segunda-feira, 1 de dezembro de 2008

amparo



a vida não acaba
na mira da bala

relevo e assombro

vento frio colhendo
o limite da pele

como a perenidade
num vôo de ocaso

silício e orvalho

de tão imensa a vida
não precisa de nós


nem durante
nem após

(poema vermelho – lau siqueira)

BRUMAS
Passageiros, como toda a eternidade. Os ventos são sopros do universo. Cânticos de uma lua que plaina no céu noturno, banhada pelas estrelas ecoadas do breu... eu... eu... eu... eu...

A CONDIÇÃO DO POEMA
Nunca, quando escrevo um poema, me preocupo com o resultado de tamanha ousadia. Apenas penso e me aventuro. Como diz Pignatari, numa “aventura planejada”. O próprio poema é o processo! Sim, é exatamente o que eu penso. (ou não!) Quando leio Hopkins, por exemplo, as palavras saltam por sobre o meu espanto. Percebo que seus versos inquietos são de uma leitura que os reescreve em mim. Penso que todo poema deveria ser assim. E penso que escrever poemas deve ser um eterno transgredir-se.

CHRISTINA RAMALHO
E-

mail amigo,

sua: palavra luva certeira
meu: acalanto afago abrigo
seu: antídoto ao suicídio
meu: espelho sem artifício
- felicidade é isso.
beijos
p.s.: ) : ) : ) : ) : ) : ) : ): você fabrica sorrisos
:
(Para Lau Siqueira)

Chris Ramalho é uma amiga mui querida. Mulher inteira. Maneira. Carioca. Morou em Natal. Foi pra Espanha atrás do seu amor. Seu blog está no link ao lado. Escreveu esse poema aí, assim, pra mim... Bah, Crhis, que tri! Ela ministra um curso virtual de Língua & Literatura, veja!

RONALDO MONTE
Um outro texto que me deixou bastante emocionado foi este do meu querido amigo Ronaldo Monte. Rona é um homem feito de palavras. Um escritor que vem tecendo uma história cada vez mais sólida na cena literária brasileira. Ele não arromba portas. Não força a barra. Rona simplesmente vem surgindo como quem estabelece uma relação de amor com a existência e seus teares. Veja que beleza ele escreveu pra mim! Conheça seu livro, Memória do Fogo, que saiu pela Editora Objetiva.

MARIA DOS MARES
Acabo de receber um telefonema da artista plástica Maria dos Mares, convidando para participar de um momento de poesia e arte em seu atelier no dia 8 de dezembro. Posso levar alguém, Maria? Vou convidar Iemanjá!

colheita


no quintal dormita
um ser inquieto e ínfimo
bramindo uma canção de
bebuínos antigos

num plantio de rumos
por sobre os pastos
passos sobrepõem
as delicadezas ocultas
de um sol torrente

o sílex das sobras
cobrindo as impressões
colhidas de uma vida
digital

(foi mal)


(lau siqueira – poema vermelho)

5 comentários:

CotidiAmo disse...

Imenso e lindo este Amparo Lau.
beijos.

Gil de todos os dias disse...

Convidade mais adequada que Iemanjá não há de haver!! =)

Gil de todos os dias disse...

Convidade mais adequada que Iemanjá não há de haver!! =)

Pavitra disse...


é... é a vida que continua mesmo... rsrs

adorei!

Mariana disse...

"de tão imensa a vida
não precisa de nós"

cara, seus poemas tem umas coisas tão ricas...