EDUARDO BORGES

Minha solidão
é feita de
tantos abandonos,
de tantas ausências,
que eu não a
reconheço
mais.

(Segredo, poema do maranhense Eduardo Borges, extraído do livro Sussurros)

LER COM OLHOS LIVRES
Seguidamente leio alguns absurdos com pose de verdade absoluta. Hoje mesmo (aliás, ontem) recebi alguns suplementos literários do amigo e artista plástico, Alberto Lacet. Num deles, um nome bastante conhecido na literatura dizia que a má poesia afasta o leitor da boa poesia. Ora, primeiro vamos ver o que se considera boa poesia e má poesia. Vejo pessoas mudar de idéia como um relâmpago quando se trata de conceituar poesia. Enfim...

LER COM OLHOS LINCES
A boa poesia é a que o leitor gosta ou a que a crítica professoral aprova? Is deh cuéstiom! Que cor é o sabor do bom gosto? Responda você!

NADA CONTRA
Tenho me dirigido à academia um tanto quanto raivosamente, confesso. Nada que não seja exatamente uma cobrança relacionada ao apoio que pedem quando pairam ameaças sobre a universidade pública. O bispado estatal das universidades brasileiras não tem, no mais das vezes, nenhuma noção de interesse público. E infelizmente é dominante. A priorização das disputas pelo poder interno e a vaidade intelectual apodreceram o conceito de universidade pública. Mas, ainda vale a luta por resgatálo.

SÃO TANTAS COISINHAS GRAÚDAS
Não lembro de outro tempo em que tantos eventos literários estivessem acontecendo simultaneamente no país. São coisas pipocando do norte ao sul com uma velocidade estonteante. Há uma água na fervura... prenúncio das Edições Chimarrão pelo mundo. É como se algo grandioso estivesse por acontecer...

LUIZ RABELO, NOVAMENTE
O Rio Grande do Norte, por algum motivo poético, me atrai. Foi o palco das vanguardas mais amplas na contemporaneidade. O mapa da Poesia Visual brasileira é quase que infinitamente potiguar. O Poema/Processo teve lá suas raízes e tem lá suas asas. A Poesia Concreta pousou em meio às rimas da cantoria. Hoje o rap pede passagem! O poeta Luiz Rabelo me parecia uma síntese de tudo que aconteceu em Natal num determinado período que, para a poesia brasileira é, foi e será determinante.

em nome da santa


quando amanheço poema
torpe enluarando as trevas
compreendo o mundo
como sementes de um sol
que nunca brilha

... e apenas retenho
a intimidade das culpas...


tanto faz sonhar e sorrir
à esmo

...ando perfilado em ranhuras
de pássaro

com penas turvas

turro

caminho
sobre os vidros do muro


(poema vermelho, ls)


PROCESSOS DE EXPANSÃO
Um dos convites mais doces que recebi nos últimos tempos foi para participar do seminário A Perenidade do Efêmero, organizado por Jorge Bweres e Maria dos Mares. O encontro reúne pessoas de diferentes formações para discutir um tema que não é outra coisa se não o partilhamento da dúvida metafísica sobre o papel da arte na vida e o papel da vida na arte. Foi o que compreendi. Do seminário nascerá uma instalação.

PANDEMÔNIO ÉTICO
Fico rindo quando alguém reclama do Congresso Nacional. No cotidiano acontecem coisas que explicam a representatividade que se tem por lá. Pessoas dignas e putrefações morais que sequer podem ser consideradas pessoas. A vida é uma guerrilha para não sucumbir o que há e ainda poder a vida avançar. Mas, o que acontece no Congresso é apenas um prefácio das ruas.

SER TÃO DE LUAS
Dia 3 vou pro Alto Sertão Paraibano. Sousa, Cajazeiras... talvez Catolé do Rocha, dia desses... o papo vai ser o jeito de andar pelo mundo... e abrir caminhos entre os cactos e o caos de uma Nação Zumbi.

Comentários

Héber Sales disse…
gostei muito do poema. um dos que mais me agradaram aqui até hoje.
um abraço.
Oi Lau, tudo bem?
Adorei esse post, esse assunto mexe muito comigo. Essas classificações de bom e ruim são tão vazias e preconceituosas! Ora, a arte é uma democracia, me desculpe. Ela é a liberdade onde não há liberdade, é a nossa fuga, é o que salva o ser humano nesse mundo cheio de classificações descabidas. Sem ela, já teríamos sucumbido.
A poesia, arte que é, deve ser respeitada. Os poetas e seus estilos devem ser respeitados. Pra mim, bom é aquilo que eu leio e sinto um afago na lama, um contentamento momentâneo. Esses dinossauros ficam querendo classificar as coisas e não percebem que criticam algo que está muito além da crítica e dos rótulos, como a poesia.
Se a Academia fosse digna de confiança, não teria rejeitado meu amado Mário Quintana por três vezes!

Beijinhos
Dina disse…
Indo para Sousa, Cajazeiras... Tás internacional demais. No mais, nada de muito inteligente pra comentar. Acho que foi a universidade que fundiu os meus neurônios.

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