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Mostrando postagens de Outubro, 2008
olhar

o que não dizem
esses olhos fechados
que consomem o zinco
dos telhados antigos

onde o granizo ainda
batuca seus gemidos
numa noite que dorme
lá fora

ufa!

(ls – poemas vermelhos)

DONALDO SCHÜLER
Fiquei impressionado com a figura do Professor Donaldo Schüller, no PortoPoesia2. Aquele senhor de terno, gravata e touca de rapper na cabeça. Exatamente ele que disse ter nascido a 12 bilhões de anos, com a convicção dos eternos. Devia ter pedido o autógrafo. Comprei um exemplar de “Poesia Modernista do Rio Grande do Sul”. Donaldo Schüller é um erudito, sem pompas, sem teses... ele faz do pensar a poesia uma balada do cotidiano.

CRONÓPIOS
Comecei a escrever e tive que interromper por questões outras, a minha próxima coluna no portal Cronópios, sobre as coisas que me chamaram a atenção no Porto Poesia. Um festival de poesia diferente, pois reúne as diferentes tribos locais, numa mesma pajelança. Adorei a presença do poeta Oliveira Silveira no evento, discutindo a poesia negra. Gostei de ter conhecido …
propoema

escrevo poemas
sem pena de mim

como se
cravasse na jugular um
silêncio incontido

um silêncio
vestido de palavras
imundas e mudas

escrevo poemas
sem percalços na
isonomia do asco

palavra por palavra

tanta vez
me desfaço

(ls – poemas vermelhos)

APITO

Pensar o poema e não ter medo de não ter esse pensamento catalogado no livro de ouro das palavras. (Meios que tanta vez não justificam os fins.) Pensar o poema não é (ainda) a aventura, o risco vital de escrevê-lo.
Quais são as necessidades de escrever um poema?
Não sei quais são as minhas, mas podemos resgatar algumas. Nem todas estiveram descoladas da vida.

UNITÁRIO
Ele tem problemas para encontrar suas próprias coragens. Precisa de ajuda. Sua mente parou em alguma janela. Parece que sente uma necessidade imensa de estar em outro mundo. Alguém precisa ensinar-lhe a abrir suas próprias portas... e caminhar com as próprias prosas.

ABANDONO
Fincada ao pé do Cerro da Pólvora, na periferia infinda do esquecimento. Ela espera a morte comer-lhe o esôfago, par…
dinossauro
de mim mesmo
fui deixando rastros
sólidos

rijo e crespo

por onde o arvoredo
não transita
e as luzes que tingem
o infinito
traduzindo
uma eternidade de
instantes

caminhei
com a violência das
horas caladas

sumidas sobre
as minhas andanças

como um oco
que se avoluma no
clamor das noites
de lua densa

(
sinto
como quem ao
sentir
pensa
)

(- ls, poema vermelho. Sob o luar abstêmio de um retorno programado.)
POROS PAMPAS
Ando pelos pampas em busca das minhas memórias. Passadas, futuras...coisas que deixei no tempo e para as quais retorno sempre com a sede avançada dos dias. Vim buscar minhas tristezas. Minhas estações tardias. Volto com as mãos em esteio e o coração em chamas. Novamente aquecido na agonia de percorrer os próprios desvios.. Vim buscar os versos que me faltam para seguir em frente...

POROS PAMPAS I
Andei por onde não mais encontro meus passos. Com as botinas descalças do destino. De frente pro meu abandono. Querendo rever o que me falta... e o que não me solta, por delírio ou temor. Um idioma que…
improvivo

seco
como uma lágrima

escorado
na pele do espanto

parece miragem

(...)

é linguagem

(ls – poema vermelho. Ou seja, inventado agora)

UM PORTO NÃO MUITO ALEGRE
Lembro da canção, não lembro mais do autor. Falava de um tempo não muito alegre. Os militares no poder. Hoje li uma reportagem no decadente Jornal Zero Hora (decadente como a maioria dos grandes jornais) sobre a repressão à encenação da peça Roda Viva, há quarenta anos. Atores sendo intimidados pelo Comando de Caça aos Comunistas (o temível CCC) e o belo teatro Leopoldina sendo pichado pela direita raivosa. Depois o teatro Leopoldina foi transformado em Teatro da OSPA (Orquestra Sinfônica de Porto Alegre). Agora o teatro da OSPA está fechado, a orquestra está sem teatro e se discute a transformação do antigo Leopoldina em igreja. Que tristeza!

PORTO POESIA 2
Ontem foi a minha participação no Porto Poesia 2. Um evento que se revela e se rebela. Praticamente sem apoio, os poetas porto-alegrenses foram extremamente ousados e criaram um…
PORTOPOESIA
Confira aqui a programação completa: www.portopoesia2.blogspot.com . Minha participação se dará no dia 10 de outubro, a partir das 16h.

corpacorpo


um corpo
visível pomo nuca
soluça na taça

vinho no lado
dormido da
memória

não cabe no oco

indo rugindo rindo
surgindo de dentro

como raiz
que floresce asas

(ls – poema vermelho)


PAREDE POÉTICA
O SESC de João Pessoa está promovendo uma Parede Poética no terminal da CBTU – Central Brasileira de Trens Urbanos, aqui em João Pessoa. Uma exposição onde apareço ao lado de artistas como Pedro Osmar e Cátia de França e também do poético ser que habitou as beiradas da ladeira da Borborema, Manoel Caixa D’água. Boa viagem!

CHEGANDO A HORA
Não vejo a hora, creia, de abraçar meu povo e celebrar com meus mortos a vida transbordante que aprendi com eles. Dia 8, vou dormir em Porto Alegre. Deu saudades de casa, nego! Uma casa que não é mais minha, mas mesmo assim deu saudade.

POESIA NO PORTO
Dia 10 vou falar de poesia no PortoPoesia, ali no Shopping Total, na vel…