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domingo, 9 de novembro de 2008

berimbau de lua


antes que tudo
fuja aos meus pés

vou caminhando

isento das alegrias
fúteis e das tristezas
dispensáveis

vou como um bárbaro
mirando a lua

viajante do tempo

na beira de um açude
de coisas ocultas

caminho como quem
sabe das bifurcações
e dos disfarces

com medo do que
não amedronta
mais

(poema vermelho – ls)

NA CARAVANA DA LEITURA
Numa palestra brilhante da jornalista Laura Sandroni sobre Monteiro Lobato, no Centro Cultural Zarinha, aqui em João Pessoa, descobri o lado visionário do autor de Reinações de Narizinho e outros clássicos da literatura infantil. Se não estou enganado, foi a escritora Yó Limeira quem reavivou nossas memórias acerca do romance “O presidente negro”. Na verdade, o livro foi publicado com o título “O choque das raças”, em 1926. Sua primeira edição chegou ao público como folhetim, no jornal carioca A Manhã, onde Lobato falava da eleição de um negro para a Casa Branca. Duas décadas depois o título do livro foi trocando para “O presidente negro.”

O Presidente Negro
A narrativa parte de Ayrton, um cidadão que depois de um acidente de carro, transformou-se num visionário. Ele é iniciado na revelação do futuro pela jovem Jane, filha de um tal professor Benson, cuja invenção - o porviroscópio - permite desvendar o futuro. Em sessões semanais, Jane revelou ao espantado e entusiasmado Ayrton os detalhes que envolvem a eleição do presidente americano de número 88. Três candidatos disputam os votos: o negro Jim Roy, a feminista Evelyn Astor e o presidente Kerlog, candidato à reeleição. O enredo desenvolve ainda uma história de amor entre Ayrton e Jane.

O Presidente Negro I
O livro narra uma divisão da sociedade branca americana, em dois partidos: um feminino e outro masculino. Isso possibilita, então, a eleição de um negro. Mas, a coisa não termina por aí. Diante da derrota consumada, os brancos inventam uma “solução”, promovendo a esterilização em massa dos negros, através de um processo de alisamento de cabelos. A história, entretanto, antecipou a previsão de Lobato que leva os leitores para uma ambientação da sociedade americana em 2228.

Um Visionário
Neste livro Lobato prevê, ainda, a criação da internet. Na verdade ele fala de um tipo de radiotransmissão de dados que possibilitaria as pessoas até mesmo cumprirem as suas tarefas laborais sem sair de casa. Ele fala ainda do desaparecimento do jornal impresso, já que as notícias seriam “radiadas” diretamente para as residências das pessoas, onde apareceriam em caracteres luminosos, numa tela. Exatamente como acontece com a web.

O Presidente Negro II
A eleição de Obama nos chega cheia de boas expectativas. Coloca em cheque o regime racista do mais poderoso país do mundo. Especialmente no momento de mais uma crise anunciada do capitalismo mundial (e já posta), as expectativas acerca do futuro da humanidade retomam as esperanças. Enquanto o mundo enche-se de esperança, encontramos mais um motivo para reler Monteiro Lobato. “O presidente negro” foi o único romance adulto escrito pelo autor de uma obra bastante complexa, que se tornou um nome nacional ao escrever um almanaque para o Biotônico Fontoura (o vinho do Porto tupiniquim), o Jeca Tatu.

Formação de leitores
Sempre tive interesse quanto a preocupação de Lobato em relação a formação de leitores. “Leitura é vício enraizado”, dizia ele. Soube hoje que Monteiro Lobato foi um dos criadores da Editora Brasiliense, juntamente com Caio Prado Júnior.

A família Sandroni
Em papo rápido com Laura Sandroni, descobri que a brilhante jornalista é mãe da cantora Clara Sandroni e de Carlos Sandroni, músico e professor da UFPB. “Tenho cinco filhos. Todos são artistas”, me contava a doce criatura que é Laura Sandroni. Ela esteve em João pessoa divulgando a Caravana da Leitura, numa ação cultural do Instituto Votorantim.

10 comentários:

Luciana Marinho disse...

"viajante do tempo

na beira de um açude
de coisas ocultas

com medo do que
não amedronta
mais"

tão bonita essa viagem
nos açudes e nos ocultos
da gente. passar por aqui
é desejar mais poesia sim.

beijos
:)

fred disse...

Uma imensa falha na minha formação: só depois de adulto tomei contato com a obra de Lobato, e contato superficial, é bom que se diga.
Sempre bom te ler, querido Lau, e contente pela sua visita ao meu blog.
Abração.

Márcia disse...

belo-belo!

menino, só faltou vc, lá na FLIPORTO. foi muito, muito bom.

beijo e beijo!

Cosmunicando disse...

grata pela visita, grande alegria em receber tamanho poeta em minha casa =)
bjos

Constança Lucas disse...

oi

tudo bem?

não sei quase nada da revista de que fala, tenho recebido noticias por mail

abraços
Constança

Constança Lucas disse...

oi

tudo bem?

não sei quase nada da revista de que fala, tenho recebido noticias por mail

abraços
Constança

Betomenezes disse...

no calor de minha mediocridade, fiz três versos que juntos não dá um, e é mais uma pergunta do que qualquer outra coisa.

Usa e abusa
Betomenezes

Mucama,
Rima boa
Pra Obama?



-------
Abraço. Roberto Menezes

Sal Ober disse...

poesia sim! Claro!
dera a mim ser poeta.

belo espaço.

saudações


http:\\coresemtonsdecinza.blogspot.com

líria porto disse...

caro poeta
primor todos os poemas vermelhos!!
gosto imensamente da tua escrita, tu o sabes!
besos
líria porto

Ricardo Mainieri disse...

Lau, tenho um poema brindando a eleição de Obama.
Se puder, veja lá em meu blog.
E, parabéns, paraíbanos parecem que vão se livrar do clã Cunha Lima...

Ricardo Mainieri