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domingo, 20 de abril de 2008

FRIEDRICH HÖLDERLIN
"Antes de tudo importa que neste instante o poeta não admita nada como (pré-)concebido, que ele não parta de nenhum traço positivo, que a natureza e a arte tais como conhece como lição não lhe falem nada, antes que uma língua esteja lá para ele, isto é, antes do que isto que agora é desconhecido e sem nome no mundo se torne conhecido e nominável por ter sido composto em concordância com sua Stimmung (disposição)".
(Friedrich Hölderlin (1770 - 1843), poeta lírico e romancista alemão. O texto acima foi extraído da revista Cult)

CULT E GROSSO
Certa vez ouvi um amigo criticar a revista Cult, por ter ampliado sua linha editorial. No entanto, ainda acho de extrema importância para a criação literária os temas propostos pela revista. Por exemplo, este último número trouxe uma reportagem sobre o filósofo francês Merleau-Ponty que muito me instiga. "a verdadeira filosofia é reaprender a ver o mundo". Mas, afinal, a verdadeira literatura também não é exatamente isso? Ou será que o mundo não contém inúmeras linguagens?

ESCREVER MIXÓRDIAS
Nunca me sinto elogiado quando alguém diz que escrevo bem. Escrever bem é seguir um padrão estético formatado. Isso não é simples, é fácil. No entanto, quem escreve mal, tem muito mais possibilidade de transgredir os códigos estabelecidos da linguagem. Está muito mais próximo, pois, de algo verdadeiramente interessante. Tem muito mais possibilidade de ser, realmente, um inventor. Por isso não me preocupo em escrever um bom poema. Sempre busco o poema que negue meu próprios conceitos de boa poesia. Transgredir é, antes de tudo, transgredir-se. A fumaça do insenso é doce, mas me faz tossir... E isso é simples, mas não é fácil.

POR UMA POESIA SEM MEDO
Vejo que a maioria dos poetas têm um cuidado extremo com o que publicam. O olho crítico é foda! É como uma bala perdida. Na verdade, há uma carência juvenil nisso tudo. O medo de não ser aceito pelos cânones, nas suas mais diversas dimensões. Costumo dizer que escrever poemas é não ter medo do ridículo. O que importa se alguém não gosta do que você escreve? Os elogios é que são verdadeiramente perigosos para a construção de uma identidade poética. Especialmente num mundo onde a diluição comanda o espetáculo.

suicídio lento
na mobília da alma
os versos que invento


REESCREVER POEMAS
O poema acima está publicado no meu terceiro livro, Sem Meias Palavras (Ed. Idéia, 2002). Lembro que uma vez uma amiga querida sugeriu mudanças. Na verdade um enxugamento do poema. E eu fui quase ríspido, ainda que sorrindo. Disse que ela deveria escrever seu próprio poema. É que mesmo os poemas publicados, penso eu, ainda não estão prontos. Poema pronto é poema morto. A poesia é o fluxo da vida bombando a linguagem, como um coração bombando o sangue humano...

EU NA CACTUS
Foi cancelada minha participação no espaço Psi, temporariamente. No entanto, dia 23 às 20h, estarei relançando meu Texto Sentido na biblioteca comunitária Cactus, no bairro de Mandacaru. Espero ver alguns amigos e amigas por lá, no entanto o que irá me impulsionar mesmo é a presença das pessoas do bairro e, muito especialmente, da meninada das oficinas de leitura que idealizamos e estamos realizando por lá. Para quem não conhece, Mandacaru é um bairro operário de João Pessoa com grande tradição cultural.

2 comentários:

Mátcia disse...

Esse poema é o seu-poema-meu: adoro!
Um beijo daqui, viu?

alana disse...

Sempre interessantes seus comentários, Lauzito!
Mas acho que concordo um pouco com seu amigo que discordou da mudança na revista CULT, mesmo gostando de alguns temas abordados - filosofia, cinema, música -, que antes não eram objetivos dela. O que incomoda é que, por trás da "abertura dos portos às nações amigas" há um fato triste: revistas especificamente literárias têm sobrevivência difícil no Brasil, não acha? Eu fui uma adolescente que lia as edições do LEIA avidamente, compradas por meu irmão, e devo muitas de minhas leituras às indicações dessa publicação - já extinta há mais de uma década. Há pouco, foi a ENTRELIVROS que bateu as botinhas de papel. :(
Aí tem que diversificar, mesmo.
Beijo!