miramar

minha morada é uma janela
por onde sinto os tremores do
mundo

meu quintal é uma ilha
guardada por beija-flores

de onde meus saltos de milha
transbordam em silêncios
profundos

...

meu sonho é feito de aço

(ls – poemas vermelhos)


POP POÉTICA
Escrever poemas é não temer o ridículo, tenho dito. Escrever poemas é um ato de uma inutilidade imprescindível. É arriscar-se sempre no limite além do limite. Um mergulho cósmico no oco da procura. Escrever poemas é, sobretudo, transgredir-se permanentemente. É saber-se muito além do que buscamos, quando buscamos. É saber que a poesia é a beleza do vôo e não o pássaro. E que o poema é um processo de tradução de pegadas atemporais, ancoradas na linguagem. A poesia, nem tanto. Ou melhor: nem tonto. Sei lá!

ROMANCE DO VAQUEIRO VOADOR
Quem não viu ainda o filme Romance do Vaqueiro Voador, do Manfredo Caldas com o Luiz Carlos Vasconcelos protagonizando, deve assumir esse compromisso consigo mesmo. Nunca mais vejo Brasília com os mesmos olhos! Juro! Manfredo desmontou o mito do progresso, revelando a brutalidade do empreendimento dos anos bosta nova de JK. Ao mesclar a ficção sangrenta do cordel com a realidade crua das obras edificadas sobre esqueletos dos candangos, Manfredo soube encontrar o melhor signo do Cinema. Exija de você a experiência forte de assistir esse filme. Raros filmes me fizeram chorar nestes 51 anos de paciência. Este foi um deles. Triste. Contundente. Real. Necessário. Revolucionário. Enfim: ducaralho!

ROBERTO MENEZES
Sempre fui atento ao que os jovens estão escrevendo. Essa pulsação da criação literária é, talvez, a melhor característica da nova literatura brasileira. Faz pouco que conheço a literatura do jovem Roberto Menezes. Um físico com doutoramento da eterna busca que é a linguagem literária. Agora recebo e-mail de Roberto convidando ao seu blog. Conheço então uma outra faceta do jovem escritor paraibano: o poeta. Com as tatuagens da melhor poesia brasileira contemporânea, Roberto abre as asas para um mergulho no universo. Não pude deixar de linkar seu blog ao meu, Roberto!

RESPONDENDO PRA ZUNAI
"Como está a poesia brasileira hoje?" Pouco antes de ler o e-mail com esta pergunta, eu estava lendo uns versos de Dylan Thomas. E lá eu vi minha alma no desmanche de egos que é a verdadeira poesia. Então, não há como. Acho que a poesia brasileira, não é brasileira. É apenas poesia. Acho que para nós, poetas, a nossa pátria é uma estética. Nem tanto a língua, porque existem tradutores excepcionais. A poesia contemporânea dos poetas nascidos na Terra de Vera Cruz é um salto no escuro com farol e pára-quedas. Há um vigor e um rigor em determinados setores. Há um sectarismo estético próximo da ira, em outros. E, finalmente, a poesia não está nem aí. Para alguns poetas, isto é o que importa. Felizmente!

Comentários

Rapaz, estou com um outro blog. Licka ele aqui e entre pelo lick para ele linkar autromaticamente lá.
Vê se comenta: http://literaturaclandestina.blogspot.com/
Eu assumi o compromisso comigo. tô de folga no fim de semana. Vou ver como é que vaqueiro voa! (eita... ficou quase um "vovó viu a uva"!! risos)

beijinho!
Betomenezes disse…
Oi Lau, fico feliz por ser mencionado no teu blog (que leio faz tempo).

Abraço.

Volte sempre.

Betomenezes
adriana costa disse…
Oi Lau, conheci um pouco dos teus poemas no orkut e no livro "Na virada do Século". Agora visitarei sempre o blogue. Parabéns pela obra.
abraços
Ricardo Valente disse…
Gostei demais dos teus poemas, gaúcho!!! Abraço

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