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Mostrando postagens de Janeiro, 2008
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UM CLÁSSICO DA POESIA VISUAL
No Encontro Natalense de Escritores eu comentava com o poeta potiguar Paulo de Tarso Correia de Melo sobre a precisão do Poema Visual Apartheid Soneto, de Avelino de Araújo Perfeito!


O DITO PELO DELITO
Quando escrevo algo sobre poesia, só tenho um objetivo: fomentar as minhas próprias dúvidas. E também as minhas dívidas porque acabo numa prateleira de livraria, buscando algo que sacie a sede angelical da ignorância. Escrevo, pois, para duvidar de mim mesmo. Escrevo porque preciso ir um pouco mais além do que transgride a minha compreensão de tudo.

NO OLHO DO FURACÃO Acordar com o sobressalto de um tiro. Ou quem sabe um latido. Permanecer insuficiente diante de tudo...
Viver é um compasso esquisito. Às vezes flora o chão seco com um grito de lágrima. Às vezes a lágrima é seca. NICOLAI ASSIÉIEV

Um risco maduro de assobio.
O trincar do gelo comprimido.
A noite, a folha sob o granizo.
Rouxinóis num dueto/desafio.

Um doce ervilhal abandonado.
A dor do universo numa fava.
Fí…
ERNST STADLER

Primeiro foi preciso forma e ferrolho arrebentarem
E por canos abertos no mundo entrarem:
Forma é volúpia, paz, divina contenção,
Mas me atrai cuidar de cada plantação.
A forma quer-me amarrar e limitar,
Mas quero meu ser pelos ares espalhar –
A forma é rigor claro e sem piedade,
Mas sou levado aos pobres, por fraternidade,
E em ilimitada eu-doação
A vida me afoga em compensação.


(Ernst Stadler nasceu em Colmar, Alsácia. Foi professor universitário, mas acabou morrendo em combate como oficial de artilharia, em 1914. O poema acima, Forma é Volúpia, foi extraído da antologia Poesia Expressionista Alemã, com tradução e organização de Cláudia Cavalcanti. Editora Estação Liberdade, SP, 2000)

TRAVA CRIATIVA
Ando caminhando sem a possibilidade do poema. Não sai um único verso da minha vertente oca. Uma única possibilidade de criação me habita neste momento. De certa forma sou grato por isso. Isso revela que a poesia, em mim, não é um ato mecânico. Não é uma técnica. A poesia é um habitar o …
NÍCOLAS BEHR

o barulho subindo
as escadas
o barulho de você
subindo as escadas
meu coração
disparando
a campainha
tocando

não era cinthya
era o síndico


(poema do livro Poesília poesia pau-brasília, de Nicolas Behr)

DIARIO DI BOTTEGA
Há tempos recebi a primeira visita de Rosella no Poesia Sim. Algumas vezes, traduziu meus poemas no seu blog. Resolvi mandar um livro pra amiga virtual italiana e ela traduziu mais dois poemas. Visite Diario di Bottega e confira o passeio italiano de Rosella pela minha poesia.

FREDERICO BARBOSA
Andei lendo com bastante atraso e tristeza o “muído” acerca do edital de bolsas da FUNARTE. Aqui na Paraíba foram selecionados dois bons nomes: WJ Solha e Paulo Vieira. Gente do primeiro time. Fiquei feliz pelos dois e, depois, li o descontentamento da escritora Carmem Moreno que me chegou com roupagem de denúncia pelo e-mail de Tanussi Cardoso. Carmem questionava o fato de 484 projetos terem sido analisados em apenas 3 dias pelos 5 jurados.

FREDERICO BARBOSA I
Conheço de nome algun…
ROBERT CREELEY

Não tinha notado que
a fachada do prédio tem
divisão estreita como seta subindo
direita a escada em
cima aponta para o alto como
lança o teto vermelho lustrado
de chuva o alto nítida
horizontal a beira do teto deixa
o céu no fundo de um azul tênue
mais tênue ainda uma luz branca
fica mais longa agora mais alta
indo embora a sumir de vista.

