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Mostrando postagens de Agosto, 2008
byt
(a coragem de manter o riso)


do olho
que lê as coisas pelo
avesso
,
a poesia ruge
tal bicho que se rebela nos
escalpos da alma
,
e some
,
navegando palavras como se um
mar houvesse em cada uma

(e há)

como se lua impoluta e nua

compartilhasse
seu brilho cinzento
dentro de um uni
verso
comun
ista

na semeadura do que virá

ah!

(ls – da série poemas vermelhos. Byt em russo significa cotidiano, rotina...)

POEMA EM PROCESSO
Abaixo publico a terceira ou quarta versão do poema “mimetismos”. Vou realizando pequenas mudanças, como se estivesse a catar feijões cabralinos no alguidar. O poema é uma entidade mutante. Nunca está pronto. Apenas, na maioria das vezes, somos vencidos. Acabamos abandonando por falta de fôlego. Linguagem é peso, bróder!

mimetismos
: caminhando pela margem
? para onde se estendem os braços trabalhadores depois do engenho que os consome ao sol das doze ? quantas jardas abarcam o enluarar
da retina já que o hábito do infinito
é maior que eu
no meio da noite imensa sou como o que se expõe ao próprio medo …
mimetismos

em tempo de colheita
vou caminhando pela margem
porque somente através do olhar
retenho todas as cargas

as mais pesadas cabem no esquecimento
as demais acomodo nos erros que penso
e invento

não sei para onde se estendem os braços
trabalhadores depois do engenho que os
consome ao sol de meso dia

não sei quantas jardas abarcam o enluarar
da retina
apenas comungo com o desconhecido

como se o hábito do infinito tingisse em mim
um entulho tresloucado

ainda sou visto no meio da noite imensa
como o que se expõe ao próprio medo

também comungo em ternura
o que dissolve no ar

(ls – da série poemas vermelhos)

CONSTANÇA LUCAS...
Desenhos, gravuras e livros de artista de Renata Gonçalves e Constança Lucas serão tema de debate. Quem estiver por Sampa no dia 23 de agosto, poderá participar de uma conversa com as artistas, a partir das 15 horas, na Graphias – Casa da Gravura (http://graphiascasadagravura.blogspot.com/) que fica localizada na rua Joaquim Távora, 1605 – Vila Mariana, São Paulo-SP (o ponto de ref…
o dito

I
escrever poemas
e rasgar o silêncio
guardado no invisível

II
na pulsação cardíaca
além dos batimentos

III
acumular sentimentos
puros

IV
: e os imundos também


V
esculpir nos sentidos
o barro da linguagem

VI
)que viagem(

(ls – poema vermelho)

AS ESCOLHAS AFECTIVAS
O blog “As Escolhas Afectivas” está, na verdade, formulando uma antologia virtual da poesia brasileira contemporânea, a partir das indicações dos próprios poetas. O afeto, no entanto, traduz-se em alimentação estética. O blog foi criado pelo poeta argentino Aníbal Cristobo, mas hoje é editado pelo poeta Renato Mazzini. Agradeço pela generosidade do convite. Visite o blog: http://www.asescolhasafectivas.blogspot.com/

OS DESENHOS DE CONSTANÇA
A artista portuguesa Constança Lucas se tornou naturalmente uma parceira para um próximo livro. Constança é a autora do desenho que está na capa do Texto Sentido. Artista visual de muito talento e já com uma bagagem considerável dentro do cenário contemporâneo. Constança Lucas tem uma relação da mais ab…
miramar

minha morada é uma janela
por onde sinto os tremores do
mundo

meu quintal é uma ilha
guardada por beija-flores

de onde meus saltos de milha
transbordam em silêncios
profundos

...

meu sonho é feito de aço

(ls – poemas vermelhos)


POP POÉTICA
Escrever poemas é não temer o ridículo, tenho dito. Escrever poemas é um ato de uma inutilidade imprescindível. É arriscar-se sempre no limite além do limite. Um mergulho cósmico no oco da procura. Escrever poemas é, sobretudo, transgredir-se permanentemente. É saber-se muito além do que buscamos, quando buscamos. É saber que a poesia é a beleza do vôo e não o pássaro. E que o poema é um processo de tradução de pegadas atemporais, ancoradas na linguagem. A poesia, nem tanto. Ou melhor: nem tonto. Sei lá!

ROMANCE DO VAQUEIRO VOADOR
Quem não viu ainda o filme Romance do Vaqueiro Voador, do Manfredo Caldas com o Luiz Carlos Vasconcelos protagonizando, deve assumir esse compromisso consigo mesmo. Nunca mais vejo Brasília com os mesmos olhos! Juro! Manfredo de…