mel de clorofila



almas queimadas
num samba de meia lua

balas perdidas nos desencorpos
castiços de jó (natimuros)

coça um alívio de arreios
dum tempo vivido no cabresto

porsupuesto

o poema não é presa da agonia

)
ah
poesia
(

poesia é abelha africana
e pólen nos becos da linguagem

como a certeza
que voejou pela fresta da
inquietude

foda-se
fiz o que pude

(lau siqueira – poema vermelho)

ESCREVER POEMAS
Buscar uma razão racional para escrever poemas é algo insano e insólito. Uma insanidade que não permanece quando as palavras saltam pelos cotovelos e formam-se convidando-nos para um bailado de significados e significantes em pulsações irmanadas ao soluço abstrato de um conhecimento imenso, imenso, profundo... sem fundo!

DO ESTALO À ARTESANIA
Não espero muito tempo. A inspiração é sempre do tamanho da minha atitude. Sento em frente ao computador (praticamente todos os dias) e escrevo um poema. Alguns impublicáveis. Muitos poemas podres. Na verdade, talvez nem poemas sejam. Mas, estou lá. Todo dia estou a postos tentando escrever o melhor poema da minha vida. Perdido, no entanto, em tantas vidas vividas e tantas mortes. Mas, o melhor poema da minha vida fica sempre na espera, querendo nascer, querendo nascer... e não nasce nunca!

CONSTRUINDO A ONDA
Vou construindo a onda antes mesmo de inventar o mar. Com poderes de um deus absurdo e catártico que soçobra as mãos no próprio cansaço. Então os versos vão saindo porque precisam exatamente disso. São versos guardados, muitas vezes, nas molduras e não nos profundos olhares. (Coisas que fogem à compreensão racional, como a relação entre o poeta e a Lua. Enfim... )

A ARTE DE ALBERTO LACET
Algum tipo de realismo fantástico cerca a obra de Alberto Lacet, artista plástico paraibano. Lacet vai construindo retratos de personagens reais abstraídos na própria irrealidade de instantes perpetuados ponto por ponto, a partir de cores conjugadas em perspectiva. E tudo vai compondo, construindo uma ambientação transgressora do figurativo ao comportar-se sem receios conceituais. As imagens trespassam o suporte da tela. São belas! São vivas!

Comentários

Serjones disse…
não escrevo poemas, mas contos. e sinto o mesmo que você. a propósito, me fale mais sobre o processo de produção do seu livro! gde abraço
Sal Ober disse…
dera a mim escreverr como o senhor.
fosse eu mais perspicaz e aprenderia um pouco mais
ainda assim eu continuo a dizer poesia sim

saudações

http://coresemtonsdecinza.blogspot.com
O Profeta disse…
Ler-te é uma vertigem de sentires...


Doce beijo
fred disse…
“...o melhor poema da minha vida fica sempre na espera, querendo nascer,...”

E necessariamente tem que ser assim mesmo, grande Lau, pois se em algum momento você achar que já escreveu o escreveu perderá o tesão para escrever qualquer outro.
Abração.
CotidiAmo disse…
Nossa Lau, então a poesia é realmente insaciável, pois sua poesia é incrível e ainda assim batalha por superar-se a cada dia.
Mas sabe que foi ótimo ouvir isso de você e saber que este processo constante, essa busca, faz parte da vida de todos que fizeram esta escolha.

beijos.
jorge disse…
Prezado Lau Siqueira,

Cá em terras capixabas sofre-se deste mesmo "mal" de forjar poemas.
Estarei sempre retornando para uma visita.

Um abraço,

Jorge Elias Neto
mario cezar disse…
eis o estalo; o pássaro,
antes
da ventania. o poema
segue o rastro
mario cezar disse…
eis o estalo. o pássaro9antes da ventania) o poema segue o rastro
Jacinta Dantas disse…
Oi Lau,
talvez essa seja a "sina" do poeta. Ficar à espera do melhor poema.
Um abraço
Nana disse…
"construir a onda antes mesmo de inventar o mar..." pai, tu é foda! bjao grandao!

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