NÍCOLAS BEHR

o barulho subindo
as escadas
o barulho de você
subindo as escadas
meu coração
disparando
a campainha
tocando

não era cinthya
era o síndico


(poema do livro Poesília poesia pau-brasília, de Nicolas Behr)

DIARIO DI BOTTEGA
Há tempos recebi a primeira visita de Rosella no Poesia Sim. Algumas vezes, traduziu meus poemas no seu blog. Resolvi mandar um livro pra amiga virtual italiana e ela traduziu mais dois poemas. Visite Diario di Bottega e confira o passeio italiano de Rosella pela minha poesia.

FREDERICO BARBOSA
Andei lendo com bastante atraso e tristeza o “muído” acerca do edital de bolsas da FUNARTE. Aqui na Paraíba foram selecionados dois bons nomes: WJ Solha e Paulo Vieira. Gente do primeiro time. Fiquei feliz pelos dois e, depois, li o descontentamento da escritora Carmem Moreno que me chegou com roupagem de denúncia pelo e-mail de Tanussi Cardoso. Carmem questionava o fato de 484 projetos terem sido analisados em apenas 3 dias pelos 5 jurados.

FREDERICO BARBOSA I
Conheço de nome alguns dos jurados do Prêmio Funarte. Pessoas respeitáveis que não se jogariam na lama por tão pouco. Frederico Barbosa, no entanto, é um amigo que admiro por vários motivos. Principalmente por sua integridade intelectual e moral. Poeta comprometido com a produção contemporânea, Fred é do tipo que paga um preço alto pela sinceridade com a qual se estabelece no mundo, como poeta e como homem. Pessoas assim jamais usam de má fé. São pessoas inteiras.

FREDERICO BARBOSA II
Acusado injustamente de proteger Cláudio Daniel, por ser seu amigo, seria acusado de qualquer maneira porque os demais finalistas também eram seus amigos. Tanto ou mais que Cláudio Daniel que, por sinal, é um puta dum pesquisador. E mais: cinco jurados lendo 484 projetos em 3 dias não é impossível não, gente! Quando se coloca algum trabalho em julgamento, desde a primeira frase se está na mira dos jurados. A maioria deve ter sido desclassificada pela inconsistência dos primeiros passos. Duvido sim que tenham analisado por completo os 484. Desafio, aliás, qualquer jurado que em qualquer certame, leia integralmente todas as obras. Jamais! A maioria dos projetos inscritos deixa sempre muito a desejar, em qualquer gênero. Isso faz com que os jurados acabem por abandoná-los já nas primeiras páginas. Dos 484, duvido que mais de 100 projetos tenham sido realmente consistentes. A primeira "peneirada" já deve ter eliminado uns 2/3, pelo menos. Sejamos realistas!

FREDERICO BARBOSA III
Portanto, o pretenso escândalo esconde não mais que uma boa dose de vaidade. Fosse selecionada a escritora Carmem Moreno (que não conheço) jamais questionaria os resultados. Talvez ela não conheça Fred. Se conhecesse, saberia que é um tipo visceral, passional, o caralho a quatro... mas, jamais uma pessoa de má fé. Fred é um homem e um poeta íntegro. Não falo aqui pelos outros, mas por quem conheço de perto e confio incondicionalmente. No mais, essa denúncia atrapalhada não servirá para muita coisa na história das nossas literaturas. Coisas como essas são jogadas na net e sai todo mundo atrás, repercutindo sem mesmo ter analisado racionalmente. O mal se reproduz com facilidade e a mediocridade faz eco. Não é diferente a ação de distribuição virtual de textos falsos de grandes escritores. É triste isso!

SOLIDÁRIO COM FRED
Absolutamente convictas da própria genialidade, algumas pessoas não admitem não estar entre os contemplados nos certames que disputam. É como se esses “poucos e bons” estivessem marcados para vencer. Alguns, por essa estranha convicção, chegam a fazer manobras buscando dar uma mãozinha pra sorte. Enfim... creio que a boa literatura não precisa de títulos, de academias, de bolsas da FUNARTE... precisa ser apenas eterna. Por isso entristeço com essas reações que não fazem de ninguém um bom ou mau escritor, mas também não poupam punhaladas ao coração alheio. Fiquei triste por Fred. Meu amigo não merecia isso.

