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Mostrando postagens de Dezembro, 2007
DOIS MIL E OITO OU OITENTA
Um ano vivido com ternura e delicadeza para os que visitam o Poesia Sim! Que os sentimentos sejam profundos honestos e bons. Que as alegrias sejam fartas. Que as tristezas vividas sejam apenas as necessárias. Que as esperanças estejam vestidas de luta. Que o amor seja um gesto incondicional e constante. Que as certezas sejam poucas, mas certeiras. Que as dúvidas nos ensinem a pensar. Que a poesia seja o palco de todas as linguagens. E que todas as linguagens tenham como missão traduzir a nobreza e o privilégio de estarmos vivos.

VAIDADE MÉDIA
Não me impressionam os olhos secos da calmaria. Por isso remexo as algemas milenares do meu próprio umbigo traduzido em signos no branco da folha ou mesmo no alaúde virtual do Word. Um branco que não me permite espetar a vaidade com meus dedos roídos.
É assim quando pensamos que estamos inteiros, mas, estamos inteiramente enganados.

benazhir e o bruto

morreu porque
não temia o que pensava

era altiva como altivos são os
arvoredos…
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LÁGRIMAS DE PEDRA
Estive agora pela manhã no velório de Thiago. Irmão mais novo de Cassiano Pedra - um rapper “das antigas” que circula pelas periferias de João Pessoa. Quatro tiros. Dezessete anos. Estavam lá algumas pessoas com olhares de inequívoca revolta. Alguém falou em vingança. E eu vi lágrimas de ternura, ressequidas, no olhar de Cassiano Pedra. Quatro tiros. Dezessete anos. Uma aura de necessidades cercando a casa. Uma mãe que perde um pedaço da alma. Irmãos cujo lamento é guardado num olhar duro... como uma pedra.


pétalas de pedra

neste mundo dividido
entre argüidores amestrados
e inocentes bandidos

corre no ar
ainda o estampido
corre na meta letal dos sentidos


ENTÃO... É NATAL
É Natal na “posse” Nova República, comunidade periférica de João Pessoa onde morava Thiago. É Natal no Manaíra Shopping, onde Frejat foi, recentemente, a atração da noite na festa de aniversário da esposa do dono. As diferenças sociais são à base de cálculo para uma bala perdida numa rua qualquer da cidade. Vi…
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RONALDO MONTE
Não vou falar do Ronado Monte psicanalista, professor da UFPB. Não vou falar do poeta de versos talhados no pouso da abelha. Muito menos do escritor Fora do Eixo. Vou, apenas falar do Rona. Um amigo de inteligência e imaginação sem gaiolas conceituais. Pois este ser humano tão especial, na arte, no conhecimento, na vida... Ainda encontra tempo para crescer por aí, quando vai voluntariamente à Mandacaru (Bairro operário pessoense) ajudar nas oficinas de leitura oferecidas pela fundação de cultura do município. Lá, Rona virou ídolo da meninada. Com seu carisma, com a sua sensibilidade aguçada, com uma percepção exata do sentido que há neste presente dos deuses e das deusas: estar vivo! Viva Rona!

Massagem de Natal ao Carnaval
Jomard Muniz de Britto

Além e aquém dos abismos,
dos teísmos e ateísmos,
dos gêneros e transgenéricos,
dos mistérios e mascaradas,
das províncias em portunhol,
desejamos 2008 interpenetrações
da vida em arte,
educação em processo,
solidão em solidariedade.


JOMARD …
UM POEMA DE
MIODRAG
PÁVLOVITCH



Sombra
desconhecida
dentes cerrados
diante da porta

Condenados
a
florescer
nas paredes

um grilo na janela
encontrou o
caminho
de ida e volta às estrelas


(“Noite”, poema de Miolodrag Pávlovitch, um dos nomes mais representativos da poesia sérvia contemporânea. Poema extraído do livro “Bosque da Maldição”. Tradução de Alexsander Jovanovic´.)

