propoema

escrevo poemas
sem pena de mim

como se
cravasse na jugular um
silêncio incontido

um silêncio
vestido de palavras
imundas e mudas

escrevo poemas
sem percalços na
isonomia do asco

palavra por palavra

tanta vez
me desfaço

(ls – poemas vermelhos)

APITO

Pensar o poema e não ter medo de não ter esse pensamento catalogado no livro de ouro das palavras. (Meios que tanta vez não justificam os fins.) Pensar o poema não é (ainda) a aventura, o risco vital de escrevê-lo.
Quais são as necessidades de escrever um poema?
Não sei quais são as minhas, mas podemos resgatar algumas. Nem todas estiveram descoladas da vida.

UNITÁRIO
Ele tem problemas para encontrar suas próprias coragens. Precisa de ajuda. Sua mente parou em alguma janela. Parece que sente uma necessidade imensa de estar em outro mundo. Alguém precisa ensinar-lhe a abrir suas próprias portas... e caminhar com as próprias prosas.

ABANDONO
Fincada ao pé do Cerro da Pólvora, na periferia infinda do esquecimento. Ela espera a morte comer-lhe o esôfago, para ruir na ruína dos filhos...
Bebo de um gole só minhas tristezas! Como dói, às vezes, estar vivo.

A VITALIDADE
Eu digo, vá! Caminhe o quanto puder amparada pelas minhas mãos. Depois solte as asas pelo mundo, que o que importa é a tentativa do vôo e não a aflição de voar. Cada um procura o próprio caminho. Viver é um sonho que precisa de amparo. O resto é estar sizinho.

noite escura
um pássaro dorme
lá fora


(ls)

Comentários

Mara faturi disse…
Querido poeta,
passando pra fazer uma visita ( matear um pouco);)...
me encantando por aqui...palavra por palavra!!!
grande bjo( já em terras paraibanas?)
* postei dois poemas novos no blog, espia?
Átila Siqueira. disse…
Aquele primeiro poema chamado propoema é muito legal. Gostei muito. Mostra muito do sentimento de muitos poetas ao escreverem suas poesias, quase como se nos machucassemos as vezes ao escrever. Bem profundo.

Outro trecho que me chamou a atenção foi esse denominado Abandono. Realmente dói estar vivo muitas vezes, quase constantemente.

Um grande abraço,
Átila Siqueira.
Juliana Gama disse…
Olá,

Sou a Juliana e também tenho um blog, no qual posto minhas poesias.
Espero que não se incomode em que eu tenha linkado o teu em meu...

Abraços e parabéns pela página.
Lau, te ler é mergulhar no universo mágico da poesia e querer ficar pra sempre...
Não estou conseguindo sair do teu blog,infelizmente o tempo é curto!
Saindo com gosto de quero mais.

Parabéns poeta-mór.

Beijosdafãdecarteirinhadospampascau
LAU SIQUEIRA disse…
Caraca, eu havia escrito percalsos, com s. Preciso me internar num arbusto. Peço desculpas, pois, ao s.
abreijos!
Opuntia disse…
Olá!
Peço licença p/ entrar. Gostei muito do q vi por aqui. O seu "Propoema" parece dizer algo p/ mim, sinto-me como o eu-lírico.

Abraços
miolodepote disse…
É bem verdade que os poetas não têm pena de si. Rasgam o peito numa sangria verborrágica e silenciosa... e sobrevivem a duras e doces penas.

Ou agarram as palavras como se fossem asas (e são) e lamçam-se precipício abaixo na certeza da queda, da morte nossa de cada dia, da fertilidade da dor.

Penso que o grande mérito do poeta de todos os tempos, para além das formas e rótulos, estilos, escolas e tudo mais é ter o condão de "almanizar" a humanidade. A sensibilidade da alma, sua voz trêmula e rouca é única constante, embora variável, da poesia.

Abraço, poeta.

* Gostaria que visitasses essa página: www.miolodepote.wordpress.com

Todas as críticas são mais que bem vindas.
lau eu estou com saudades e com beijos

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