(“Olhos”, poema de Robert Creeley, 1926/2005. Fonte: Revista Inimigo Rumor, n 17)

ESTAR POR AQUI
Fico pensando, às vezes, o quanto é frágil tudo isso que nos cerca. A TV ligada na sala para ninguém. As luzes acesas. A taça de vinho na ponta da mesa. Fico pensando, também, o quanto somos muito mais frágeis que tudo. Somos mais frágeis que as abelhas e os vaga-lumes. Mais frágeis que as bolhas de sabão que sobem e explodem com o peso do ar. Por isso cada momento deve ser vivido como único, no enlaço dos momentos vividos e vindos. Cada palavra deve ser escrita como se nenhuma outra estivesse a seu lado além da vaga memória das últimas e a incerteza das…
SAMPOEMAS III
No dia 25, em João Pessoa a Orquestra Spok de frevo abre o projeto folia de Rua e em Sampa, em comemoração ao aniversário da cidade acontece o Sampoemas III, no espaço mágico da Casa das Rosas – Espaço Haroldo de Campos, dirigida pelo poeta Frederico Barbosa. A Casa das Rosas tem sido um monumento à invenção poética. E nosso amigo Fred (grande como poeta e como pessoa), um timoneiro insubstituível.

JOAN BROSSA

Són tants els canvis que noto
quant al que sento il al que veig
que si em recordo de tragèdies
personals encenc um cigarrer
i surto del poema.

ENTONAÇÃO (tradução de Wanderley Mendonça)

São tantas as diferenças que noto
entre o que sinto e o que vejo,
que, se me lembro de tragédias
pessoais, acendo um cigarro
e saio do poema.

(“Entonació”, poema de Joan Brossa, poeta catalão (1919-1998), extraído de uma bela edição do livro “Poesia Vista”, que saiu pela Ateliê Editorial em 2005. Joan Brossa fez da sua trajetória literária um ato de liberdade. Jamais comungou com os modismos lit…
HART CRANE


O esquecimento é uma canção
Errante e solta sem compasso.
O esquecimento é um pássaro de asas avindas
Abertas e paradas —
Um pássaro encostado ao vento sem fadiga.

O esquecimento é a chuva à noite,
Ou uma casa velha na floresta — ou uma criança.
O esquecimento é branco — branco de árvore abatida.
E pode pôr a Sibila a profetizar pasmada,
Ou enterrar os deuses.

Lembro muito esquecimento.

(“Esquecimento”, poema de harold hart crane. nascido em Ohio, USA, em 1899. Homossexual assumido em confronto com o mundo machista da época, suicidou-se em 1932. Sua lírica o tornou bastante conhecido no meio literário americano. A tradução do poema acima é de Sephi Alter. Fonte: Renato Suttana site.)

CARPINEJAR
Hoje li um artigo interessantíssimo do poeta gaúcho Fabrício Carpinejar (no Correio da Paraíba) cujo título instigante era “Marketing Literário”. O poeta aborda um tema que, de forma injustificada, é tratado como tabu nos meios literários. Poesia é para ser vivida, mas livro é pra ser vendido. Ora…
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ELEONORA FALCONE
Neste sábado enluarado de sol - aqui em Pasárgada - muita gente vai ver Zélia Duncan na praia de Tambaú. O que talvez não saibam é que muito mais do que ver Zélia, vão encontrar Eleonora. Nora, para os amigos, é uma artista paraibana que construiu um show de altíssima qualidade. Muita elaboração e desempenho no palco. Alto nível de profissionalismo. Nora tem uma voz que é, na verdade, uma das muitas extensões da sua alma. Em todo o resto, Nora também estende sua existência na celebração de uma vida ancorada no amor e na arte. Quem quiser conhecê-la melhor, entre aqui e veja um vídeo de Eleonora cantando “Nunca é para sempre” do também queridíssimo amigo Adeildo Vieira. Ou aqui, para vê-la cantando “Nome na areia”, de Paulo Ro e Águia Mendes.

