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sexta-feira, 12 de dezembro de 2008

olhos de dezembro

nosso olhar mudo
para o que se passa na aldeia

onde os cata-ventos são torres
de uma basílica que guarda
a ira ancestral dos portugais

(...) bah (...)

aqui a língua é um tatuí de
inverções avessas postadas na
pele do que rola pelo uni
verso

------------------------------------
as asas estão soltas no vão


(nós não)

(lau siqueira – poema vermelho)


MARÍLIA KUBOTA
Recebi o livro Selva dos Sentidos, da poeta Marília Kubota. Marília Aiko Kubota nasceu em Paranaguá (PR) e tem tido sua poesia divulgada nos melhores jornais, sites, revistas e suplementos literários do país. Orienta oficinas de criação literária, entre otras cositas. Tudo lá pela distante e bem cuidada Curitiba, uma das mais importantes metrópoles do sul do país. Seu blog está aí ao lado, ancorado ao meu. Visite-o!

experimento
in tango


nunca sabemos
quando em prosa
os versos mais
verdes costuram
seus imensos imãs
nos portais

e com
as palavras mais
finitas contam
do que não foi mais
que um sopro no
olho do dragão

(sei não!)

d'essas manhãs com
energias dotadas
dum tom azul de
horizonte

tremularão
os tai poemas
suspensos

num beduíno
inverno

(lau siqueira – poema vermelho)

LIVRO DA TRIBO
Estou novamente no Livro da Tribo. Agora, na edição 2009. São diversas as capas! Aliás, como diria em homenagem ao ano da França no Brasil: puta-que-paris, como são belas! Uma bem cuidada edição, como sempre. Uma distribuição eficiente pelo país. Na edição de 2009, minha poesia está espalhada pelas páginas 7, 60, 80, 156, 325 e 337. Um belo presente de Natal pra galera de todo canto. A editora Tribo é um empreendimento alternativo com excelente desempenho comercial. Uma porta aberta para os novos e os “fora do eixo”, que nada tem a ver com desleixo estético. Uma distribuição eficiente e um sistema de vendas ancorado apenas na poesia, na leveza, na arte e na eterna juventude do pensamento humano. E então, repito: poesia não vende?

LIVRO DA TRIBO I
Nunca esqueço o poeta Frederico Barbosa que, surpreendeu-se com seus alunos recitando meus poemas em sala de aula, lá em Sampa. Poemas colhidos do Livro da Tribo e também da internet. Devo a esses leitores desconhecidos (que me viram de tanga, na aldeia de Décio e Regina – os editores tribais) a minha participação na antologia “Na virada do século – poesia de invenção no Brasil”, numa edição bacana da Landy-SP. Foram eles que me apresentaram a um dos organizadores, o hoje amigo Fred Barbosa. Sempre gosto de lembrar disso! Ser lido pela juventude me faz querer ser mais poeta, continuar experimentando, tentando... sem medo de bailar na curva.

ENQUANTO ESCREVO, LENINE...
Na verdade, não nos enganemos. Não escrevo poemas, apenas experimento-os. Me gusta degustá-los! Faço minhas as suas palavras. Enquanto escuto Lenine dizendo “Jack soul brasileiro”, vou indo... “despencando da ladeira/ na zoeira da banguela”.

HAI-QUANDO?
Na verdade existem sérias possibilidades de poesia numa escrita que nem de perto traz ao menos alguma pétala da cultura nipônica. Portanto, não vamos nos atrever a confundir terceto com hai-kai. Eu tentei, mas não consigo. Eu não me japonissei, acho! Finalizo esta edição do Poesia Sim com um desses poemas. Um terceto publicado no meu livro anterior, “Sem meias palavras” (2002-Ed. Idéia-PB). Esses são poemas curtíssimos, sem os detalhes desta minha atual fase de semeaduras com palavras. E apois, lá vai!

suicídio lento
na mobília da alma
os versos que invento
(ls)

2 comentários:

Márcia disse...

Só faltou você, ontem, aqui, com Rona e Glória. Foi muito legal.

Ah, a cara nova do blog ficou dez. E estamos juntos no Livro da Tribo, de novo, hein?

Beijo e beijo!

paulo de toledo disse...

oi, lau. vim conferir a casa reformada. abrações