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domingo, 14 de dezembro de 2008

espelho de antero


escrever poemas
no manto das inquietudes

poemas tal lua
cheia que estende luminárias
por onde a luz é fugidia

nascentes dum óvulo úmido
fecundado pelo breu
e inundado de virtude

escrever poemas como quem
sente o que pensa e pensa
o que sente

versos ao hipotético
hinário dum sol
que alarga no limite

colher palavras nos
mangues híbridos

para um poema ato falho
dos sentidos

(lau siqueira – poema vermelho)

DAS BANDAS DA PARAÍBA
Estive conversando com Pedro Daniel e Diego, dois estudantes de comunicação da UFPB que estão produzindo “Das bandas da Paraíba”, um programa para a televisão sobre a cena musical pessoense. Os garotos tiveram uma sacada genial e sabem a direção que querem dar ao programa. Levaram o produto numa emissora comercial da cidade e sabe o que ouviram? “Vocês trabalham com uma linguagem avançada demais!” E foram despachados.

DUM PAPO COM CONSTANÇA
Quem vai orientar o doutorado (USP) da artista visual e escritora Constança Lucas é um artista excepcional, também. O nome dele é Evandro Carlos Jardim, cuja obra está sendo mostrada pela página Diversão e Arte, do UOL e pode ser acessada por aqui.

ARTES & MAZELAS NO PAÍS DE WANG
Se por algum motivo tiver que ir à Sampa até o dia 12 de fevereiro, não deixo por nada do mundo de investir R$ 15,00 (grátis às terças) para conferir a exposição China: Construção/Desconstrução, no MASP. Sabemos pouco daquele mundo distante. Nesta exposição podemos conferir dos costumes do povo chinês às atrocidades da ditadura. O artista Wang Oingsong nos mostra as contradições no país de Mao.

NO ESPELHO DO ESPELHO
Preciso dizer que o poema Espelho de Antero busca estabelecer um diálogo com um texto que eu li sobre o poeta Antero de Quental, afirmando que ele sentia o que pensava e pensava o que sentia. Ou seja, o poeta transitava no ponto g da linguagem.

ERRÁTICA
Certamente que uma das mais importantes publicações virtuais é a revista Errática, cujos editores são André Vallias e Eucanaã Ferraz. Nesta edição, um poema inédito de Augusto de Campos. E mais: Age de Carvalho, José Lino Grünewald e outros. Vale a pena uma visita.

MÍNIMO
Como no post anterior, vou encerrar com mais um dos meus mínimos, do livro Sem meias palavras, de 2002.

ruído d’água
no rio nascente
música dos peixes
(ls)

6 comentários:

fred disse...

“Vocês trabalham com uma linguagem avançada demais!”

Seria hilário, se não fosse estúpido. Mas eu não espero mesmo nenhum lampejo de inteligência desse pessoal que dirige a mídia comercial. Eles têm medo de ousar. Lembrei-me que o diretor musical de uma gravadora londrina não aceitou gravar o primeiro disco dos Beatles porque não acreditava no sucesso de um grupo que usava guitarras.
Grande abraço, Lau.

Pavitra disse...


o "espelho de antero" me comoveu de cara, acho que o corpo inteiro, já que ando me arrepiando com letras... rs

das bandas da paraíba, tenho que concordar com o que o fred disse, enquanto lia pensei o mesmo que ele.

eu estarei em sp até o dia 12! oba!
obrigada pela dica. :)

e adoro os seus "mínimos"... rs

Gil de todos os dias disse...

Adoro quem diz tudo sem precisar falar muito! os mínimos são ótimos!
lindos! beijo grande!

mario cezar disse...

lau, vindo a sampa, veja a exposição a respéito de saramago que está no instituto tomie othake

Anônimo disse...

Mestre: também digo sim à tua poesia ! quem escolhe a poesia escolhe ser aventureiro,seu encontro com seu dom é seu encontro com o mundo...teu espelho de antero remete à papos como uma palavra inspira outra palavra que inspira..etc... abraços do admirador touché
http://poetasdeguarulhoseoutrosversos.zip.net

Márcia Leite disse...

Lau, querido, o blog é uma brincadeira muito da boa, adoro!

Vez e outra venho por aqui, gosto muito dos teus escritos, sempre tudo muito instigante e provocador, demás!

"O que em mim sente está pensando."

=*