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quinta-feira, 10 de janeiro de 2008

ELEONORA FALCONE
Neste sábado enluarado de sol - aqui em Pasárgada - muita gente vai ver Zélia Duncan na praia de Tambaú. O que talvez não saibam é que muito mais do que ver Zélia, vão encontrar Eleonora. Nora, para os amigos, é uma artista paraibana que construiu um show de altíssima qualidade. Muita elaboração e desempenho no palco. Alto nível de profissionalismo. Nora tem uma voz que é, na verdade, uma das muitas extensões da sua alma. Em todo o resto, Nora também estende sua existência na celebração de uma vida ancorada no amor e na arte. Quem quiser conhecê-la melhor, entre aqui e veja um vídeo de Eleonora cantando “Nunca é para sempre” do também queridíssimo amigo Adeildo Vieira. Ou aqui, para vê-la cantando “Nome na areia”, de Paulo Ro e Águia Mendes.


NA VERDADE...
Escrever é sempre um exercício. Não importa como e porque. Não sento na frente do computador para escrever versos, especificamente. Deixo o pensamento livre, fluindo por sobre as teclas, elaborando coisas que muitas vezes são apenas grandes questionamentos íntimos. É assim que existe este blog, Poesia Sim. Porque Poesia, muito mais do que tudo, é um modo de ver e o mundo e sentir a vida. Quando linguagem vira poema.

FILINTO ELÍSIO

Do amor só digo isto:

O sol adormece ao crepúsculo
No oferecido colo do poete
E nada é tão belo e íntimo.

O resto é business dos amantes.
Dizê-lo seria fragmentar a lua inteira.

(“Acerca do amor”, um belo poema do caboverdiano Felínto Elísio. Um nome da poesia africana contemporânea em qualquer língua. Felindo nasceu em 1961, em Praia – Cabo Verde, na Mama África. É autor de “Do lado de cá da rosa”. Fonte: antologia Poesia Africana de Língua Portuguesa.)

POESIA PENSADA
A questão é de matemática. Ou melhor: de matemágica. A partir de quê se pode pensar que a Poesia (com maiúscula) é pensada? Será que os poetas pensam a Poesia, ou são pensados por ela? Onde começa a experimentação com a linguagem e onde começa a existência na Poesia? Ou será que a Poesia é mesmo a matéria holográfica da memória humana? Quando penso, sou o poeta. Quando sinto, sou o homem. Meu encontro com a Poesia tem sido permanente porque penso e sinto com a mesma intensidade.


O POETA DO VINHO
“O homem que só bebe água tem algum segredo que pretende ocultar dos seus semelhantes”. Frase de Charles Baudelaire (1821-1867, poeta francês do século XIX, autor de uma obra dedicada ao infinito. Fonte: revista Discutindo Literatura, nr 14.

MAIS CHARLES BAUDELAIRE
“Deve-se estar sempre bêbado. Está tudo aí: é a única questão. A fim de não se sentir o fardo horrível do Tempo que parte tuas espáduas e te dobra sobre a terra, é preciso te embriagares sem trégua.
Mas de quê? De vinho, de poesia ou de virtude, a teu gosto. Mas, embriaga-te.
E se alguma vez, sobre os degraus de um palácio, sobre a verde relva de uma vala, na sombria solidão de teu quarto, tu acordas com a embriaguez já minorada ou finda, peça ao vento, à vaga, à estrela, ao pássaro, ao relógio, a tudo aquilo que foge, a tudo aquilo que geme, a tudo aquilo que gira, a tudo aquilo que cant, a tudo aquilo que fala, pergunte que horas são: e o vento, a vaga, a estrela, o pássaro, o relógio, te responderão:
“É hora de se embriagar! Para não ser como os escravos martirizados no Tempo, embriaga-te; embriaga-te sem cessar! De vinho, de poesia ou de virtude, a teu gosto.”

(“O Spleen de Paris – XXXIII” – “Embriaga-te”, de Charles Baudelaire., poeta francês que soube indicar caminhos. Autor de “As flores do mal” e outros clássicos da Poesia universal.). Fonte: “Poetas Franceses do Século XIX”, Edições Nova Fronteira. Organização, José Lino Grünewald.)

2 comentários:

héber sales disse...

Muito boa essa frase do Baudelaire. Um abraço.

Fábio Pessanha disse...

Quanto ao "Poesia Pensada", poetar é ser na imensidão e revelação do tempo no acontecer de um verso... pensar é se lançar no abismo do extraordinário na medida em que poesia é agir, assim como nos diziam os gregos (poesia do grego poiein), mas agir no sentido de apropriação do que já é nosso. Nos manifestamos na arte como humanização do homem...

Grande abraço

Fábio Pessanha