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segunda-feira, 19 de maio de 2008

HOPKINS

Meu coração carece apenas pena; tento
Meu triste mim viver agora doce entrega
À piedade; não mais tormento a mente lega
À atormentada mente em mais e mais tormento

Vou em busca de paz, sem ter contentamentos,
Tateando a impaciência, em trevas, como cega
Visão que pede luz, sede que não sossega
Em mar sempre maior que a sede do sedento.

Alma, mim; ah! Meu João-de-mim, cria juízo,
Descansa, pobre ser; ao teu pensar dá-lhe uma ilha
Nalgum lugar; à paz, raiz-espaço; e o riso,

Deus sabe quando ou quanto; um dia, ei-lo que brilha
Não retorcido e- como um céu que, de improviso,
Entreave montes – luz, maravilhosa milha.

- do poeta inglês, Gerard Manley Hopkins – 1844/1889 – no livro A Beleza Difícil (Editora Pesrspectiva), com tradução de Augusto de Campos. Um livro fundamental para a história da poesia.

PALAVRAS BONITAS
Belas palavras! Eis uma frase sempre seguida de uma impávida exclamação. Não me cabe, digo sempre, buscar escrever belas palavras. Prefiro, ao invés, descrevê-las... desnudá-las, revivê-las como se as minhas eternidades bastassem em cada instante. E como se existissem belas palavras... ou palavras feias.

ONDE A CORDA REBENTA
O pior de tudo, eles não sabem. A corda não rebenta sempre no lado mais fraco. Se chove canivete, até os nós se desfazem. Mesmo na parte mais grossa da corda. Em verdade, todas as cordas começam a ruir por dentro. O que é dentro não suporta a pressão do que é fora. Então a corda rebenta independentemente do seu lado fraco.

RESISTÊNCIA
O que move uma pessoa e pode torná-la grande, são os seus ideais. Nada mais. Na época dos abutres morais, a vergonha se esconde da vaidade. Há os que querem as luzes a qualquer preço... há os que preferem caminhar pela noite, até encontrar a alvorada.

sereno

ombros não constrangem
eles são ótimos remadores de poço

não permitem que ausência
alguma apascente o sombreiro deste
meio-dia-meia-vida
entre o espanto e a certeza que emerge
do provir

a vida tomou proporções metafóricas
e as metáforas mais pesadas que o ar
voam mais alto

sob os olhos
de um cão
que já morreu

: eis uma forma de repelir angústias
reagir aos espíritos comungados
no acaso


(poema em processo. Colhido numa das edições do blog, de tempos atrás. Pode aparecer novamente, completamente mudado. Aguarde, ou não.)

Um comentário:

*izil* disse...

Gostei...
tam com o tempo vou mudando meus poemas.
Otimo conhecer este blog.
izil