dinossauro
de mim mesmo
fui deixando rastros
sólidos


rijo e crespo

por onde o arvoredo
não transita
e as luzes que tingem
o infinito
traduzindo
uma eternidade de
instantes

caminhei
com a violência das
horas caladas

sumidas sobre
as minhas andanças

como um oco
que se avoluma no
clamor das noites
de lua densa

(
sinto
como quem ao
sentir
pensa
)
 
(- ls, poema vermelho. Sob o luar abstêmio de um retorno programado.)
POROS PAMPAS
Ando pelos pampas em busca das minhas memórias. Passadas, futuras...coisas que deixei no tempo e para as quais retorno sempre com a sede avançada dos dias. Vim buscar minhas tristezas. Minhas estações tardias. Volto com as mãos em esteio e o coração em chamas. Novamente aquecido na agonia de percorrer os próprios desvios.. Vim buscar os versos que me faltam para seguir em frente...

POROS PAMPAS I
Andei por onde não mais encontro meus passos. Com as botinas descalças do destino. De frente pro meu abandono. Querendo rever o que me falta... e o que não me solta, por delírio ou temor. Um idioma que fala ao silêncio. Uma distância que começa no que não compreendo. Que não me faltem verbos para enxugar essa tristeza!

POROS PAMPAS II
Muitas vezes disse pra mim mesmo. Vai, porra! Escancara os sentidos ao vento! Sem pele para colher as frias carícias de um minuano afoito.
Hoje, em frente ao túmulo dos meus pais, chorei.

POROS PAMPAS III
Ainda que não tivesse mais tempo para chorar, chorei. Chorei pelos que mergulham no lodo, para nunca mais. Chorei por mim que construí labirintos e transformei a vida em linguagem, no vértice de cada gesto.

POROS PAMPAS IV
Não voltei só do infinito. Trouxe dois pássaros. Colibris que recolhi ao ninho para com eles aprender a voar. A natureza completa seus ciclos. Hoje andei revendo antigos pássaros...

POROS PAMPAS V
Gosto de ver a planície, No pampa o olhar é longe. O gado pastando por entre os alambrados... Recuerdos de um tempo sem muros. Quando ser menino era não ter medo de nada.

POROS PAMPAS VI
No fundo nossas memórias não passam de fotografias antigas,emolduradas numa parede úmida. Passei os olhos numa vida que já não é minha. As dores e as alegrias, seguem comigo...

para não ser esquecido
colhi o cheiro dos bosques
onde a vida não depende
dos que perderam o trem
e permanecem numa
estação abandonada
(..........................................)
sabres espalhados num
pampa de cadáveres que
não silenciam nunca


(ls - poema vermelho)

THE END
Sempre lembrando que poemas vermelhos são experimentações que faço no momento em que escrevo o post do blog. Ou seja: poemas que certamente ainda sofrerão modificações e que podem simplesmente receber um del (ou não).

Comentários

Nana disse…
ow pai... :):):) lindos, os teus poros pampas!
Clarissa Marinho disse…
"As dores e as alegrias seguem comigo"
Quanta renovação tá te trazendo essa viagem!Que vc continue a nos brindar com poemas vermelhos,amarelos,verdes,azuis...
=)
Clarissa Marinho disse…
"As dores e as alegrias seguem comigo"
Quanta renovação tá te trazendo essa viagem!Que vc continue a nos brindar com poemas vermelhos,amarelos,verdes,azuis...
=)
Clarissa Marinho disse…
"As dores e as alegrias seguem comigo"
Quanta renovação tá te trazendo essa viagem!Que vc continue a nos brindar com poemas vermelhos,amarelos,verdes,azuis...
=)
Nada como estar de volta ao ninho. Mesmo que por um curto tempo, um tempinho. Tudo tem outra cor e outro sabor...
Constança Lucas disse…
as memórias são invenções coletivas
cheias de perfumes diversos
Anônimo disse…
Lau... Lau...
Vc faz uma falta danada... Os girassóis estão murchando sem tu... O Rio Sanhauá tá tão sem graça ;( Volte logo viu!!!
Gabi (a bruxinha da vovó - Joana Belarmino) tá aprontado?

Cheiros e beijinhos sem mira ;)
Priscila Lopes disse…
Neste momento:

"sinto
como quem ao
sentir
pensa"


Abraços, Lau
Cinco Espinhos
Fabio Rocha disse…
Belo poema! A noite é hoje, definitivamente, o tema... :) 3o poema que acho seguido com algo sobre ela, após escrever um também. :)

Abraços

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