Postagens

Mostrando postagens de Dezembro, 2008
poeminto


arrancar as membranas
de tudo que
arde

retorcer o aço das palavras
numa ânsia de vida
e arte

)

o poema espeta
o instante

por ter nascido antes

(lau siqueira – poema vermelho)

NOTÍCIAS DO PASSADO
Navegando pela net em busca de poesia africana de língua portuguesa encontrei uma citação do meu nome relacionada a uma coletânea publicada em 1999. Uma publicação da editora A Mar Arte, de Coimbra (Portugal). A citação está no blog do poeta angolano Namibiniano Ferreira. Poetas brasileiros e de outros países de língua portuguesa fazem parte da antologia que foi publicada numa comemoração póstuma de aniversário do poeta português, José Régio. Fazem parte da antologia quatro nomes brasileiros: eu, Sônia Alves Dias, Carlos Felipe Moisés e Regis Bonvicino. Confira o blog de Namibiniano e curta o suingue da música angolana. Lá você vai encontrar mais informações sobre a coletânea. Lembro de, na época, ter sido convidado. Não sabia sequer que se tratava de uma seleção. Assim como Namibiniano, não receb…
poema final

busco a última palavra
- jamais o ponto final )

I
sílabas sobrepostas nas
melopéias gratinadas duma
estrebaria brasil

barroquices emparedadas
num múltiplo degredo

) texturas diluídas
em signagem una e dada

con
temp
orân
nea
s (

II

versos colhidos no breu
dum olhar submerso

brusco na escolha perdida

trilha que pedra no lume
imperfeito das manhãs

III

tristes

como o cão
que encontrou o dono


(lau siqueira – poema vermelho)

CÓDIGOS E SECREÇÕES...
Na condição perfilada do cenário contemporâneo, não há espaço para marolas. A poesia pulsa e pula. É a plenitude de quando fechamos os olhos e não pensamos em nada. A arte (“antes que tarde”) permanece impávida. A arte conflui na beleza, no sublime e na transgressão de si mesma. A poesia não precisa de nós. (Desatemo-nos!)

AOS TEMPOS QUE VERÃO
Não estou em Nova Iorque. Estou descalço na brevidade do lado-baço do Equador. Nenhuma covardia perfaz o limite dos meus medos. Na ponta dos dedos, a incerteza de quem faz da ousadia um mergulho de insumo desconhecido. Escrev…
Tua pele em minha ousadia


Quando tua voz estremece meu riso
no silêncio absurdo das horas frias,
sinto que teu beijo é hálito e abismo
de onde vejo ternas tuas mãos vazias.

Quando em teu beijo meu desejo voa,
nas horas em que estamos desnudos,
na ancestral velhice cumprida à toa,
fecho teus olhos e nos amamos mudos.

Tuas pernas entreabrem minhas pálidas
lembranças dum tempo arte que arde.
(Dizem que até ausências são válidas!)

Teu sexo me engolindo, a pele ardendo,
dizendo que pra saudade nunca é tarde.
Sei de você em mim, só não sei quando.

(lau Siqueira, poema roxo)

SERENATA
A beleza é algo necessariamente suave e ao mesmo tempo agudo. Algo que não se vincula a padrões que não estejam no impulso lívido de uma folha que cai lentamente de uma árvore, cumprindo os círculos do seu próprio destino.

NA VIRADA DO SÉCULO
Aqui e ali tenho cruzado virtualmente com pessoas que leram meus poemas na antologia Na virada do século – poesia de invenção no Brasil, editada pela Landy(SP) com organização de Cláudio Dani…
a versão



pessoano

não raras vezes afeiçoado
às imensidões

fingidor sem sentimentos
voláteis colhendo impressões
fervidas vivas

como bicho que perdeu os
olhos comendo imagens

(lau Siqueira – poema vermelho)

FALTA DE VISÃO
Parece piada. Uma escola particular aqui em João Pessoa de nome irônico, Visão, pune os alunos traquinas enviando-os para a biblioteca. Pode? Será que esse método funciona? Na mesma escola o aluno pode se interessar por violão, mas é obrigado a estudar flauta para não ser reprovado. Em outra, também particular (que fechou), o Objetivo Colégio e Curso (de propriedade do vereador Professor Paiva), havia um professor de prenome Túlio que em sala de aula, chamava Clarice Lispector de Chatice Lispector. Detalhe: esse cara é professor de literatura. O problema é que quando se fala em déficit educacional essas coisas não entram no índice.