“MANOS A LA OBRA”
Uma professora chamada Marisa Negri, trabalhando com adolescentes pobres em Buenos Aires. Em áreas violentas, como qualquer periferia de grande cidade no mundo. As partes do mundo enfim desnudadas. Uma vida em Buenos Aires, com o tango que se toca aqui. Veja o blog La Huela del Dragón!

ARGILA DA PALAVRA
Mandei um livro pra Esmeralda Garcia em agradecimento por ter publicado meus poemas. E ela aderiu a guerrilha que é vender meu livro. Tenho aqui uma loja virtual no blog. E agora Esmeralda me dá de presente mais uma filial sediada na amplitude das avenidas virtuais. Entre!


OS CANIBAIS DA ANGÚSTIA TROPICÁLIA
Eu não saberia …
NÃO SEI DANÇAR
Eu não sei dançar। Nunca soube. Já sacudi as paletas por aí, sempre que o vinho me saía pelos poros. Mas, nunca dancei. E eu acho lindo dançar. Acho que as pessoas dançam pra entrar em harmonia com o universo. Aliás, acho que qualquer movimento feito com a alma nos faz irmãos das estrelas. Pode parecer até saída honrosa pra recusar a dança, mas tenho dito que não danço porque escrevo. E já cheguei ao cúmulo de dizer pra uma pessoa que me chamava (desafiava) pra dançar: “Faça um poema!”. Mas, eu acho que o que eu mais faço é dançar com as palavras. As palavras que se abrigam nos poemas são palavras de almas livres.

CHIMARRÃO
Escrevo neste blog, do extremo oriente das Américas। Aqui da Paraíba, pendurado na pontinha do mapa. E penso que a minha cultura pampeana, tão amarga quanto quente, se agiganta quando necessito obter uma memória do futuro.

DO LIVRO “SEM MEIAS PALAVRAS”

suicídio lento na mobília da alma os versos que invento (* * *) ruído d’água no rio nascente música dos …
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UM ARTISTA VITAL Hoje estive com Vital Farias. Muito mais que isso. Hoje meus olhos e meus ouvidos puderam ouver um dos artistas mais densos, mais significativos deste país. Vital é o significado do seu próprio nome. Ele fareja distâncias, mas mantém o cerco no entorno de uma capacidade criativa absolutamente singular. Um grande artista e um homem de idéias solidárias. Assim eu condensaria um breve panorama da sua rica personalidade. É um presente pra vida, vê-lo em cantoria. E hoje eu vi e ouvi, portanto, pude ouver Vital Farias cantando uma cantiga da sua Missa dos Agricultores. Coisa de arrepiar. Beleza que faz chorar de emoção. Vital me apresentou, também, uma obra prima chamada Epopéia Negra, ainda inédita. Uma epopéia no melhor sentido da palavra. Coisa que vai fazer o mundo sorrir de alegria. Dia 5 de janeiro, Vital canta em João Pessoa, no Centro Histórico. A cantoria de Vital promete ser uma comunhão. Um olhar coletivo necessariamente telúrico sobre a cultura da Paraíba...
E ei…

caminhando com poesia

tangencial



nego o espelho
que não junta cacos de um
coração sangrado feito bicho
de corte

coração de boi morto
exposto sobre os aços de uma
realidade nua


NOVO ENDEREÇO
Vou tentando me arrumar, então, noutro espaço de blog. O velho Poesia Sim virou uma zona. Não sei o que há, mas o post demora dois ou três dias para aparecer, e quando aparece é de forma repetida. Acho que aquele formato está sendo abandonado pelos provedores. Bem, de qualquer forma, estou aqui. Ah, o poema de cima é inédito. O de baixo, também.

IEMANJÁ
Hoje é dia de Iemanjá. Os orixás festejam nas areias de Cabo Branco e Tambaú. Por aí, os evangélicos reagem. A paz, meu senhores, não tem pátria nem religião.

LIVRO DA TRIBO
Chegaram as agendas da Tribo, como dizem, ou Livro da Tribo. É a forma de pagamento da Editora Tribo para com os seus autores. Este ano, quase perco o prazo. Mas, os editores Décio e Regina, gentilmente, mandaram o pedido de autorização para um poema. Gosto de publicar na Tribo. Espero que sempre tenha um espaço…