quarta-feira, 16 de julho de 2008




o poema
não é só linguagem

mas
também miragem

imagem deposta
do avesso

o poema
não é um único rito

é um grilo
no espesso caudal
do silêncio

penso

(ls - poema vermelho)
IMPRESSÃO COLHIDA
Hoje, andando pela avenida, a quarenta por hora, ouvindo Zeca Baleiro cantando coisas tipo: “as palavras são minhas, as verdades são suas”, pensei no que tenho lido e aprendido sobre essa experiência que ao mesmo tempo separa e une as coisas. O que é ao mesmo tempo forma e conteúdo. Seria esse o umbigo do (meu) gosto?

outro lado


nas palavras
que escrevo o poema
sigo em busca da seiva
de um dia passado
nas brancas nuvens de
alguma ária dormida

alguma coisa intensa
que me fez pensar
melhor sobre o direito
de estar dentro de um
oco estandarte
na celebração do eixo

na simulação de um
erro de palco
um cálculo incerto no
meio dos arremedos
de versos que saltam

como os peixes
de rio nenhum

(ls - poemas vermelhos)


CAMINHANDO
Meus dias são de vivência extrema. Cada passo, cada espaço guardado... cada espaço é um jardim e uma horta. Uma mistura do que nos alimenta com o que nos encanta. Se pudesse fazer um balanço, repetiria Ednardo: “Eles são muitos mas não sabem voar.”

JOSELY VIANNA BAPTISTA

A água mede o tempo em reflexos vítreos. Mudez
De clepsidras, no sobrecéu acendem (como anjos suspensos
Numa casa barroca), e em presença de ausências o tempo
Se distende. Uns seios de perfil, sono embalando
A rede, campânula encurvada pelas águas da chuva.

No horizonte invisível, dobras de anamorfoses;
Sombras que se insinuam, a matéria mental.

OS FINALMENTES
Concluo o post com um belo poema de uma das poetas mais expressivas da poesia contemporânea brasileira. “Rivu”, da paranaense Josely Vianna Batista. Também extraído da antologia Jardim de camaleões, comentada em algum dos últimos posts. Antes escrevi, apenas. Num escrever por escrever. Ando relendo aos fragmentos, “O prazer do texto”, de Rolando Barthes. Um livro que faz pensar que a leitura de um texto é, na verdade, uma conexão.

11 comentários:

Ni ... disse...

Moço, não faz idéia da honra que senti com tua visita nos meus rastros, afinal, viajo nas tuas letras e gosto demais deste passeio...

Obrigada pela visita e será bem vindo se quiser retornar ;-)

Anônimo disse...

Está bem, Lau. Está tudo bem... Beijos, Adriana Zapparoli

RPA disse...

Olá,
Vim lhe apresentar a mais nova Web Rádio, feita especialmente para o pessoal que curti músicas artísticas culturais.

Site: www.rpawebradio.com.br
Blog: www.rpawebradio.blogspot.com

Bee-a disse...

sua poesia é em minha vida grilo e miragem nos silêncio...
há tempos o acompanho e admiro, mesmo sem ter (ainda) seus livros.
não é à toa que o primeiro post no meu blog foi um escrito seu.
bom te achar por aqui!

Jacinta Dantas disse...

O poema é, também, inspiração e expiração: o ar que preciso para renovar as forças do lado de dentro. E de fora...
Beijos

Paradoxos disse...

beij�o grand�o em ti :-)

Anônimo disse...

venha participar em www.luso-poemas.net

Renata!!! disse...

Oiiii, tudo bom?

Adorei os poemas...gostei tb de andar na rua e ouvir Zeca Baleiro..

Beijinhos

Natacha disse...

As palavras são minhas, as verdades são suas. Forma e conteúdo. A dualidade entre a emoção e a lógica. Estas coisas nos puxam para um centro, só não sei se esse centro é o umbigo ou se ele mora fora de nós. Ego cego?

Li um monte de coisas suas no Livro da Tribo. Tem um que eu decorei, adoro. " o que escrevo/ é apenas parte/ do que sinto / a outra parte/ finjo que minto/ e acredito.

Beijão

ViviaNNe SeNNa disse...

Amo poesia! E boa como a sua, mais ainda!!
Também digo Sim à poesia!
Poesia SIM sim SIM!!!

Sonhos Crônicos disse...

É

Ter o gosto acre
da presa vernácula
que nos salta das mãos

Abraços