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quinta-feira, 7 de fevereiro de 2008

O GALO


o silêncio
com suas equações
de estrelas



abre os portais
da madrugada



sob olhos atentos
do infinito



um quarto de lua
empresta a partitura
ao galo


(do meu terceiro livro, já esgotado, Sem Meias Palavras. Editora Idéia/PB, 2002)

CHRISTINA RAMALHO
"Imaginemos um livro como um rio. Mais especificamente, imaginemos um livro de poemas como um rio. De repente, chega-se à beira do rio. (...) O fato é que, como leitores, estamos ali, na margem, começando a ouvir o rumor das águas e tatear sua fugidia temperatura, a aspirar o perfume que só os rios têm, a visualizar o desenho de sua trajetória e a sentir a sede do mergulho, a partir do que, de fato, se poderá conhecer o rio, vivendo-se a experiência de ser “nele e com ele”. Saindo da símile para a metáfora, o livro de poemas é, enfim, um rio que pede o mergulho e a mistura de nosso ser com suas águas. "

QUEM É A MOÇA?
Christina Ramalho é nasceu na Cidade Maravilhosa, mas atualmente é professora do Depto. de Letras da UFRN. O texto acima é um pequeno apanhado no campo de centeios que certamente será o seu livro cujo título é, Um Rio Chamado Pessoa - A imagem mítica do rio no ortônimo e nos heterônimos. Christina é daquelas pessoas que á nascem amigas da gente e a gente nem sabia. Bom demais!

a pele
do motivo


a visão nua
das tuas omoplatas

tão iguais
a tantas

esconde alguns rebanhos
da minha tristeza

(também extraído do meu terceiro livro, Sem Meias Palavras)

CAAPORÃ
Hoje pela manhã participei de uma experiência massa no município de Caaporã, interior da Paaraíba. Era a abertura da III Jornada Pedagógica, para onde fui convidado como palestrante. O tema era, A Poética da Leitura. De saída provoquei a platéia com pequenos fragmentos sobre o tema em pauta. Um deles foi esse que está aí acima, da Professora e escritora Christina Ramalho. Um texto de leitura fluida e agradável, idéias bem construídas... E, principalmente, densidade intelectual suficiente para um chute na bunda da velhice acadêmica. Um texto, aliás, que merecerá uma abordagem mais específica e breve, aqui no blog.

A IMPORTÂNCIA DA LEITURA
O acesso ao livro é, talvez, o mais simbólico ato de libertação que se pode oferecer para uma vida em construção. Especialmente para as novíssimas gerações - as crianças mais especialmente ainda. Perverso, o sistema carregou as últimas gerações para a frente de uma televisão onde, com raras exceções, o lixo é a regra. A televisão comercial é uma máquina de consumo aniquiladora das identidades culturais e sociais dos povos. Mas, isso não é impeditivo para que se implante políticas de leitura. Para se aplicar uma política de leitura, antes dos livros, antes dos recursos, é preciso vontade e gente capacitada.

corpacorpo

um corpo
visível pomo nuca
soluça na taça

vinho no lado
dormido da
memória

não cabe no oco

indo rugindo rindo
surgindo de dentro

como raiz
que floresce asas

(ls - poema da série Travesseiro de Placenta)

ROLAND BARTHES
No livro A Aula, Barthes fala sobre a interdisciplinaridade da Literatura. Ele diz que a Literatura contém muitos saberes: geografia, antropologia, sociologia, filosofia, etc. Eu vou mais longe: Poesia (com P maiúsculo) é matemática pura. E, de fato, algumas obras literárias são os melhores referenciais históricos de civilizações inteiras, a exemplo de O Tempo e o Vento de Érico Veríssimo que é ambientado na Guerra dos Farrapos, no Rio Grande do Sul.

ENFIM
Adorei ter estado em Caapora. Uma região culturalmente rica, mas economicamente estagnada. Uma cidade da Capitania de Itamaracá. Geograficamente está na Paraíba, mas culturalmente está mais pra Pernambuco, com maracatu rural e tudo. Adorei ter falado para um público tão especial, os professores e professoras da rede pública. Espero que tenham compreendido o sentido das doces provocações que coloquei em cena. Como na dinâmica de uma professora animadíssima, no início da Jornada, foi um ato de amor e um presente da vida ter estado lá.

LUCIANO SIQUEIRA
Há uns 3 anos participei de uma mesa no Festival Recifense de Literatura, sobre a distribuição do livro dos autores nordestinos, no Nordeste. Na mesa, um cara chamado Luciano Siqueira que, mais tarde, soube que era o vice-prefeito de Recife. Agora recebo um e-mail do próprio Luciano, informando que tem m poema meu no seu blog. O poema, Cobaia, é do meu primeiro livro, O Comício das Veias. Vejam!

DERRADEIRA DICA
Muito interessante o diálogo dos poetas Heber Sales e Antônio Cícero. Confiram!

7 comentários:

Clarissa Marinho disse...

Que honra uma visita sua a meu humilde blog!Fazia tempo que n�o abria meu blog,a� quando abro me deparo com essa grata surpresa!hehe
Obrigada pelo coment�rio.E fique a vontade para ver meus arroubos de 'escritora' sempre! hehe

Gisa disse...

NOssa!
Quanto tempo que não aparecia por aqui...
O Texto de RAquel é de fato interessante também...
Percebi que estais dando mais ênfase a outros autores né? Ficou massa, boas indicações!

cheiroo
Gisa

adelaide amorim disse...

Oi, Lau!
Acompanho você de longe, assim meio timidamente, e gosto de sua poesia, do jeito como você leva as coisas aqui no Poesia Sim. Fiquei honradíssima com sua visita no meu Inscrições - www.inscries.blogspot.com
ainda mais com o poema que você deixou lá. Obrigada mesmo, e volte sempre que puder, é muito bem-vindo. Até porque espero sempre opiniões de poetas como você, Héber, Soledade Santos, Saramar e tantos outros nomes que gostaria de ver lá.
Beijo grande.

MichelCarlos disse...

Lau, vc tem algum texto q gostaria de ver ilustrado?

michelcarlos@gmail.com

abraço

Renata!!! disse...

Oi Guri, buenas??

Muito lindo, como tudo que vc posta aqui...


Beijinhos e ate setembro...aqui em Porto Alegre!

Anônimo disse...

A SEDE é a metáfora que melhor expressa o anseio de nosso âmago por tudo aquilo que buscamos com mais ardor.
Admiravel a analogia do poeta, essa de desaguar suas letras no rio que transborda a PRESENÇA peculiar e inexpugnável de sua poesia.
Lauzito, muito bom vir aqui beber se suas fontes.
Beijos carregados de saudades meu amigo.
De lua e estrela (*

Ceci disse...

Muito bonito o texto da Christina Ramalho. Sou apaixonada pelos rios, e não haveria melhor imagem para penetrar na alma de um livro. Obrigada!