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sexta-feira, 18 de janeiro de 2008

ROBERT CREELEY

Não tinha notado que
a fachada do prédio tem
divisão estreita como seta subindo
direita a escada em
cima aponta para o alto como
lança o teto vermelho lustrado
de chuva o alto nítida
horizontal a beira do teto deixa
o céu no fundo de um azul tênue
mais tênue ainda uma luz branca
fica mais longa agora mais alta
indo embora a sumir de vista.

(“Olhos”, poema de Robert Creeley, 1926/2005. Fonte: Revista Inimigo Rumor, n 17)

ESTAR POR AQUI
Fico pensando, às vezes, o quanto é frágil tudo isso que nos cerca. A TV ligada na sala para ninguém. As luzes acesas. A taça de vinho na ponta da mesa. Fico pensando, também, o quanto somos muito mais frágeis que tudo. Somos mais frágeis que as abelhas e os vaga-lumes. Mais frágeis que as bolhas de sabão que sobem e explodem com o peso do ar. Por isso cada momento deve ser vivido como único, no enlaço dos momentos vividos e vindos. Cada palavra deve ser escrita como se nenhuma outra estivesse a seu lado além da vaga memória das últimas e a incerteza das próximas.

CANÇÃO DA AMÉRICA
Atitudes amigas são coisas visíveis e imprescindíveis. Estou emocionado com a ação da amiga Conceição Oliveira, buscando reunir velhos amigos de poesia nas velhas listas de discussão. Frô, como é conhecida, é uma das pessoas mais doces, lindas e íntegras que já conheci. Ela criou um blog para representação dessas velhas amizades. Visite-o! Agora Poetas Lusófonos está linkado , também, aqui no Poesia Sim.

boca boca


sem mira
atiro em mim mesmo
às vezes
-
saio lanhado e disforme
e novamente me transformo
: assumo a interina forma

no mais
sou verso que voa
no espetáculo sem bis
do instante

(do meu último livro, Texto Sentido)

SAIDEIRA
No Encontro Natalense de Escritores tive a oportunidade de encontrar o amigo Moacy Cirne, o cara que esteve na linha de frente do Poema Processo e continua a luta armada da palavra. Abaixo, um poema de Moacy, um cabra bom danado. Infelizmente o tolhimento da blogger na diagramação impede que o poema apareça aqui com a mesma forma.

o homem só,
velho e cansado,
olha para a frente
e nada vê,
olha para os lados
e nada vê,
olha para o fim do mundo
e nada vê.
entre
o espanto dos suicidas
e o silêncio dos desamados.
o homem cansado,
velho e só,
olha para o poema
e nada vê.
será
que os sinos
dobrarão por ele?

(“Poema Final”, de Moacy Cirne no livro “Continua na próxima”/1994, extraído da antologia “Poesia Norte-Rio-Grandense no Século XX, organizada por Assis Brasil)

Um comentário:

héber sales disse...

que belo poema esse do moacy...