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quarta-feira, 3 de setembro de 2008

retícula

na teia de um comício
guardo este sorriso
meia-boca

sem meias verdades em
palavras que transbordam
num texto sentido

enfim

:

a vida passou por aqui

!

(ls – da série poemas vermelhos)

O DEBATE EM RECIFE
Foi bom estar em Recife com gente massa, rever amigos. Fiquei aperreado porque cheguei na Livraria Cultura na mesma hora que o poeta Delmo Montenegro, o coordenador a mesa para a qual eu estava escalado. Atrasei! Na verdade, a própria mesa estava atrasada. Mas, sempre é bom participar de eventos como o Festival Recifense de Literatura. Pesa-me alguma coisa na revolta quando penso nessa discussão sobre as possibilidades do livro e da leitura. No mais, foi tudo muito fulminante.

EU NA CRONÓPIOS
Foi fulminante, por exemplo (logo após o término do nosso debate) o convite do poeta Edson Cruz, editor da revista Cronópios. Ele me convidou para assinar uma coluna na revista. Claro, aceitei. Fiquei super feliz com o convite. Trata-se de uma revista super conceituada, com um quadro de colunistas do primeiro time. Conheça a Cronópios, conheça seus colunistas! Culunistas do mundo, uni-vos!

VOLTANDO AO DEBATE DE RECIFE
Nos cabe fustigar o neoliberalismo cultural. Há uma necessidade da quebra dos monopólios privados para que aconteça um crescimento econômico, na cultura, paritário entre as regiões. Isso em outros setores da economia, logicamente, também. O monopólio privado do livro e da distribuição, no Brasil, é algo espantoso. Chega a praticamente a 100% do mercado. Por que é por exemplo, que uma região com uma tradição literária como o Nordeste cuja robustez econômica já gerou um parque gráfico portentoso, não possui uma única editora com distribuição nacional? O que eu acho foda é que isso fica de fora do debate , cultural e econômico no Brasil.

O MERCADO QUE ME CABE
Tive a sorte de ter lançado meu Texto Sentido com um bom nível de aceitação. Também não posso me queixar de forma alguma das vendas virtuais. Meu livro não foi para as prateleiras. Eu disse não às livrarias. Uma atitude contra a ditadura insana de um mercado do livro que há muito já entrou na dança do créu. É o lucro pelo lucro. Esta é a lógica dos tubarões. Por isso decidi no tribunal das minhas inconstâncias, que esse livro fosse distribuído mão em mão. Se possível, gosto de olhar nos olhos de quem compra meus livros. Se não, com um contato pessoal co o leitor ou leitura, até via e-mail.

NÃO HÁ PREÇO, HÁ PRESSA!
A poesia me rende uma circunstância muito favorável na vida. Não me faz melhor que ninguém, mas principalmente não me faz outro. Isso não há dinheiro que pague. Eu penso poemas quando vou comprar pão! A poesia é uma profissão sem riscos. Não enriquece, mas também não permite que o camarada morra de fome. Os cordelistas são o melhor exemplo disso.

AINDA EM RECIFE
Foi fulminante também a minha saída, quase que diretamente para João Pessoa. Conversei rapidamente com alguns poetas, de Recife e de fora. Conheci a simpatia e a meiguice de Nildinha, estudante do mestrado em Letras que está à desenvolver um artigo sobre a minha poesia. Fui com minha filha, Mariana. Bem antes das 22h, já estávamos em casa.

AS OFICINAS EM MUÇUMAGRO
Uma experiência pedagógica fantástica está sendo desenvolvida em João Pessoa. As oficinas de leitura que temos realizado pela FUNJOPE envolvem as crianças em torno do prazer da leitura. Pouco importa se as “armas” são cênicas, musicais, performáticas. O que importa é fazer do ato de leitura um ato de sedução de horizonte mais largo para essa geração que vem vindo, vem vindo, vem vindo... Em Muçumagro, fiquei feliz pela presença dos pais de alguns desses meninos e meninas. As políticas de educação deveriam ter uma atenção maior com a leitura. Afinal, como dizia Roland Barthes, "a literatura contém muitos saberes." Também, segundo Antônio Cândido, "a literatura é um dos direitos humanos".

Ó!
Estou tentando melhorar em tudo, sempre. Ultimamente, imagine, até de mim tenho cuidado. Mas, ainda durmo pouco... me sobram motivos. Atualizar o blog, por exemplo.

(Tenho poupado meus tendões. Por isso estou meio fora do orkut, msn e mesmo e-mails)

2 comentários:

Nana disse...

e eu quero mais! foi muito bom te ver no debate, papi. :)

Pavitra disse...


a vida passa aqui e traz a poesia (e meus olhos, muito antes do blogspot denunciar) rs

adoro seu blog e acima de tudo seus poemas.

soube agora, lendo esse post que seu livro não está nas prateleiras, mas ja vi o link da loja virtual...

não há preço, há pressa - como isso me falou diretamente...