Translate

quinta-feira, 24 de abril de 2008

ARNAUT DANIEL

Vejo vermelhos, verdes, blaus, brancos, cobaltos
Vereis, plainos, planalto, montes, vales;
A voz dos passarinhos voa e soa
Em doces notas, manhã, tarde, noite.
Então todo o meu ser quer que eu colora o canto
De uma flor cujo fruto é só de amor,
O grão só de alegria e o olor de noigandres (*)

(*Noigandres, poema de Arnaut Daniel, trovador provençal do século XIII. Noigandres, enoi gandres / é uma expressão provençal de sentido incerto. Ele era, chamado por Dante de "o melhor criador" e por Petrarca, "o melhor entre todos". Sua obra repercutiu no Brasil, por meio dos ensaios e traduções de Augusto de Campos)

MAYRA BARROS
A sensualidade da mulher brasileira. O swing nordestino derramado nas águas da contemporaneidade. Penso que em breve o país estará conhecendo mais uma talentosa cantora paraibana. Mayra está finalizando um novo trabalho. Música de raiz com roupagem futurista. Tudo cuidado com muito zelo e competência. Sem abrir mão das raízes, passarinho, ela vôa e canta. Filha de uma das duplas mais talentosas e originais da MPB, Antônio Barros e Cecéu, autores de clássicos como “Procurando Tu”, “Homem com H”, “Bate Coração” e muitos outros, Mayra parece que pluma com tamanha responsabilidade. Ela construiu uma identidade própria.

FOR DE MANDACARU
Oito anos da Biblioteca Comunitária Cactus, de Mandacaru, aqui em João Pessoa. Funciona no prédio de um antigo posto policial. Onde havia uma sala de tortura, hoje existe uma sala de leitura. Ontem estive lá. Jovens numa roda de leitura. O trem passando. Os Três do Norte com um forró pé de serra. A bela voz de Socorro Fernandes cantando a música do Piauí. Amigos queridos. Relatos de uma história de resistência cultural. Uma jovem atriz recitando meus poemas. Foi assim. Em agosto, Nina e Edeusa, da Cactus, estarão no Festival Literário de Recife relatando esta experiência cultural de militância comunitária.

ENQUANTO ISSO EM POÇOS DE CALDAS
Recebi com carinho o contato de dois jovens mineiros, de Poços de Caldas, falando de um projeto que homenageia "poetas brasileiros de grande prestígio" e que este mês, o escolhido foi o gajo aqui. Aliás, o sarau (ou salau?) é hoje, dia 24 de abril. O projeto é desenvolvido pelo Instituto Cultural de Belas Artes. Fico imensamente agradecido aos queridos João Paulo e Adriano. A poesia tem muitos caminhos. Adriano e João Paulo são parte desses muitos caminhos.

ONTEM NO FENART
Muito bom o espetáculo da Laso Cia de Danças, do RJ, que pude assistir ontem no FENART. Um dos grandes momentos do festival, creio. Na verdade, grande parte do espetáculo assisti por sobre o ombro de Tereza, uma jornalista de Sampa que andava por aqui. Essa nega chamada Tereza me foi apresentada por uma amiga queridíssima, também jornalista, Adriana Crisanto. Um papo dez, descontraído... enfim, Tereza parecia daquelas velhas amigas de dez minutos atrás, saca? Isso é coisa de um festival de artes da importância de um FENART, acima de tudo uma confluência de almas sadias. Hoje o cansaço me trouxe pra casa.

QUARTA CAPA


O poeta é o que busca
na palavra a dimensão do átomo.
O silêncio extremo por detrás
de cada fato. O poeta é o etéreo e
o ácido na pele dos valores estáticos.

Estéticos são seus baralhos.

O poeta é o vapor barato
e o lance de dados. O acaso e o atalho.

Macalé e Mallarmé
no mesmo saco:

O poeta é um guapo!

(este poema deveria ter saído na quarta capa do meu livro. Não saiu. Ei-lo, pois!)

2 comentários:

carlos peres feio disse...

primeira visita - um prazer!
c peres feio

http://podiamsermais.weblog.com.pt

Nani disse...

gostei demais da poesia, por que não saiu no livro?

bjicos, papi.