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domingo, 1 de junho de 2008

na pele de um rio



a solidão
é a uma pedra que
no meio de uma tempestade
permanece imóvel

uma provação aos ventos

a escuridão que não fere
e tantas vezes absorve
o limo

tantas vezes transborda

um cântico
ao silêncio dos românticos

coisa roendo os ossos

testando o limite do que
alimenta o ar

(ls – poema vermelho)

GRANDE CAMPINA
Estive ontem em Campina Grande conversando com um grupo de artistas sobre a questão das políticas públicas e a relação com as instituições, enfim... a falta de, também. Articular, organizar, planejar e insistir, formar... eis as palavras que estiveram na pauta. Aliás, As palavras pautaram a reunião. oO Universo faz sentido!

ERROS CRASSOS
Tenho convivido com a repercussão de erros crassos e com a remissão de atitudes ridículas. Tudo numa didática comum: a vida é uma estrada de mão dupla. O que perdemos quando esticamos a corda sem saber da sua espessura, é o conceito de partilha desigual. Não compreender a circunstância do outro é um erro crasso e a pífia performance do ego.

VOCAÇÃO
Não tenho vocação para o escárnio. Muito menos para a diluição. Não tenho vocação para ouvidos moucos. Também não tenho das noites uma lua pontilhada. Prefiro resumir minhas impossibilidades e caminhar sem medo dos becos e das esquinas distantes...

DA DISTÂNCIA
Não nos vemos, mas penso em tu. Penso que a vida é um tal de escoar pra dentro tudo que transborda e não se cumpre. Penso que todo o resto que há, nasce de um olhar que às vezes se perde mudo.

FLORES DE MAIO
Cada dia, cada instante... o tempo quando denso, tem um significado íngreme. Não há hora de chegada nem saída. O tempo é aqui e agora, com nossas convicções e nossas dúvidas...

POEMA DE ROBERTO PIVA

Eu atravessei manguezais
& estrelas
sementes espalhadas
na voz do olho obscuro
répteis abandonados no pó das estradas
Esta Serra enforca o horizonte
Nômade no Absoluto

(Roberto Piva é poeta paulista nascido em 1937. O poema acima se chama Gavião caburé e se encontra na antologia “Paixão Por São Paulo”)

POEMA DE WALTER GALVÃO

Possibilismos 3
(Da série dos espelhamentos)

Ao ar nascido
equilíbridodesperto amotinado
todo dia.

Minha carne não está à venda.

Meus olhos abertos
bichos comparsas
esvoaçam a esmoentre espinhos.

Esta sina de trapézio
prisão de espelhoeu sei...
fascina

metade é nada
a outra é desejo
paixão e trapaça
palácio, degredo.

(Walter Galvão é um poeta e jornalista paraibano autor de tanta coisa bonita que, sinceramente, merece uma edição especial aqui no blog. E terá.)

5 comentários:

Anônimo disse...

Noites boas!
Teu desabafo vem percorrendo e ecoando... até quem habita o mais profundo precipício, compreende... mesmo sendo mouc@!

Vc tava com o olhar tão distante naquela noite... Alguma coisa ou alguém te perturbava?

bEIjInhOs sEm mIrA/mArA ;))

Fernando Rosa disse...

Adorei a poesia. Aproveito para pedir permissão para adicionar o teu blog à lista de links no meu blog.
Voltarei.

alana disse...

E tu vieste a Campina?! :(

Antonio disse...

Caro Lau :
Tenho aprendido muito da arte da palavra no teu blog e nos teus livros..O sumo,a suma-arte,fim e reinicio infinintesimal..Paz,poesia e inspiração ..
touché
http://poetasdeguarulhoseoutrosversos.zip.net

Clarissa Marinho disse...

Bonitas as poesias.Gostei muito da de Walter(achou q vou copiar e guardar hehe).Tuas reflexões também bonitas,sinceras.É bom vir aqui! =D