CEGO ADERALDO

Cego, eu creio que tu és
Da raça do sapo sunga.
Cego não adora Deus.
O Deus do cego é calunga.
Aonde os homens conversa
O cego chega e resmunga.

( do livro “Eu sou o Cego Aderaldo, Ed. Maltese, São Paulo. Apresentação de Raquel de Queiroz)

Comentários

héber sales disse…
Lau, parabéns pela coragem de tomar partido e defender as pessoas em quem acredita numa hora difícil como essa. Um abraço.
adelaide amorim disse…
Lau, não conheço os envolvidos, mas acredito em sua posição e seus argumentos têm consistência.
Obrigada por sua honrosa visita lá no Inscrições e pelo poema que deixou.
Um beijo.
rosella disse…
obrigada, querido! o poema de Nicholas behr é lindo, acho que vou traduzir tambem...
baci! rosella
carmen moreno disse…
Frederico Barbosa publicou nesta página que meu protesto, e o de tantos outros escritores indignados com a suspeita avaliação do prêmio literário da FUNARTE, teria como motivação a vaidade. Lamento decepcioná-lo: a vaidade, inerente a todos nós, e saudável em doses não risíveis, não me levaria a despender tempo e emoção preciosos para clamar por Justiça. A parca energia que se extrai da vaidade não sustenta lutas. O que me mobiliza a escrever, publicar e crer nas instituições promotoras de concursos literários é a extrema paixão e o respeito que tenho pela literatura. Características que tornam minha obra tema de estudos acadêmicos e motivo de resenhas respeitosas. Na ânsia de defender os amigos, o caro Frederico não precisava adotar o papel do julgador incauto. Pesquisasse um pouco, saberia que já recebi diversos prêmios, nacionais e internacionais, e que deixei de ganhar inúmeros. Seria arrogância insana de minha parte protestar por motivo tão narcísico. Por não conhecer meu senso de justiça, minha coragem e dignidade, resumiu o legítimo protesto à atitude vazia. No último dia de inscrição, 10/12/07, cheguei à FUNARTE com um projeto exaustivamente trabalhado, sete exemplares de livros, cinco DVD`s (síntese da minha carreira), ao todo 500 pp. encadernadas, atendendo ao exigente edital. A funcionária me comunicou que meu projeto, e todos os outros sobre sua mesa e espalhados pelo chão, só seriam encaminhados aos jurados no dia seguinte (11/12/07), e que o resultado seria publicado no Diário Oficial em 12/12/07. Meu trabalho, elaborado com esmero, assim como tantos outros, teria chegado (?) às mãos dos jurados no mesmo dia em que o resultado foi encaminhado à publicação em D.O. Os jurados foram contratados, com dinheiro público, para lerem e analisarem TODOS os projetos por COMPLETO, ao contrario do que prega Frederico Barbosa. Nenhuma obra em processo de análise deve ser descartada antes que o estudo seja concluído. Mesmo que esta seja a prática, não deixa por isto de ser desrespeitosa. Reitero a pergunta que não vai se calar enquanto não obtiver resposta: De que forma 500 projetos foram analisados por cinco jurados em três dias?
CARMEN MORENO é escritora carioca. Publicou: Diário de Luas (romance), Rocco; Sutilezas do Grito (contos), Rocco; O Primeiro Crime (romance policial), Rocco, O Estranho (contos), Five Star.
Lau Siqueira disse…
Prezada Carmen, em nenhum momento está dito aí que foi Frederico Barbosa quem falou isso. Não foi. Eu escrevi! Escrevi e assumo cada vírgula.
Nao conheço muito bem os outros jurados. Sei da respeitabilidade de alguns deles. Mas Frederico eu conheço e sei que não age de má fé. Outra coisa: não é o seu respeitável curriculum que vai me fazer mudar de opinião. Da mesma forma que seu projeto foi bem elaborado, tenho certeza que outros tantos desclassificados, também. Inclusive projetos de amigos meus, amigos de Frederico também, pessoas igualmente competentes e com curriculum tão bom quanto o seu. Você tem todo o direito de protestar. No entanto, para se colocar em dúvida o caráter de quem quer que seja, precisaria de algo consistente. Esse algo, não há. Fred pode ter muitos defeitos, mas esse ele não tem. Só isso. Defendo o meu amigo porque acredito nele. Não é o teu curriculum que tornaria o teu projeto imbatível. Desculpe, mas nesse e em outros certames, algumas pessoas parecem querer ganhar no grito. disse e repito: se o seu projeto tivesse sido selecionado, você jamais protestaria. Estou errado? Jamais questionaria os métodos que não te favoreceram desta vez. O que eu disse e repito é que esse fato e as suas consequências não tornarão sua literatura melhor ou pior.
Um abraço!
Lau
carmen moreno disse…
Prezado Lau,

