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segunda-feira, 11 de fevereiro de 2008

LUÍS QUINTAIS

Acordava cedo para admirar a luz,
As cifradas sombras ao longe em frente.

Encantava-o
o matinal reconhecimento

da luz escondida
na negação do sono,

na nocturna letargia das horas
longamente prolongadas.

Encantava-o
a quietude aparente

das sombras ao longe em frente,
o azul cobalto no tecto do mundo,

o verão
aa reticulada presença do verão.

(Tecto do mundo, poema de Luiz Quintais, poeta angolano de Luena, nascido em 1968. Atualmente vive em Coimbra, Portugal. Fonte: Revista Inimigo Rumor)

VAMOS VER CONSTANÇA LUCAS?
Sempre vale a pena conferir o trabalho de uma grande artista como Constança Lucas. De 21 de fevereiro até 29 de março ela estará expondo retratos de poetas portugueses e brasileiros, na Livraria e Centro Cultural Alpharrabio, rua Eduardo Monteiro, 151 – Santo André-SP, Brasil. Telefone (011) 4438.4358.

PELAS RUAS QUE ANDEI
Jaguarão é uma bela cidade na beira de um rio belo, fazendo fronteira com um país pouco comentado mas, muito interessante, o Uruguai. Foi lá que eu nasci. Há anos não vou à Jaguarão, mas... quanta saudade. Seu casario antigo, com belas e enormes portas (observem as pessoas passando em frente ao prédio da Prefeitura), seu rio... Jaguarão do Teatro Esperança, da Biblioteca Municipal, da Casa da Cultura, do Cine Regente (que não existe mais). Experimente viajar por aqui, veja as fotos! Uma beleza! Vale a pena conferir.

A LEI DO MAIS LONGE
No meio fio da idéia que abandona os redemoinhos para cercar a sombra que encobre o trepidar de asas das abelhas intrusas num campo de algodão onde a derradeira morte será o esquecimento.

O vôo da abelha que morre é o que fica além do mel.

mercado central
de joão pessoa

são tristes
as folhas murchas
do repolho
que um homem faminto
não pode comer

(do meu primeiro livro, O Comício das Veias, 1993)

AOS QUE ACREDITAM
Não temos pés de barro. Nem mesmo nossos ombros são nuvens. Somos parte de uma utopia que abala o mundo. Um sonho que transforma o sílex em silêncio. Somos os que não se rendem diante do medo. Os que não temem as sombras. Não tememos as sombras! Somos fabricantes de luzes. Vaga-lumes em noite sem lua ensinando o caminho da manhã.

4 comentários:

Clarissa Marinho disse...

Olá!Otimo texto esse da abertura do post.Quanto ao ultimo,ja tinha dado ctrl c,ctrl v nele,quando o encontrei pela primeira vez. =)

Naeno disse...

Belo poema. Forte, incisivo. Uma coisa que tem obrigatoriamente que se transformar um sol, pelo menos por um dia, para que todos obrigatoriamente, o vejam e ardam os olhos.

Um beijo no coração
Naeno

AO TEU OLHAR

Ao teu olhar que nunca me disse um não
A ele, porque o mundo precisa, a luz.
Que rastreará todos os recantos
E guiará os que não vêem
Pelos orifícios, onde a vida penetra
Por onde o amor se manifesta, a lua
Que dele depende para ser tão clara.
Ao teu olhar, uma lágrima que banha
Cairá um dia, e verás que o dia
Tem toda claridade e se ver tudo
Até o que não se deseja ver.
Ao teu olhar o meu se declina
Diante do lume intenso, numa neblina
De estrelas cadentes todas que não cairão.
Ao teu olhar me mostro, quem sabe um dia
Me verás inteiro como sou, um outro olhar
Fixo no teu, amando o teu, dentro do teu.
Ao teu olhar migalhas cairão ao chão
E não colherás nenhuma e julgarás pouco.
E por não sobrar
Uma sombra por todo o deserto,
Se cumprirá e que descanse ao teu olhar.

Ceci disse...

Lau, descobrindo sua poesia, amei esse texto: (somos)Vagalumes em noite... tocante. A luz do coração. Abraços paraibanos.

Nina Araujo disse...

Lau,somos vagalumes,tchê!!!Somos vagalumes...seus textos me tomam aqui no meu Rio...ó que eu mando proçê agora...

Gitano

Não anelo mais teu perfume
Porque até já vendi nosso canto
Mas dou meu Vapor Barato
Por mil recordações de ti...
Tu és um Louvre com Goya
Meu amanhecer sem cortina
Um plano perfeito de Tróia
O meu rubor cor de China
Vejo o teu amargor chicória
Combinar na minha rima
Em quintessência de Gaya
Em Bolshois de bailarina
Amo o teu vigor praiano
Velejando sóis de espaço
Num paso-doble cigano
Batendo sombra e regaço
Amo teu andar bolero
O teu beijo sempre arisco
Dentro dele ainda espero
Singrar novos mares de risco.

Nina Araújo.

*Vapor Barato:música de Jards Macalé e Wally Salomão...