DICA D’EU
Vezenquando fico marejando na net e acabo encontrando pontes com os meus interesses de conhecimento. Daí que gosto de dividir o que me parece…
no ranger das
horas ocas

não estou mais aqui

minha passagem foi
no brado do instante

pedaço despido de
mar ondulando ócio

num homem pedra

que merda

(lau Siqueira – poema vermelho)

DA POESIA E DO COTIDIANO
Logicamente que nem todos com o mesmo grau de inventividade, mas todo poeta tem um ponto de partida. Por mais rudimentar, portanto, o método existe. Particularmente, insisto em escrever poemas há décadas. Sem grandes pretensões de colher boas leituras e muito menos de colecionar elogios consagrados. No meu circo, ando em círculos construindo ciclos (brincadeira... rsrsrs). Então, aproveito o clima natalino para agradecer aos visitantes. Mesmo os silenciosos. Agradeço especialmente os que catalogaram o Poesia Sim para acompanhamento. Aos amigos que por aqui transitam, enfim! Um bom Natal! Sejamos felizes, pois certamente merecemos.

TEMPO DE MUDANÇA
O ano de 2009 está aí, batendo na porta. Vamos deixá-lo entrar! Vamos recebê-lo com suavidade e coragem. Que venham os novos dias, cheios de dificuldad…
pulo didático

acostumei mirar de frente os precipícios

não raras vezes medindo o meu porte de asas
para o pulo desmedido das coisas inexatas

na hora do salto nem mais um instante sequer

sem replay
sem sunday
sem nada

o eco do próprio nome sumindo numa
emulsão partida de dentro do que parece
mais íngreme e menos vulnerável

coragem de seguir cumprindo o destino de
um rio que se faz sempre nascente ao longo do
curso e no espalmar das margens

) e por dentro
um silêncio
de auscultar
o oco )

(lau Siqueira – poema vermelho)

JEANETE RUARO
Há tempos eu conhecia a poeta Jeanete Ruaro, de Rio Grande/RS. Antes dos toques nos blogs, andamos trocando fanzines. Isso coisa de 15 anos atrás. Dia desses deixei um recado lá. Recebo agora a resposta da sobrinha, por e-mail: - tia Jeanete morreu! Um minuto de silêncio em razão do que fica: sua poesia e sua história!

DOS COMENTÁRIOS
Nos comentários do post anterior, o poeta Touchet, de Sampa se refere à carpintaria do poema Espelho de Antero. Aliás, um poema que sugere, mas não…
espelho de antero


escrever poemas
no manto das inquietudes

poemas tal lua
cheia que estende luminárias
por onde a luz é fugidia

nascentes dum óvulo úmido
fecundado pelo breu
e inundado de virtude

escrever poemas como quem
sente o que pensa e pensa
o que sente

versos ao hipotético
hinário dum sol
que alarga no limite

colher palavras nos
mangues híbridos

para um poema ato falho
dos sentidos

(lau siqueira – poema vermelho)

DAS BANDAS DA PARAÍBA
Estive conversando com Pedro Daniel e Diego, dois estudantes de comunicação da UFPB que estão produzindo “Das bandas da Paraíba”, um programa para a televisão sobre a cena musical pessoense. Os garotos tiveram uma sacada genial e sabem a direção que querem dar ao programa. Levaram o produto numa emissora comercial da cidade e sabe o que ouviram? “Vocês trabalham com uma linguagem avançada demais!” E foram despachados.

DUM PAPO COM CONSTANÇA
Quem vai orientar o doutorado (USP) da artista visual e escritora Constança Lucas é um artista excepcional, também. O nome dele é E…
olhos de dezembro

nosso olhar mudo
para o que se passa na aldeia

onde os cata-ventos são torres
de uma basílica que guarda
a ira ancestral dos portugais

(...) bah (...)

aqui a língua é um tatuí de
inverções avessas postadas na
pele do que rola pelo uni
verso

------------------------------------
as asas estão soltas no vão


(nós não)

(lau siqueira – poema vermelho)


MARÍLIA KUBOTA
Recebi o livro Selva dos Sentidos, da poeta Marília Kubota. Marília Aiko Kubota nasceu em Paranaguá (PR) e tem tido sua poesia divulgada nos melhores jornais, sites, revistas e suplementos literários do país. Orienta oficinas de criação literária, entre otras cositas. Tudo lá pela distante e bem cuidada Curitiba, uma das mais importantes metrópoles do sul do país. Seu blog está aí ao lado, ancorado ao meu. Visite-o!

experimento
in tango


nunca sabemos
quando em prosa
os versos mais
verdes costuram
seus imensos imãs
nos portais

e com
as palavras mais
finitas contam
do que não foi mais
que um sopro no
olho do dragão

(sei não!)

d'essas manhãs…
Fotografobia


Guardo as imagens que recolho na memória.
Ou mesmo na falta dela.

