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Mostrando postagens de Fevereiro, 2008
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ADONIS AL-HAJ

vou em busca da sombra entre os brotos e a erva ergo uma ilha
ligo a ramagem à beira-mar
e quando se perdem os portos e enegrecem os caminhos
visto-me do assombro cativo
nas asas da borboleta
atrás do reino das espigas e da luz na
morada da doçura

(“Assombro Cativo”, poema de Adonis Al-Haj. Poesia árabe contemporânea. Tradução de Michel Sleiman e Safa Jubran. Fonte: Revista Poesia Sempre)

O RIO DE JANEIRO CONTINUA LINDO
Estou no Rio. Basicamente ancorado no centrão. Sem vontade nenhuma do litoral. Juro! Afinal, tenho as areias de Cabo Branco. Pra que, então, Copacabana? Estou hospedado num hotel antigo, entre prédios antigos. O primeiro prédio da rede Othon na cidade. Hoje, o modesto Othon Travel Aeroporto. Ando pelas ruas mal disfarçando a paixão pela História Viva das fachadas. Já cumpri (com sucesso) parte dos compromissos que me trouxeram aqui. Amanhã, visito a Biblioteca Nacional, e encerro minha jornada oficial. À noite, vou pro Barteliê (veja no post anterior), lançar meu T…
LANÇAMENTO NO RJ
No próximo dia 29, sexta-feira, a partir das 20h estarei realizando mais um lançamento do livro Texto Sentido. Tudo vai acontecer dentro do projeto InVersos, no Rio de Janeiro. E o projeto acontece no Barteliê que fica na Rua Vinícius de Moraes, 190/03, em Ipanema. Segundo a atriz e poeta Clauky Saba (a anfitriã) o bar fica no centro nervoso de Ipanema (vou levar meus florais). Por fora, o prédio simples numa esquina famosa com a Nascimento e Silva. Por dentro um ambiente descontraído, todo decorado e com um puta dum piano. O lugar é bem intimista, abriga confortavelmente cerca de 40 pessoas. Bueno... vou pegar carona no público e na generosidade de Clauky, logicamente, com a cumplicidade da amiga. Aproveito para convidar meus amigos e amigas, também.

MOV IME NTO INV ERS O
O Movimento InVersos foi idealizado por Clauky Saba e acontece quinzenalmente no Barteliê. O ingresso é cinco reau (se quiser o livro, aí fica por quinze reau) e lá as pessoas poderão tomar vinho, cer…
ANA LUÍSA AMARAL

Neste palco de sol,
de repente:
os teus lábios:
anjos caídos mas abençoando

Cada curva e tremura
dentro do nervo exacto
da memória

Por esses lábios
eu faria tudo:

rasgava-me de sangue
e inocência,
partia com as mãos vitrais
e estrelas,
desintegrava o sol

Já não anjos caídos
os teus lábios,
mas deuses transportados
pelos meus

(Anjos caídos, poema de Ana Luísa Amaral. Ana Luísa é escritora e professora da Faculdade de Letras, do Porto, Portugal)

QUEM É?

Pois bem, esta criatura do universo chamada Ana Luísa Amaral escreve poemas que me deixam em transe. Poemas arrancados da vida. Nunca li Ana Luísa Amaral fora da Internet. mas sempre que leio algum poema seu, fico embriagado com o que acredito seja o verdadeiro sentido da poesia. Não vejo em Ana Luísa Amaral a capa preta de qualquer rótulo. Vejo poesia. A mais pura e implacável poesia. E reafirmo a minha convicção duvidosa de ver o sublime no que, muitas vezes, na verdade... arrebenta, explode o que nem sabíamos que existe, mas que nos abs…
ANTÔNIO MARIANO

Sabia que não era feio
e o que insinuava
não era espelho.

Mirava-se
no que era externo,
ilusão de horizonte,
extensão dos olhos,
imagem mais bela.

Primeira lição de admirar:
o melhor reflexo
está na janela.

(Narciso ao avesso. Poema do poeta paraibano Antônio Mariano extraído do livro Guarda-chuvas esquecidos. Ed. Lamparina-RJ)

JOÃO BALULA
Morreu nesta madrugada o militante do Movimento Negro e do Movimento Cultural de João Pessoa, João Balula. Balula era um estandarte das próprias crenças e descrenças. Soube se conduzir com dignidade diante dos tantos desafios que a vida impõe a todos nós. Era meu colega de trabalho na Fundação. Cumpria fielmente a sua missão, demonstrando em cada gesto que somos todos iguais. Quando saí do necrotério, olhei para o céu e a Lua estava em eclipse.

