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quinta-feira, 10 de janeiro de 2008

PARADOXO DA TRISTEZA
Triste de quem dos próprios atos se esconde. Ou quem (por mediocridade ou vaidade) preferiu rastejar caminhos já percorridos. Triste dos que cospem a própria sede. Os que vomitam certezas sombrias. Os que tremulam no cerco das próprias falas... coalas!

O NASCIMENTO DE CARMEM
Cheguei faz pouco de uma cerimônia. A cerimônia Mahikari do nascimento astral de Carmem Trevas Falcone. Uma alma suave seguindo em busca de outros aprendizados. Há pouco pude vê-la em exercício, cuidando do infinito. Carmem soube fazer da sua existência um ato de suavidade ancorado na arte. Conhecê-la foi uma colheita de paz.

OTÁVIO SITÔNIO PINTO

Cruel desencante.
A última lua nova
Já nasceu minguante.


QUEM É O CARA?
Otávio Sitônio Pinto é poeta paraibano. O poema acima foi extraído do livro “Caminhos de Toboso”, Edição “Quebra Quilos”, da UEPB. Em 1989, conheci Sitônio. Embora jamais tenha visto seu rosto. Mas, conheci o que importa. Conheci a sua essência. Era a primeira campanha presidencial pós-ditadura e pós o mormaço fascista de Sarney. Engajado nas forças de esquerda que se uniam em torno do PT, fui preso pichando num muro: “Sem medo de ser feliz”. O poeta Sitônio foi para as rádios pedir pela minha liberdade!

MUSSOLINI REVISITADO
Fui preso numa noite de 1989, em Mangabeira - bairro operário da capital da Paraíba. Minhas filhas ainda bebês (uma de 86 e outra de 87). O juiz Herval Carreira não gostava de comunistas, parece. Depois se descobriu que era chefe de uma gang de ladrões de automóveis. A justiça fez justiça como sabe fazer com os seus: aposentou-o. Provavelmente com gordo salário.
Dentro do camburão, esperando meu destino, algemado e espremido feito um bicho, ouvi um policial comentar: “Collor vai ganhar e vai foder esses filhos da puta!” Já no xadrez da Central de Polícia, quatro homens engravatados se aproximaram e me olharam com a arrogância dos ratos. “Quem foi o mandante?” Perguntou um deles. “Foi Lula!”, respondi. Então saíram resmungando. Fui levado para a PF com a honra de ser algemado pela delegada Maria Rodrigues. Uma simpátia senhora que empunhava uma espingarda 12, cujo cano, vez por outra, encostava-se ternamente à minha testa. Anos depois ela foi denunciada como membro da gang do traficante Fernandinho Beiramar. Entretanto, até que me saí bem na foto de capa dos jornais locais: barbudo, magrão, descendo de um camburão, algemado e pálido de insônia. O flash quase me incendeia...

O maior desafio é não perder a dignidade diante da covardia. Viver é um crime quando quem governa são os bandidos...


PT QUE PARIU!
Então rolou um processo e eu fiquei sabendo que acabara de deixar de ser um militante de esquerda para ser apenas mais um petista responsável pelos próprios atos. O advogado era do PT, mas o preço era o mesmo. Não teve nem audiência. O processo foi arquivado. Mas, tive que pagar do próprio bolso o advogado-companheiro. Sem manchetes de jornal, eu era um cadáver qualquer. Vivo ou morto!

PSTU-SE DE MIM!
Parece piada. Fui questionado recentemente por um militante do PSTU, porque meus poemas apareceram nas agendas do partido. Pior: tem poema que está com meu nome, mas não é meu. Queria saber o melindrante pstuwist, que dirigente do partido havia me indicado. O descuido de trocar o autor tem reparo. Na próxima agenda, pelo menos, uma errata corrigiria tudo. Mas o funil do sectarismo ideológico elevado à décima potência é um dos maiores atos de ignorância que um ser humano pode experimentar. Definitivamente a minha relação com partidos, partiu-se!


MARTIN PALACIO
“Pese a que la poesía de Lau Siqueira no se inscribe en ninguna de las vertientes más visibles de las neovanguardias latinoamericanas, sí es evidente el uso de ciertos dispositivos experimentalistas, propios de categorizaciones o principios señalados con respecto a la poesía concreta y al neobarroco. Del concretismo, Siqueira retoma la experimentación visual y sonora en la corporalización del signo: diversas tipografías, espacialidad de la hoja, valoración de los espacios en blanco, dispersión del verso, imágenes, e ideogramas. De esta manera, la forma adquiere primacía y lo corporal abandona, entonces, su función meramente decorativa en tanto deja de portar el carácter ornamental de los textos ilustrados, sino que captura y absorbe al plano del contenido.”

(Assim escreveu Martin Palácio, poeta uruguaio antologista de “Los Trazos de Pandora”, que será publicada em breve, em Buenos Aires, sobre a poesia brasileira contemporânea.)

2 comentários:

Analuka disse...

Fiquei com vontade de ter conhecido a alma de Carmen Falcone...
Sim, querido poeta da alma alada, algumas vozes são como brisas rosadas na aurora, ou ventos que nos trazem cantigas marinhas, ou sons de árvores farfalhando...
Assim, sinto a tua voz.
Beijos pintados.

Anônimo disse...

Oi, Lau! De pronto, me identifiquei com o poema, e com o tempo de resistência. O novo a freqüentar seus versos, habitando desdobrável abismo, é dádiva. E ainda que o futuro, tantas vezes, nos tenha sido seqüestrado, a prevalência de raízes salva nossas gerações. Oxalá, possamos beber da mesma essência humana, por muito tempo!
Parabéns!
Léa Madureira