Translate

terça-feira, 8 de abril de 2008

ADEMIR ASSUNÇÃO

o sol aponta o cocuruto no ombro da manhã
espadas de luz sangrando o escuro
bombeiros, sirenes, crianças, praças
nenhum incêndio queima essa lágrima

(Zoom, poema extraído do livro Zona Branca. Puta poeta, grande amigo do universo)

JOGOS DE INTERESSE
Não. Não se trata de uma paródia ao projeto do Itaú cultural, Jogos de Idéias. No entanto, também acontece na Literatura. E como! A pessoinha A procura a pessoinha B para um acerto na situação C. Isso é indo e voltando. No Jogos de Idéias, o debate arranca pedaços do teto teórico. Nos Jogos de Interesse a ética borbulha na merda.

O MEDO DA MESMICE
Eu sou um poeta destrutivo. Mais deleto que escrevo, parece. O que me espanta, entretanto, é que ainda escapa muita coisa ruim. Tenho uma visão muito crítica acerca do meu último livro, Texto Sentido. A mesmice é a principal marca do livro. Me repito na temática e nas metáforas. Mas, não me repito vagamente. A coisa acontece de forma cavalar. Pudesse, republicaria incluindo alguns poemas e excluindo outros. Depois de cinco anos, tenho a sensação que o livro ainda não estava pronto. Mas, existe algum livro pronto?

DOSE CAVALAR DE SANDICE
Até os idiotas são preocupantes. Aliás, talvez sejam os mais preocupantes. Exatamente porque não nos preocupamos com eles. Hoje minha tarde foi uma tarde de espera e constatações raras: os idiotas são preocupações percussivas... tum, tum, tum... ploft!

DANIEL SAMPAIO
Tenho amigos e amigas queridas na antologia de Poesia Brasileira do início do milênio, organizada pelo competente Cláudio Daniel, em Portugal. No entanto, fiquei particularmente feliz com a presença de Daniel Sampaio, jovem poeta paraibano dos mais contundentes. Daniel é uma voz que se levanta contra a mesmice e contra as máscaras da vaidade. Não quis ser um, abre aspas, nome, fecha aspas. Mas, nasce na poesia paraibana com uma puta certeza universal. Um poeta que me lembra Hopkins, com sua Beleza Difícil.

labirinto

no mangue espiral
dos sentidos ou num retiro qualquer da
memória tua ausência
ainda
r e s pira

(ls / poema vermelho)

O SERTÃO VAI VIRAR MAR
O Parque dos Dinossauros estava inundado, mas na Pousada Matias, no chuveiro, a água parecia um fiapo gelado. Em Sousa, no alto sertão paraibano, conheci pessoas incríveis, batalhando por uma melhor morada para o futuro. Em Cajazeiras, me mirei no espelho das serras e... espirrei! Chovia.

8 comentários:

Jacinta disse...

Vim lendo, lendo...Escutei seu medo da mesmice e fico aqui pensando em como o poeta deve "se angustiar por destruir palavras" e,
depois foi só me deliciar no labirinto. Gosto de vir aqui.
Um abraço
Jacinta

Constança Lucas disse...

passei para ver as novidades e

"Mas, existe algum livro pronto?
" - acho que não

livros são capitulos


abraços
Constança

Mainieri@dmae.prefpoa.com.br disse...

Lau :

Ademir Assunção e Daniel Sampaio são, realmente, ótimos poetas.
E tu és muito autocrítico.
Teu último livro está ótimo, com poemas fortes e que desconstroem a linguagem.
Repetir idéias & metáforas é usual em qualquer poeta.Somos, sempre, fiéis a nós mesmos...

Abraços tricolores(um tanto desclassificados)

Ricardo Mainieri

Daniel Sampaio disse...

Lau, só os grandes amigos podem dar um depoimento como esse seu.

Um forte e grato abraço.

Márcia disse...

Eu discordo quanto à mesmice no Texto Sentido. Gosto muito dele. E muita gente também. releia o escrito-dito lindo de André, ômi!

Agora, os livros são o registro dos passos no caminho um tanto árduo da Poesia.

Eu também ando deletando mais que salvando. Com medo de me repetir. rs

Beijo grande, viu? De saudade.

Christina Ramalho disse...

Lau, seu livro é excelente! Deixe esse crítico aí de castigo!! Beijocas!

Luciana Nunes disse...

Gostei muito
Vou virar leitora assídua
Um abraço!

Miguel Barroso disse...

É sempre um prazer ler poesia deste calibre. de cá do oceano deixo um abraço fresco e sóbrio.

A SEIVA