áries




quando nasci
meu pai plantou uma figueira

árvore que nunca mais vi

-




mas nenhum anjo louco
pousou na minha janela
ou qualquer andarilho pirado
parou diante do jardim
onde meu gado de osso colhia
o sumo das geadas


só por isso já valeria
e sei que por muito pouco foi assim


( )


minha mãe comemorava o próprio destino


meu pai tecia numa velha harmônica
um som de milonga que me partia em blues

era um dia azul e eu nasci

gremista roedor de unhas apaixonadamente
empenhado em sacudir as estrebarias
e libertar os bichos

cresci quando o silêncio era o preço da carne
na pajelança dos generais

suportei porque aprendi a voar

bem alto

alto

alto


(...)

até ficar com falta de

a
a
r
r


(ls - poema vermelho)


NA XAPÓN
Hoje encontrei minha doce amiga Lila no “Armazém” Tambiá. Ela queria comprar um livro meu. Magina! Deu certinho! Eu queria comprar uma leitora. Ficou um a um. Mas o livro era para sua irmã que mora no Japão e, creiam, é freqüentadora assídua aqui do todo poderoso Poesia Sim. Obrigado, amiga distante! Vou te mandar meu livro. Aqui eu busco o abrigo das palavras para esconder o que eu realmente sinto ou para revelar as pegadas que vivo. Outras pessoas também andam por aqui e não comentam. Apenas bebem as palavras. Tenho certeza que algumas cospem fora, vomitam... Acho até que algumas engolem e, mesmo quando ácidas, deliram.

MERDA PRA VOCÊS, BETO e TCHÊ
Reencontrei no orkut meu amigo Beto Quirino, um guerreiro do bem. Mais um artista paraibano bailando nas ondas das mini-séries da Rede Globo. Ontem soube também que meu colega de trabalho, Alessandro Tchê, foi selecionado para outra mini-série global. Tchezim vai interpretar o velho guerreiro Chacrinha quando jovem. Muita merda pra vocês, queridos amigos!

VONTADE DE RIR
Andei tendo alguns diálogos impertinentes nos últimos dias. Engraçado: comunicar-se é um risco na era de aquários. Aliás, na de áries também! Até os poemas viram argumentos ao ego ferido. Imagine, nesta gaiola de espantos tem espaço pra tudo. Ando vivendo de tudo um pouco. Alegrias imensas e emoções que quero esquecer... Por isso preciso escrever. Algumas coisas não mais me abalam. Apenas enojam! Feliz do poeta - que faz da palavra uma possibilidade de vôo – e ainda consegue voar por sobre as mesmas lesmas esmas esmas esmas...

VONTADE DE CHORAR
Para algumas pessoas as palavras ficam distorcidas. As emoções confundem a vida... São ferros batendo na agonia. E ainda há uma estranha fatalidade no destino: elas continuam colhendo das margens do espesso e caudaloso rio, a experiência extraordinária que é respirar e sentir o ar retirando os males dum peito desavisado. Ponto!

ESPESSURAS
O que importa é que somos filhos das mesmas luzes.
E é por isso que nada explica nada!

Comentários

Palmas! É o que me ocorre dizer, já que aqui não se pode fazer barulho -:))))
"Caí" aqui nem sei bem como, e tenho que dizer: gostei!
É um blog muito bom. Tenho que voltar.
Beijos
Mariazita
Clarissa Marinho disse…
Estarei me repetindo ao dizer isso,mas é só o que me ocorre dizer qdo venho aqui:ô caba pra escrever bem! hehehe

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