JÜRGEN HABERMAS
“A cidadania é uma posição definida pelos direitos civis. Mas temos que considerar também que os cidadãos são pessoas que desenvolveram sua identidade pessoal no contexto de certas tradições, em ambientes culturais específicos, e que precisam desses contextos para conservar sua identidade. Em determinadas situações, devemos portanto ampliar o âmbito dos direitos civis para que inclua também os direitos culturais. Esses são direitos que garantem igualmente a todos e a cada um dos cidadãos o acesso a uma tradição e à participação nas comunidades culturais da sua escolha, para que possam estabelecer a sua identidade.”
(Em, A Ética da Discussão e a Questão da Verdade. Ed. Martin Fontes)

PENSAR, PRA QUE?
Hoje o post não começa com poesia, mas com filosofia. Li, certa vez (acho que no livro Comunicação Poética, do Décio Pignatari) que a filosofia é a maior inimiga da poesia. Não pude concordar. Fosse assim, pensei, não teríamos um Antônio Cícero. A filosofia é, tanto quanto a poesia, um mal necessário. Fazem parte da teoria da inutilidade, como diria Leminski. Pra que Poesia? Pra que Filosofia? Pra que pensar... pra que viver... pra que escrever isso tudo num blog?

AINDA O LIVRO
Estive lendo alguns comentários sobre o post anterior. Não, gente, não há nada de desesperador! Não vou me jogar do décimo terceiro andar porque concluí que meu livro poderia muito bem ter continuado na gaveta. Na verdade, não se trata de um lamento, mas de uma filosofia, de um sentimento de mundo. Penso que tanto na poesia quanto na filosofia, as coisas valem pelo transbordamento e não pela permanência. Não é função do poeta cuidar da eternidade. Poesia e Filosofia são coisas impermanentes.

ENQUANTO ENGOMO A CALÇA
Sinto náuseas depois que publico um livro. Um tipo de depressão pós-parto. Mas... não seria porque tudo ali foi tão forte pra mim? É de transbordamento que falo, saca? Não se publica um livro de poemas, pagando a edição, se não há significação alguma nos textos publicados. A significação foi ter bancado a edição, apostando que não teria prejuízo. A significação foi, também, ter conseguido vender o suficiente para não amargar prejuízo. As opiniões, críticas ou ridículas, não passam de opiniões. Por que as pessoas acham que quem publica um livro deve fazer um pacto com a eternidade?

TE CUIDA, PAULO COELHO!
E vendeu o tal do Texto Sentido. Não sei quanto se vende de poesia por aí, mas para um livro que não está nas livrarias de lugar algum, somente neste blog, já vendi o suficiente para bancar a edição e ainda sobrou uns trocados para ajudar no lance do meu consórcio. O que quero mais (além de ficar rico)? O livro, realmente, não foi trabalhado. Não tive como. Praticamente abandonei o bichinho no dia seguinte ao seu lançamento, quando vendi 153 exemplares. Os afazeres do momento me tomam por completo. Recusei convites de Cursos de Letras aqui e em Natal, recusei participação em eventos... enfim, Texto Sentido é um baú de guardados. Foi parido e, agora, deve seguir pelo mundo. Pra que pressa? Deve bancar seus próprios passos. Quem sabe ainda rende algo. Mas, de tudo que há no cardápio das consagrações o que é mesmo que vale a pena?

POESIA... CADÊ VOCÊ?
Na verdade ando tendo acessos de sinceridade. Ainda que sempre tenha buscado ser sincero. A poesia, parece, me abandonou por esses dias. Não me vem nada que preste para a tentativa de um poema. Só mixórdia, só mixórdia... mas, não acho isso de um todo ruim. Sei que a poesia está na espreita. Não adianta procura-la. Ela sempre estará na espreita. Preparando a tocaia do verso. Está me dizendo, por esses dias, o que eu já sabia: a poesia não precisa se nós que, na verdade, somos poetas por convenção social, apenas. Mesmo sabendo o que o próprio Homero já sabia. Isso não vale porra nenhuma! Homero dizia que as folhas de louro com as quais os poetas eram agraciados, mal serviam para temperar o feijão. E haja orégano! A poesia é a certeza da dúvida e a dúvida da certeza. E se não sai no poema, sai no mijo...

...ÀVIDA, CONTINUA
Contas pra pagar, questões do cotidiano para administrar... o importante é seguir em frente, sem máscaras. Também é importante perceber quantas máscaras caem ao nosso redor. Parece que minha utopia é seguir em frente e pagar pra ver, sem abrir mão do protagonismo que cabe a cada um de nós. Onde piso, há uma gama de interesses envolvidos. Até a privada onde sento, é pública. Mas... ainda prefiro andar tipo Chico César, “pés descalços sem pele”... No mais, ávida, a vida continua. Boa semana para quem chegou até aqui.

Comentários

Anônimo disse…
Acho que é isto mesmo! Seguir em frente, mas tendo que driblar as hipocresias deste mundinho cotidiano.
a gente pensa parecido, véi!
ou não.

abraço!
Jacinta disse…
Pois é...
gosto do gosto que tem suas palavras.
Vai de um assunto a outro com uma leveza que me encanta. E pensar...
bem, penso que pensar é manter o cérebro na academia, exercitando-se. E pensando se faz poesia, filosofia, psicologia.
E viva a poesia.
Abração
Jacinta
Héber Sales disse…
depressão pós parto: essa é a imagem precisa. você deve sentir isso aqui no blog também, não? eu sinto, quando leio posts antigos lá do meu. aliás, acho que blog serve bem pra isso. é um quarador de versos e idéias.
um abraço.
Gisa Leão disse…
Nossa!
quanto tempo que não passo por aqui!
Fico tão feliz por Texto Sentido!
Parabéns e mais e mais sucesso!

xêro Lau!

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