MÁRIO QUINTANA

Da primeira vez que me assassinaram
Perdi um jeito de sorrir que eu tinha...
Depois, de cada vez que me mataram,
Foram levando qualquer coisa minha...

E hoje, dos meus cadáveres, eu sou
O mais desnudo, o que não tem mais nada...
Arde um toco de vela, amarelada...
Como o único bem que me ficou!

Vinde, corvos, chacais, ladrões da estrada!
Ah, desta mão avaramente adunca,
Ninguém há de arrancar-me a luz sagrada!

Aves da Noite! Asas do Horror! Voejai!
Que a luz, trêmula e triste como um ai,
A luz do morto não se apaga nunca!

(XIII, em A Rua dos Cataventos. Para quem curte, ou não)

PELAS RUAS QUE ANDEI
Dia 3 estou em Sousa, região habitada por dinossauros num passado de milênios. Dia 4, em Cajazeiras. Duas cidades do Alto Sertão paraibano, para onde vou nesta tarde de dia 2 conversar sobre política cultural. Dia 11, faço a mesma coisa aqui em Jampa, no Espaço Psi, onde também vou ler poemas e conversar com as pessoas. Dia 12, participo de uma mesa redonda no teatro Lima Penante, também em Jampa, sobre articulação de grupos e as instituições fomentadoras. Dia 14, lanço Texto Sentido na biblioteca comunitária Cactus, no bairro de Mandacaru, também em Jampa.

FINALMENTE UM FENART
O Festival Nacional de Artes da Paraíba, FENART, é um dos eventos culturais mais importantes do Estado. Infelizmente, o governador andou abortando as duas últimas edições. Agora o FENART volta com tudo, uma boa programação... apesar da necessidade incompreensível de trazer galãs globais de talento discutível, como o tal Eduardo Moscovis. Valeu pela presença de Chacal, Céu, Arnaldo Antunes e Elza Soares. Um espetáculo local imperdível que estará no teatro de Arena é o Quebra Quilos. Ramulá, sô!

POESIA MARGINAL
A presença de Chacal em João Pessoa me faz lembrar a velha dúvida: toda poesia é marginal? A minha é margilau.

POESIA, POIS É... POESIA!
Não tenho a menor idéia sobre o que é Poesia. Sequer desconfio. Na verdade, tenho lá minhas dúvidas sobre o que não é. Acho que preciso pensar muitos séculos ainda para ter uma versão própria sobre o que é poesia. Mas... quem sou eu? Também não tenho a menor idéia do que sou e de quem sou. Serei Poesia? Escrevo poemas. Sempre no limite do erro. Sempre no limite do ridículo. Não tenho medo do ridículo! Isto, para mim se aproxima do que possa ser Poesia. Poesia é...

COLHENDO IMAGENS POR AÍ
Ando colhendo imagens. Algumas, confesso, são pura invenção. Não existem. Não guardam os vetores da forma. Não permanecem pois que não são aptidões da memória. Mesmo assim ando colhendo imagens. Algumas, eu sei, não haverão de escorregar por entre os dedos...

Comentários

Eu curto, e muito!
Lau, você postou, simplesmente, a arte do meu predileto, aquele que fala direto e fundo ao meu coração...meu querido Mário Quintana. Adorei!!!

"Poesia, pois é..." e "Colhendo imagens por aí" estão deliciosos de ler.Retratam momentos, instantes daquela inspiração pura e simples que eu tanto amo.

Beijos
Anônimo disse…
Agente se re-conhece em certas palavras-pessoas.
Vir aqui e pousar os olhos nas letras do poeta, é descobrir fragmentos do que foi, é, será...
Lau, constrututor de palavra-asa-língua-céu-da-boca.
Beijos saudosos
Tua sempre amiga Beatriz.

"Desvirginei
tuas pupilas,
penetrei teu mundo."

Abrahão Cost'andrade
Anônimo disse…
Ah, de repente as letras começaram a sangrar...
em rubro-escarlate-sangue-vida-dor-paixão-atuo-emoção.
Gosto dos poemas vermelhos.
Beijos
Beatriz
Alice disse…
Lau, queria sua opinião sobre uma matéria que escrevi essa semana para um site chamado www.revistampb.com.br

Quando você tiver um tempinho...rs

Beijo grande e sucesso na caminhada!
Alice
Priscila disse…
Pena não poder comparecer aos seus lançamentos. Parece que em maio vai ter feira do livro aqui. Já pensou na possibilidade? O público do sul costuma ser receptivo - tendo em vista um país que lê, na média geral, menos de 2 livros por ano!

Bom, final do ano, se tudo ocorrer dentro do previsto, devemos lançar a coletânea em Sampa e no Rio. Aí, quem sabe, a gente se cruza.

Abraços!
Nina Araujo disse…
Poeta margilau querido!!Quintana meu querido Imortal que perdeu vaga para Maribondos de Fogo de Zé Sarney(nossaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaa!!!)é o Imortal de meu coração como Manoel de Barros.Voce é tão poeta,Lau Siqueira...ó uma proçê daqui no meu Rio Denguoso,ó Deus!!!Beijos cariocas.

Tempo poeta

O meu tempo é portentoso
Ele come na minha mão
Quando sonho o poema
Vou às Antilhas num vento
Verso em tal contentamento
Que nem pego um avião...

Sonho o espaço ampliado
Sideral caminho de fatos
Rimas que os poetas clamam
Mil andorinhas nos matos
Pato em traço perfilado
E praças onde homens declamam...

Nina Araújo
não. o fenart desse só não está pior porque as mesas redondas e palestras estão bem interessantes, e a programação teatral também. Mas isso talvez seja culpa da produção do teatro paraibano, e não da seleção.

e essa história de custar 3 reais?
passo.
Lau, pus um poema teu, do Texto Sentido, no Blog. Inicio com ele a postagem de alguns poemas diletos. É isso, caro. Um abraço.

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