NA VERDADE...
Escrever é sempre um exercício. Não importa como e porque. Não sento na frente do computador para escrever versos, especificamente. Deixo o pensamento livre, fluindo por sobre as teclas, elaborando coisas que muitas vez…
PARADOXO DA TRISTEZA
Triste de quem dos próprios atos se esconde. Ou quem (por mediocridade ou vaidade) preferiu rastejar caminhos já percorridos. Triste dos que cospem a própria sede. Os que vomitam certezas sombrias. Os que tremulam no cerco das próprias falas... coalas!

O NASCIMENTO DE CARMEM
Cheguei faz pouco de uma cerimônia. A cerimônia Mahikari do nascimento astral de Carmem Trevas Falcone. Uma alma suave seguindo em busca de outros aprendizados. Há pouco pude vê-la em exercício, cuidando do infinito. Carmem soube fazer da sua existência um ato de suavidade ancorado na arte. Conhecê-la foi uma colheita de paz.

OTÁVIO SITÔNIO PINTO

Cruel desencante.
A última lua nova
Já nasceu minguante.

QUEM É O CARA?
Otávio Sitônio Pinto é poeta paraibano. O poema acima foi extraído do livro “Caminhos de Toboso”, Edição “Quebra Quilos”, da UEPB. Em 1989, conheci Sitônio. Embora jamais tenha visto seu rosto. Mas, conheci o que importa. Conheci a sua essência. Era a primeira campanha presidencial pós-dit…
lua crescente




pessoas se tornam imprescindíveis
quando absorvem a essência do sentimento
de mundo que nos leva a perceber cada passo
como foco e âncora do destino

destino que aponta caminhos
e se refaz no sumidouro das próprias fugas

pessoas soam em foles de distância
como prosas de lirismo infinito

avarandadas no espetáculo
minguado dos becos


nos becos
onde a solidão é um tiro certeiro e um corpo que
cai na amalgamada rua

(cidade é lua crescente na noite sangrenta)

pessoas podem violar caminhos ou mesmo
submeter as próprias certezas ao híbrido faro
que nos mantém vivos diante de uma realidade
que pulsa

ri

e
chora

O ESPETÁCULO DO INFINITO
O céu azul da manhã, ou mesmo antes - as cores do arrebol... Enfim, é a noite que se guarda os mistérios do infinito. Cordel de estrelas lampejantes diante de uma eternidade escura. Algumas já sumidas que chegam ao biombo onde mascamos uma vida que s…
VÔOS LOTADOS PARA PASÁRGADA
Ah, MBandeira... essa é muito boa! Sou amigo dos três reis magos, cara. Estou, finalmente, pra lá de Pasárgada. Aqui as brisas são carinhosas e o sol fomenta os desejos da pele. As árvores não cabem inteiras nas sombras. Mesmo assim possibilitam que todo o resto sobreviva. Arvoreavidamente! Por isso os vôos estão lotados para lá de Pasárgada. Lá, os três reis magos são generosos e seus reinos recomendam...
PELOS PERSAS
Que importa se Pasárgada, de capital passou a sítio arqueológico? Os poetas que buscam Pasárgada sabem que não encontrarão igrejas ou muros, apenas superposições de colunatas em ruínas de uma memória antiga. Pasárgada, Bandeira, sabemos bem, é ir em frente. É buscar um tempo onde nem tempo existe. O tempo da memória não vivida. O tempo da mansidão e do silêncio. O tempo de um vácuo num imenso e infinito foco - guerrilha de estrelas no céu enluarado de dois mil e oito.

VAI QUE É TUA, BANDEIRA!
Vou-me embora pra Pasárgada Lá sou amigo do rei Lá tenho…