Sou um pensador de memórias não vividas
para uma vida de tecer memórias antigas...
(lau siqueira)

VERMELHO ANTIGO
O poema acima foi escrito há algum tempo. Parece que nem no blog foi publicado. Agora, decidi recuperá-lo para os visitantes deste jardim de idílios, entulhos e conflitos. Decidi abrir com ele o livro “Poemas Vermelhos” (que será em preto e branco). Depois de concluir a seleção - provavelmente até o final do primeiro semestre de 2009 - passo a bola para a arte delicada de Constança Lucas que assinará comigo a obra.

SERENATA
A beleza é algo necessariamente suave e ao mesmo tempo agudo. Algo que não se vincula a padrões fora do impulso lívido de uma folha que cai lentamente de uma árvore, cumprindo os círculos do seu próprio destino.

POIS É...
Fiquei bem impressionado com a ousadia da livraria Poesia Incompleta, de Lisboa, destacada no post anterior. Mário Guerra, você está de parabéns! E obrigado pela visit…
dedos óbvios


no meio da insônia
uma formiga caminha solene
pela extensão da parede

ao lado esquerdo de onde
meus dedos caçam sílabas no oco
de uma memória que não se
sustenta no limite do olhar

nem na sede de quem
sabe da vida o que um açude sabe
da terra que cerca suas margens

ao redor de uma artéria que
estira a língua
e escreve no ar o poema dos ventos
brandos com semeaduras de idílios e
ciclones

tempestades plenamente dispostas
na força de quem vence

(ainda perco meus olhos
de tanto olhar)

(lau Siqueira – poema vermelho)

A MUSA FORMIGANTE
Na verdade eu estava numa insônia cambaleante. Daquelas que o sono está instalado, mas não se cumpre. Então voltei pro computador e escrevi o poema acima em homenagem aos meus dedos que estavam, até então, perdidos sobre os teclados, trocando letras para encontrar sílabas e formar palavras para dizer coisas com ou sem sentido – mas, verdadeiras e absolutas dentro de mim. Escrever poemas é respirar palavras... Ou não. Não sei. “Só sei que foi assim” e que nem toda pedr…
diário de saturno

quando sobre infâmias e injúrias
nossas pobres asas de cedro virarem
pedra sobreposta ao feltro de uma
mandíbula atávica em seus abrolhos
como os álamos que cortejavam as luas
nas noites imensas de um .corpo ruim
())))))))))))(((((((((((((()
perfídia é o que tango permanece no
baile das palavras pousadas numa rude
meia-boca meia-sola meliantes como
as que apenas borram os muros com as
tintas do que permanece impuro
())))))))))))(((((((((((((()
protegidos da chuva com as mãos em
côncavo reflexo carpindo nas eiras de uma
insidiosa canção do que não sabe onde
e como haverá de cobrir-se na viagem do
lobo que perdeu as presas roendo o vazio

(lau siqueira – poema vermelho)

NERVOS EXPOSTOS
Não esqueço mais a frase dum amigo querido quando do lançamento do meu último livro, Texto Sentido: “Você está se expondo demais!” E, realmente... Mas, fazer poemas é tentar escrever. Não é ainda escrever. Fazer poemas é apenas arrancar a própria pele e mostrar os nervos aos cães famintos para voar com graça,…
amparo



a vida não acaba
na mira da bala

relevo e assombro

vento frio colhendo
o limite da pele

como a perenidade
num vôo de ocaso

silício e orvalho

de tão imensa a vida
não precisa de nós


nem durante
nem após

(poema vermelho – lau siqueira)

BRUMAS
Passageiros, como toda a eternidade. Os ventos são sopros do universo. Cânticos de uma lua que plaina no céu noturno, banhada pelas estrelas ecoadas do breu... eu... eu... eu... eu...

A CONDIÇÃO DO POEMA
Nunca, quando escrevo um poema, me preocupo com o resultado de tamanha ousadia. Apenas penso e me aventuro. Como diz Pignatari, numa “aventura planejada”. O próprio poema é o processo! Sim, é exatamente o que eu penso. (ou não!) Quando leio Hopkins, por exemplo, as palavras saltam por sobre o meu espanto. Percebo que seus versos inquietos são de uma leitura que os reescreve em mim. Penso que todo poema deveria ser assim. E penso que escrever poemas deve ser um eterno transgredir-se.

CHRISTINA RAMALHO
E-

mail amigo,sua: palavra luva certeira
meu: acalanto afago a…