terça-feira, 15 de janeiro de 2008

HART CRANE


O esquecimento é uma canção
Errante e solta sem compasso.
O esquecimento é um pássaro de asas avindas
Abertas e paradas —
Um pássaro encostado ao vento sem fadiga.

O esquecimento é a chuva à noite,
Ou uma casa velha na floresta — ou uma criança.
O esquecimento é branco — branco de árvore abatida.
E pode pôr a Sibila a profetizar pasmada,
Ou enterrar os deuses.

Lembro muito esquecimento.

(“Esquecimento”, poema de harold hart crane. nascido em Ohio, USA, em 1899. Homossexual assumido em confronto com o mundo machista da época, suicidou-se em 1932. Sua lírica o tornou bastante conhecido no meio literário americano. A tradução do poema acima é de Sephi Alter. Fonte: Renato Suttana site.)

CARPINEJAR
Hoje li um artigo interessantíssimo do poeta gaúcho Fabrício Carpinejar (no Correio da Paraíba) cujo título instigante era “Marketing Literário”. O poeta aborda um tema que, de forma injustificada, é tratado como tabu nos meios literários. Poesia é para ser vivida, mas livro é pra ser vendido. Ora bolas! O próprio Carpinejar é um excelente poeta e, ao que me consta, vende muito bem seus livros dentro da aparentemente irremediável média brasileira. Muito bom que se discuta isso. Isso é economia da cultura, broder!

DIREITA PORNOGRÁFICA
Um dia desses tive minha caixa de e-mails invadida por mensagens de extrema-direita. Eram verdadeiros spans. Spansuásticas, na verdade. Logo em seguida, a mesma pessoa passou a enviar mensagens pornográficas. Na lista de e-mails, militares de alta patente. As mensagens pornô-fascista eram assinadas por um covarde dito “Arqueiro Solitário”, integrante de um grupo chamado
Guararapes, cujo site está aqui. Quem não pretende ver o país voltar ao desmando de uma ditadura, deve ter consciência de que eles estão aí, maquinando mais um golpe. Portanto, todo dia é preciso derrotá-los, impondo a dignidade brasileira contra a pornocracia. Vejam só o que restou da ditadura militar brasileira!

OSWALD DE ANDRADE

Tome este automóvel
E vá ver o Jardim New-Garden
Deposi volte à Rua da Boa Vista
Compre o seu lote
Registre a escritura
Boa firme e valiosa
E more nesse bairro romântico
Equivalente ao célere
Bois de Boulogne
Prestações mensais
Sem juros

(“Ideal Bandeirante”, poema perfeito de Oswald de Andrade, extraído da antologia Paixão por São Paulo, organizada por Luiz Roberto Guedes e publicada pela Editora Terceiro Nome)


AVA – ASSOCIAÇÃO DOS VAIDOSOS ANÔNIMOS
Ele dizia: “mais um dia sem ver Rimbaud no espelho das minhas rimas forçadas, das minhas imagens forjadas na aurora de cada novo clichê. Enfim, não acordei consagrado... mas, também não morri imortalizado. Ainda estou por aqui. Brigando para ser, sobretudo, percebido como ácaro neste reino de concisões perdulárias”.
Ela dizia: “Bobinho, coloque a sua touca e durma!”

3 comentários:

héber sales disse...

esse papo de AVA me lembra sempre daquele poeminha do Francisco Alvim

LUTA LITERÁRIA

Eu é que presto.

Samelly Xavier disse...

E entre vendas de livros e vendas de olhos, vai-se vivendo, né não?

Beijos recitados, criança!

Samelly Xavier disse...

Já eu, prefiro-os invendáveis...