sexta-feira, 28 de novembro de 2008

mel de clorofila



almas queimadas
num samba de meia lua

balas perdidas nos desencorpos
castiços de jó (natimuros)

coça um alívio de arreios
dum tempo vivido no cabresto

porsupuesto

o poema não é presa da agonia

)
ah
poesia
(

poesia é abelha africana
e pólen nos becos da linguagem

como a certeza
que voejou pela fresta da
inquietude

foda-se
fiz o que pude

(lau siqueira – poema vermelho)

ESCREVER POEMAS
Buscar uma razão racional para escrever poemas é algo insano e insólito. Uma insanidade que não permanece quando as palavras saltam pelos cotovelos e formam-se convidando-nos para um bailado de significados e significantes em pulsações irmanadas ao soluço abstrato de um conhecimento imenso, imenso, profundo... sem fundo!

DO ESTALO À ARTESANIA
Não espero muito tempo. A inspiração é sempre do tamanho da minha atitude. Sento em frente ao computador (praticamente todos os dias) e escrevo um poema. Alguns impublicáveis. Muitos poemas podres. Na verdade, talvez nem poemas sejam. Mas, estou lá. Todo dia estou a postos tentando escrever o melhor poema da minha vida. Perdido, no entanto, em tantas vidas vividas e tantas mortes. Mas, o melhor poema da minha vida fica sempre na espera, querendo nascer, querendo nascer... e não nasce nunca!

CONSTRUINDO A ONDA
Vou construindo a onda antes mesmo de inventar o mar. Com poderes de um deus absurdo e catártico que soçobra as mãos no próprio cansaço. Então os versos vão saindo porque precisam exatamente disso. São versos guardados, muitas vezes, nas molduras e não nos profundos olhares. (Coisas que fogem à compreensão racional, como a relação entre o poeta e a Lua. Enfim... )

A ARTE DE ALBERTO LACET
Algum tipo de realismo fantástico cerca a obra de Alberto Lacet, artista plástico paraibano. Lacet vai construindo retratos de personagens reais abstraídos na própria irrealidade de instantes perpetuados ponto por ponto, a partir de cores conjugadas em perspectiva. E tudo vai compondo, construindo uma ambientação transgressora do figurativo ao comportar-se sem receios conceituais. As imagens trespassam o suporte da tela. São belas! São vivas!

10 comentários:

Serjones disse...

não escrevo poemas, mas contos. e sinto o mesmo que você. a propósito, me fale mais sobre o processo de produção do seu livro! gde abraço

Sal Ober disse...

dera a mim escreverr como o senhor.
fosse eu mais perspicaz e aprenderia um pouco mais
ainda assim eu continuo a dizer poesia sim

saudações

http://coresemtonsdecinza.blogspot.com

O Profeta disse...

Ler-te é uma vertigem de sentires...


Doce beijo

fred disse...

“...o melhor poema da minha vida fica sempre na espera, querendo nascer,...”

E necessariamente tem que ser assim mesmo, grande Lau, pois se em algum momento você achar que já escreveu o escreveu perderá o tesão para escrever qualquer outro.
Abração.

CotidiAmo disse...

Nossa Lau, então a poesia é realmente insaciável, pois sua poesia é incrível e ainda assim batalha por superar-se a cada dia.
Mas sabe que foi ótimo ouvir isso de você e saber que este processo constante, essa busca, faz parte da vida de todos que fizeram esta escolha.

beijos.

jorge disse...

Prezado Lau Siqueira,

Cá em terras capixabas sofre-se deste mesmo "mal" de forjar poemas.
Estarei sempre retornando para uma visita.

Um abraço,

Jorge Elias Neto

mario cezar disse...

eis o estalo; o pássaro,
antes
da ventania. o poema
segue o rastro

mario cezar disse...

eis o estalo. o pássaro9antes da ventania) o poema segue o rastro

Jacinta Dantas disse...

Oi Lau,
talvez essa seja a "sina" do poeta. Ficar à espera do melhor poema.
Um abraço

Nana disse...

"construir a onda antes mesmo de inventar o mar..." pai, tu é foda! bjao grandao!