Compreendi, equivocadamente, por leitura apressada, que Frederico havia citado meu nome nesta página, e não você. Desculpo-me pelo engano. Veja só os prejuízos causados por uma leitura rápida. Imagine quando se trata de um concurso literário em que inúmeros projetos são analisados (?) em espaço de tempo ínfimo!Contudo, há algum ruído anterior nessa comunicação, pois em meu texto de protesto, publicado no jornal O Globo e em alguns sites, jamais citei nomes. Muito menos o de Frederico Barbosa. Assim como, em minha mensagem anterior nesta página, em nenhum momento disse que o currículo faz um escritor. Contestei apenas a afirmação de que minha luta tinha como base a vaidade, e não o meu senso de Justiça. Quem sentiu na pele os danos provocados pela estrutura desrespeitosa deste prêmio sabe do que estou falando. No entanto, para compreendermos os protestos de todo o País, basta apenas que tenhamos conhecimento dos fatos e uma sensibilidade solídária e justa.

Abraços,
Carmen Moreno
Lau Siqueira disse…
Prezada Carmen, desculpe se por acaso tenha ofendido voc�. N�o nos conhecemos. Na verdade, apenas defendi meu amigo que � uma pessoa �ntegra. Continuo achando que os vencedores jamais param para pensar nos m�todos. Para os vencedores, de um modo geral, a sensibilidade solid�ria n�o existe. Nunca vi ningu�m abrir m�o de um pr�mio por ser contr�rio aos crit�rios estabelecidos. E acho, sinceramente, que se voc� tivesse siso escolhida, n�o teria achado nada anormal. Ou estou errado?
Um abra�o!
Lau
carmen moreno disse…
Prezado Lau,

Aceito e agradeço o pedido de desculpas, realmente não nos conhecemos. Concluo este diálogo, antes que se transforme em uma vazia disputa de idéias e verdades. Ou, pior, antes que caia no terreno das conjecturas e hipóteses inúteis. Mas posso tentar responder à sua perseverante pergunta: suponho que, se ganhasse, sentiria o alívio da certeza de que meu projeto foi lido e analisado, pois saberia que nenhum outro motivo (que não este) poderia justificar minha premiação. Ganhar nunca foi para mim o ponto principal, reitero. Bastava-me a certeza de uma DESCLASSIFICAÇÃO DIGNA, como outras em minha carreira. Bastava-me a confiança de que todos os trabalhos foram analisados respeitosamente, dentro de um prazo e estrutura que não maculassem a imagem de instituições importantes, nem ferissem a crença dos concorrentes nas mesmas. Para finalizar, pelo que conheço de minha prática diária de justiça e honestidade, se escritores reivindicarem a anulação de qualquer prêmio que eu venha a ganhar, com argumentos que revelem o quanto a estrutura equivocada do concurso literário prejudicou a maioria, suponho que minha atitude seja a de apoiar a maioria prejudicada. Agradeço o espaço para a discussão, e encerro minha participação deixando para você um grande abraço, e desejos de ótimas energias criadoras.
Carmen Moreno
Lau Siqueira disse…
Continuo com minha posi�o, Carmen. N�o defendi a organiza�o do concurso, mas a dignidade do meu amigo. Outras pessoas do juri, que conheci, tamb�m n�o s�o pessoas que arriscariam uma vida inteira, um nome constru�do, por t�o pouco. Pessoas respeit�veis. Concordo com voc� n�o temos mais nada pra dizer sobre isso tudo que, concordo, foi lament�vel.
Um abra�o!

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