alunos do Fundamental I.

IMAGEM DA PALAVRA – Confira no blog do Instituto Estadual do Livro do Rio Grande do Sul a exposição de poetas e artistas plásticos gaúchos que encerra neste domingo, dia 17 de junho, em Montevidéu.

POEMA DE EMILY DICKINSON

Fama, o que é?
Como abelha, vai e vem -
Tem canção -
Tem ferrão -
Ah, tem asa também.

(poema do livro Locas Noites, 55 poemas, edição bilíngue. Tradução de Isa Mara Lando – Editora Disal)

quinta-feira, 7 de junho de 2012

canto de rua



                     meu canto
não secará o esquecimento
nem logrará o êxito de hit
                  do momento

              meu canto
levanta os relâmpagos
do fundo da terra e
espalha a voz dos trovôes
por sobre as madrugadas

depois recolhe as sandálias
do menino que sonhou
            com a alvorada

no berço esplêndido
da calçada


(poema vermelho – lau siqueira)
LIVRO DO ANO – Fui surpreendido por um e-mail da minha editora e amiga, Laís Chaffe, informando que meu livro  POESIA SEM PELE, lançado no dia 5 de maio de 2011 na Casa de Cultura Mário Quintana em Porto Alegre, teria recebido a indicação do prêmio AGES – Associação Gaúcha de Escritores. Na verdade, um dos 3 indicados ao prêmio de Livro do Ano, na categoria poesia. Quando Laís informou que iria inscrever esta publicação da Casa Verde, gostei da notícia, mas não esperava que chegasse a tanto.

LIVRO DO ANO I – Segundo Laís os finalistas foram definidos pelo júri técnico composto por Márcia Ivana Lima e Silva, Professora Doutora em Literatura; Diana Marchi, Professora Doutora em Literatura e por William Bonavides, Professor e Mestrando em Literatura. Na segunda fase, todos os sócios da AGES votam, até o dia 30 de junho. No entanto, ter chegado até aqui pra mim já é o grande prêmio, considerando que estou fora do Rio Grande do Sul há 27 anos.

CORREDOR DA LEITURA – O Projeto Corredor da Leitura é um projeto que tem como objetivo incentivar a leitura e o acesso ao livro. Nasceu no corredor principal da Secretaria de Desenvolvimento Social da Prefeitura de João Pessoa e está em fase de expansão pela cidade. Agora o Corredor possui uma voz para o mundo. André Ricardo Aguiar e Valeska Asfora, parceiros nesta maluquice, inauguraram o blog Corredor da Leitura que pode ser acessado aqui.
POEMA DE MÍRIAM DE CARVALHO


Nos meandros do tear, tessituras
abrindo-se em rendas. Ao acolher

olhar e visitante, saciados repousam
Enlaçamento e intervalos.

E, molhadas, as nervuras teceram-me
novelos de pelo e gozo.

(poema Fios de Eros I, do livro Teia dos Labirintos. Editora Escritura)

domingo, 20 de maio de 2012

porto
de partida



o limite
guarda o infinito

onde o mar e o rochedo
fundem o tempo e a
coragem vence o medo

onde habitam as verdades
do arco-íris

os beijos invisíveis do ar e os
caules duvidosos do homem

perfurando elos ecos ocos

e um pampa imerso no olhar
onde as memórias deflagram
ruidosos silêncios

sob nuvens apressadas

o limite
onde tudo começa


(poema vermelho – lau siqueira)


 A IMAGEM DA PALAVRA – Começou no dia 10 de maio e vai até o final do mês a exposição “A IMAGEM DA PALAVRA”, reunindo artistas plásticos e poetas gaúchos, em Montevidéu – capital do Uruguai. Me alegra estar entre poetas e artistas plásticos como Carlos Nejar, Liana Tim, Ío, Carpinejar, Alexandre Brito, Nei Duclós, Achutti, Armindo Trevisan, Elaine Tedesco. Nesta exposição, meu poema Curupira inspira a obra de Ío. A promoção é do Instituto Estadual do Livro do Rio Grande do Sul e da Secretaria de Cultura dos Pampas, cujo secretário é o grande escritor Assis Brasil.

AUGUSTO DE CAMPOS – No próximo dia 27 um dos nomes mais expressivos da poesia mundial, o brasileiro Augusto de Campos estará na Casa das Rosas – o templo da literatura brasileira – respondendo uma provocação do poeta Edson Cruz: O QUE É POESIA? Certamente que, também, protagonizando um dos momentos mais importantes da cena cultural brasileira neste início de século. Digo: milênio...

POEMA DE RUI KNOPFLI


Eis-me, por vezes – não poucas
- o gáudio e a troça
dos meus contemporâneos. Homens
de senso, não lhes faltará razão
e oportunidade para o látego
de um sorriso acerbo mas justo.

O soldado de passo sempre trocado
é o gozo escapista da tropa perfilada.

Na noite distante dos tempos
molossos de maxila ensanguentada
dilaceram à toa
o corpo do velho grego.

(O passo trocado, poema do moçambicano Rui Knopfli. Editora UFMG. Organizador, eugênio Lisboa)