DIGNIDADE
Dignidade não combina com vaidade desmedida. Pela vaidade, algumas vezes, as pessoas perdem as menores noções de ética. Vale mais o próprio umbigo. A vida vira um vale tudo. Os amigos não valem nada…
FRANK O’HARA

Não vou chorar o tempo todo,
também não vou rir o tempo todo,
não prefiro um “gênero” ao outro.
Quero ter a imediatez de um filme ruim,
não só os de repente bons, mas também a nova
super-produção recém lançada. Quero estar
tão vivo quanto o que é vulgar, pelo menos. E se
algum aficcionado da minha tralha vier dizer: “Isso
mal parece que é do Frank!”, ótimo! Eu
não uso terno cinza ou marrom o tempo todo,
uso? Eu não. Vou à ópera de camisa,
muitas vezes. Quero os pés descalços,
o rosto barbeado e o coração –
não dá para planejar o coração, mas
a melhor parte dele, a minha poesia, é aberta.

(Meu Coração, poema do estadunidense Frank O’Hara (1926/1966). Tradução de Luiza Franco Moreira. Fonte: Revista Inimigo Rumor, número 9)

SÓ ESCREVO QUANDO SANGUE
É como arregaçar as próprias veias para escrever com hemácias. Uma coisa assim, meio que imperceptível, mas arrancada do sangue. Não escrevo com os glóbulos para não manchar a camisa que já é pleno suor. Escrevo para livrar o lado de dentro do que…
LUÍS QUINTAIS

Acordava cedo para admirar a luz,
As cifradas sombras ao longe em frente.

Encantava-o
o matinal reconhecimento

da luz escondida
na negação do sono,

na nocturna letargia das horas
longamente prolongadas.

Encantava-o
a quietude aparente

das sombras ao longe em frente,
o azul cobalto no tecto do mundo,

o verão
aa reticulada presença do verão.

(Tecto do mundo, poema de Luiz Quintais, poeta angolano de Luena, nascido em 1968. Atualmente vive em Coimbra, Portugal. Fonte: Revista Inimigo Rumor)

VAMOS VER CONSTANÇA LUCAS?
Sempre vale a pena conferir o trabalho de uma grande artista como Constança Lucas. De 21 de fevereiro até 29 de março ela estará expondo retratos de poetas portugueses e brasileiros, na Livraria e Centro Cultural Alpharrabio, rua Eduardo Monteiro, 151 – Santo André-SP, Brasil. Telefone (011) 4438.4358.

PELAS RUAS QUE ANDEI
Jaguarão é uma bela cidade na beira de um rio belo, fazendo fronteira com um país pouco comentado mas, muito interessante, o Uruguai. Foi lá que eu nasci. Há a…
O GALO


o silêncio
com suas equações
de estrelas



abre os portais
da madrugada



sob olhos atentos
do infinito



um quarto de lua
empresta a partitura
ao galo

(do meu terceiro livro, já esgotado, Sem Meias Palavras. Editora Idéia/PB, 2002)

CHRISTINA RAMALHO
"Imaginemos um livro como um rio. Mais especificamente, imaginemos um livro de poemas como um rio. De repente, chega-se à beira do rio. (...) O fato é que, como leitores, estamos ali, na margem, começando a ouvir o rumor das águas e tatear sua fugidia temperatura, a aspirar o perfume que só os rios têm, a visualizar o desenho de sua trajetória e a sentir a sede do mergulho, a partir do que, de fato, se poderá conhecer o rio, vivendo-se a experiência de ser “nele e com ele”. Saindo da símile para a metáfora, o livro de poemas é, enfim, um rio que pede o mergulho e a mistura de nosso ser com suas águas. "

QUEM É A MOÇA?
Christina Ramalho é nasceu na Cidade Maravilhosa, mas atualmente é professora do Depto. de Letras da UFRN. O texto acima é um …
RAQUEL LEMOS
“Ele jurava que o quadro estava torto na parede. Eu dizia, não. Expliquei que a moldura era daquele jeito. Torta e defeituosa. Ele insistia. Está torto. Levantava o quadro, tirava o prego e furava de novo, a parede. Eu deixava. Aquela luta com o quadro, o prego e a parede. Ele insistido nos defeitos. E eu, molhada. Completamente molhada com a beleza da tela. Decorando as cores. Pensando numa casa maior, com muitas paredes para pendurar todos os meus quadros tortos.”

NOSSA METÁFORA
Nossa Metáfora, é o titulo do texto escrito por Raquel Lemos e transcrito aí acima. Vezenquando recebo coisas assim no meu email. Tenho pouco contato com Raquel. Algumas trocas de mensagens, coisital. Ela publica nas Agendas da Tribo. Nos conhecemos de lá. Mas, é tudo assim nessa mulher!

CONFRARIA DO VENTO
Algumas publicações virtuais valem a pena cair na nossa caixa de email. A revista Confraria do Vento é uma delas. Confraria, só com o vento... Vai lá!

EDGAR MORIN
“Fernando Pessoa dizia que, em cada…