zona do ébrio


no
ruído
das asas

(abelhas em vôo sobre
a relva albergada
no silêncio)

o guri noiado
acrobata de semáforo
caminhando em direção
ao cercado fumê

) bah

as mesmas asas partidas
do anjo barroco guardado
na orgia das palmas

(fosco
é o brilho
do nome)

some

(ls - poema vermelho)

Quando escreve, qual o efeito estético visado?
Quando escrevo é como se mergulhasse num oceano muito profundo. No caminho vou descobrindo peixes e algas... visões e invenções de areias e pedras com as quais vou elaborando efeitos que, muitas vezes, me surpreendem e revelam as imensas possibilidades do poema.Andando por esta vida de alegorias e espasmos começo a perceber tardiamente a desintegração do ócio

ALGARAVARIA
O texto acima foi extraído de uma entrevista minha ao blog Algaravária, do poeta e amigo Carlos Bensen.

GUSTAVO LIMEIRA
Quando lancei O Guardador de Sorrisos, em 1998, no Pavilhão do Chá, em João Pessoa, Gustavo Limeira tinha apenas 5 anos. Fez questão de recitar meus poemas numa performance comandada pela escritora e amiga Dora Limeira. Tempos depois, sabendo que Guga escrevia uns versinhos, solicitei a liberdade de enviá-los para os editores do Livro da Tribo, onde foi publicado pela primeira vez. Agora ele publicará seu primeiro livro. O prefácio é meu, Guga!

OS FALSOS PUDORES
Alguém há de se pronunciar: ah, mas ele é muito novo para publicar. É mesmo? Não, não é. Na verdade, publicar não faz ninguém melhor poeta. Publicar um livro é cavar uma biografia feita de palavras, apenas. Não há nada de excepcional nisso. Ninguém garante que uma pessoa de 50 anos possa estar madura o suficiente para publicar um livro de poemas. É a poesia que escolhe os nossos caminhos e não o contrário.

JOÃO CABRAL

A folha branca é a tradução
mais aproximada do nada.
Por que romper esta pureza
com palavra não milpesada?

A folha branca não aceita
senão a que acha que merece:
essa só sobrevive ao fogo
desse branco que é gelo e febre.

Com o poema do mestre, acima, me convido a pensar esse exercício. Às vezes olho o resultado de um poema e penso: Nossa, ainda bem que não sou baterista. Tem poema que faz um barulho enorme. Aliás, tem poema que acontece apenas e com o livre arbítrio de quebrar o silêncio do limite branco. E só por isso já merece ter nascido.

Comentários

Mayra disse…
a plasmação da beleza, é o que vemos no seu exercício poético.
Parabéns.
Joana e Belarmino
Mayra disse…
a plasmação da beleza é o que vemos no seu trabalho poético. Parabéns
Joana e Mayra
*izil* disse…
Poxa, estou emociona em deixar comentário para um poeta.
Foi muito bom conhecer este blog :-)
izil
fred disse…
Passando pra te ler, deixar um grande abraço e que o ótimo "Texto Sentido" é sempre ao alcance da mão.
Joana disse…
Fiquei por aqui, vendo a sua escrita. Gostando muito.
Clarissa Marinho disse…
Cada exercício poético teu,cada tentativa,é tão boa de se ler qto o produto final.Como se a poesia já fosse,e depois de posta pra fora,precisasse só de um polimentozinho! hehe
essa coisa de se pensar em si mesmo, de se descobrir, se descascar e em cada camada procurar a linguagem. acho q é por aí.
Mas sera que faz diferenca quando um monte de gente olha e carimba a qualidade?
É reconhecer a beleza e a habilidade do poeta em trabalhar essa linguagem? sei lá. também nao sei se quero saber.
Estou sempre voltando, sem necessariamente ter ido,mas tô voltando. Pra cá também, pra tuas letras...
beijo grande!
Constança Lucas disse…
Quero partilhar com você um prémio que recebi e acho que tem muito a ver com a orientação do seu blog. Dê uma olhadela e pegue o selinho. :) Abraços
Fióta disse…
Papirus, quero ler o prefácio e os versos do guri!

te amo bem pouquinho!
Átila Siqueira. disse…
Adorei o poema acima. Fala da realidade social, mas de uma maneira muito sensível e especial. Eu gosto muito desse tipo de poesia, me fascina.

Vi também ao lado o seu livro, e quero lhe dar os parabéns por ele. Estou lançando o meu primeiro livro dentro de alguns dias também. Se quiser, depois visite o meu blog. Será um prazer recebê-lo.

Um grande abraço,
Átila Siqueira.
Mergulho no misterioso oceano profundo & profano das palavras! Formar conexões faiscante que provoquem a combustão do Sentido. Ah-ah!! Voilà! Eis o efeito... sim, súbita iluminado em meio ao vendaval de palavras, de coisas, de incognoscíveis e inomináveis estados outros. Atingir o âmago da imagem, capturá-la, espargi-la, corrompê-la no movimento da língua em direção aos ouvidos & corpos, ou a violência sutil do olhar.

BONS TEXTOS LAU
Abraço

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