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segunda-feira, 28 de janeiro de 2008

UM CLÁSSICO DA POESIA VISUAL
No Encontro Natalense de Escritores eu comentava com o poeta potiguar Paulo de Tarso Correia de Melo sobre a precisão do Poema Visual Apartheid Soneto, de Avelino de Araújo Perfeito!


O DITO PELO DELITO
Quando escrevo algo sobre poesia, só tenho um objetivo: fomentar as minhas próprias dúvidas. E também as minhas dívidas porque acabo numa prateleira de livraria, buscando algo que sacie a sede angelical da ignorância. Escrevo, pois, para duvidar de mim mesmo. Escrevo porque preciso ir um pouco mais além do que transgride a minha compreensão de tudo.

NO OLHO DO FURACÃO
Acordar com o sobressalto de um tiro. Ou quem sabe um latido. Permanecer insuficiente diante de tudo...
Viver é um compasso esquisito. Às vezes flora o chão seco com um grito de lágrima. Às vezes a lágrima é seca.
NICOLAI ASSIÉIEV

Um risco maduro de assobio.
O trincar do gelo comprimido.
A noite, a folha sob o granizo.
Rouxinóis num dueto/desafio.

Um doce ervilhal abandonado.
A dor do universo numa fava.
Fígaro: das estantes e flautas /
Geada no canteiro, tombado.

Tudo o que para a noite releva
Nas funduras da casa de banho,
Trazer para o jardim uma estrela
Nas palmas úmidas, tiritando.

Mormaço: como pranchas na água,
Mais raso. Céu de bétulas, turvo.
Se dirá que as estrelas gargalham,
E no entanto o universo está surdo.

(Definição de Poesia, poema de Nicolai Assiéiev, 1889/193. Poeta russo, nasceu na região de Kursk. Tradução de Haroldo de Campos. Poema extraído da antologia Poesia Russa Moderna)

8 comentários:

Anônimo disse...

Vc está linkado lá no www.contraovento.blogger.com.br
Abs
Acir Vidal, editor do blog.

Anônimo disse...

Vc está linkado lá no
www.contraovento.blogger.com.br
Abs
Acir vidal,
Editor do blog.

Leo Lobos disse...

saludos desde Chile, ha sido un gusto leerte...

mias poesía, mais arte, masia amistade y afecto

Leo Lobos

E.mail: leonardolobos@yahoo.com

OleSchmitt disse...

Lauzito, há algo* sobre o seu poema "aos predadores da utopia" no www.poetas-lusofonos.blogspot.com.
* chamo de algo porque não sei "tag'ificar" aquilo que lá está. Mas é de coração nas mãos.

E não, não espero nada em troca - já tenho o poema.

AbraçOle

Naeno disse...

APENADO
Cravado em meu peito
E pelo corpo de São Sebastião
Se equilibra ao vento,
Um veneno pontiagudo
Lançado de um tortuoso
E certeiro, o teu desamor.
Um objeto de impulsão
De palavras desmedidas.
De flechas desvestidas,
De amar só aos reféns.
Do teu purgatório inquisitivo
Da tua força descabida
Que o Santo agita,
E se transfigura.
E ser um Cristo,
Posto nas oliveiras.
Mas eu, pobre misseiro,
Que só sei rezar,
Não sei dos anjos...
Cadê Jesus,
Só imagino a cruz
Um sinal de sua passagem
Pelo areial puxando a morte,
Leve com a vida....
Deus proverá
Aos entocalhados, os alvos
Fáceis do aliciador, teu amor...
O seu olhar, que todo claro
Desta altitude de pmde me tratas.
E destratando a mim
E ao Santo Sebastião, glorioso,
Mexes com casa de marimbondo,
Mexes com todos os cachorros.

Naeno disse...

COISAS

Coisa de Deus,
Tanto amor em mim guardado
E o meu rosto procurado
Por alguém que não me reconheceu.
Minha saudade de vê-la
Meu coração enfeitado
E como andará o dela
Por certo muito mais ornado.
Coisas do destino
Não ter em mim o que ensino
A quantos não sabem deter
Na mão, uma flor, um querer.
Já falo: não amem as borboletas
Elas são amantes do vento,
As rosas do beija-flores
As orquídeas das janelas.
Coisa de quem não tem mais
Do desencontro um sinal
A marca dos pés que procuro
Com o corpo todo, calcados;
Coisas de quem passa olhando muros
Vendo inscrições noturnas,
Quando este tempo, os sinais
São, pelo bem do amor demarcados.
Coisa de Deus
Esse novelo em meu peito
Embaraçado, o meu amor
Amor, amado, um torpor.

Um abraço
Naeno

héber sales disse...

bacana essa prosa poética no olho do furacão. um abraço!

emidio disse...

De longe vejo o mar
o centro de espadas e ao divulgar retenho reapareço com a altura imprópria do
mar
E há vento no meu olhar
que canta que balança de alegria e ao findar retém a poesia;
o fruto que sangra no convés...