quarta-feira, 17 de dezembro de 2008

pulo didático

acostumei mirar de frente os precipícios

não raras vezes medindo o meu porte de asas
para o pulo desmedido das coisas inexatas

na hora do salto nem mais um instante sequer

sem replay
sem sunday
sem nada

o eco do próprio nome sumindo numa
emulsão partida de dentro do que parece
mais íngreme e menos vulnerável

coragem de seguir cumprindo o destino de
um rio que se faz sempre nascente ao longo do
curso e no espalmar das margens

) e por dentro
um silêncio
de auscultar
o oco )

(lau Siqueira – poema vermelho)

JEANETE RUARO
Há tempos eu conhecia a poeta Jeanete Ruaro, de Rio Grande/RS. Antes dos toques nos blogs, andamos trocando fanzines. Isso coisa de 15 anos atrás. Dia desses deixei um recado lá. Recebo agora a resposta da sobrinha, por e-mail: - tia Jeanete morreu! Um minuto de silêncio em razão do que fica: sua poesia e sua história!

DOS COMENTÁRIOS
Nos comentários do post anterior, o poeta Touchet, de Sampa se refere à carpintaria do poema Espelho de Antero. Aliás, um poema que sugere, mas não pratica a carpintaria alguma. Vem no vento, como diria Pedro Osmar. Aliás, acho que o exercício permanente acaba desaguando nisso, às vezes. O sujeito fica andando na volta. Como sempre digo, não sento aqui para escrever um post pro blog, mas para escrever um poema. Ou mais de um se possível. O post sai no mijo, como se diz. Escrever poemas é um exercício que muitas vezes me deixa fisicamente, espiritualmente, intelectualmente (ufa!)... Exausto!

PEDRA DE TOQUE
Muito legal o programa Pedra de Toque, do Itaú Cultural. Você pode acessar aqui as entrevistas que o meu bróder, poeta Ademir Assunção, fez com poetas do Rio, Sampa e Beagá. São eles, André Vallias, Armando Freitas Filho, Claudia Roquete Pinto, Paulo Henriques Britto, Paulo Scott, Alice Ruiz, Horácio Costa, Ronald Polito, Carlos Ávila, Afonso Ávila, Sebastião Nunes, Geraldo Carneiro, Glauco Mattoso, Arnaldo Antunes e Micheliny Verunschk. Vale a pena conferir. O projeto foi idealizado e é dirigido por Claudiney Ferreira, gerente de literatura do Itaú Cultural. Acabei de escutar a bela entrevista com Glauco Mattoso. Boa audição!

JOGO DE IDEIAS
Lembro que ano passado no II Encontros de Interrogação, em Sampa, dei um depoimento que acabou sendo transformado num programa de TV, Jogo de Idéias, produzido pelo Itaú Cultural e que passou, segundo me disseram, na TV Cultura. Gentilmente enviaram uma cópia do programa. Muito bem produzido! Eram depoimentos meus, de Cláudio Daniel, Amador Ribeiro Neto e Maria Ester Maciel. Também era um trampo de Claudiney Vieira.

laranja mecânica


às vezes me desespero
e cometo absurdos

às vezes simplesmente
fico mudo


não sei de onde vim
nem porque assim

me desnudo

(poema do livro Sem meias palavras, Ed. Idéia-PB, 2002 e do Livro da Tribo)

12 comentários:

Marilia Kubota disse...

Lau,

só hoje vi que publicou um post sobre o mue livro. Arigatô, sensei!

beijão

Val disse...

Lau - caixinha mágica a da Constança... parceira das tuas palavras... "experimentar sempre. [...] Emergir do oco. [...] Por um mundo impreciso, mas imensamente solidário."
Esses últimos dias andei medindo "meu porte de asas" e agora, de manhãzinha, teu primeiro verso no blog me traduziu:
"acostumei mirar de frente os precipícios".
grande beijo, poeta!
val

mario pirata disse...

Lau,
Touchê, Antonio Carlos Lucena, que eu conheci em 80, em sampa, que eu saiba, já viajou fora do combinado, já foi pra outra, já virou anjo... que eu saiba!
E deixou sua poesia, forte e linda.
Tenho em meus alfarrábios dois dos seus livros.

Mas nós, você, eu, e outros, estamos aqui, graças a Deus, e vamos ter um longo tempo ainda pra descascar o verbo.

Simbora, mano véio!

LAU SIQUEIRA disse...

Sim, Mário. Mas, esse touché de quem falo, de Guarulhos, é outro. Bem vivinho! Olha o blog dele, http://poetasdeguarulhoseoutrosversos.zip.net Esse poeta escreve pra mim faz tempo e não tem cara de ser coisa psicografada. rsrsrs
abs

Mariana disse...

te vi mesmo no livro da tribo (ganhei um da líria) e adorei!

adorei também te ver nas palavras da pav. metamorfraseado. rs

Anônimo disse...

Poxa, Lau. Que notícia triste. Jeanete Ruaro. Escrevemos tantas coisas em conjunto. Fizemos contos de suspense, aliás, muito macabros. Fizemos poemas em conjunto...
E agora resta esse buraco.
Jeanete, esteja onde estiver, durma tranquila.
Com saudades,
Dôra Limeira

SAM disse...

Lau,


meus sinceros votos de um feliz e renovador natal e que todas as suas esperanças se cncretizem em 2009.

Beijo!

joeldo disse...

Lau, como sempre nos fazendo saborear belos e coloridos poemas...

Lamento profundamente a perda de Jeanete Ruaro.

Há um bocado de anos atrás eu conheci Nilza Ruaro, também poetisa do RS, a qual no início da década de 90 estava radicada em Fortaleza-CE.
Poderiam ser parentes?

Abraços

Joeldo

Anônimo disse...

lau, meu querido ...

adrina zapparoli

Luiz Alberto Machado disse...

Maravilha, poeta Lau, como sempre muito demais! Conferi tudo e vou indicá-lo nas minhas páginas. Aguarde.
Abração
www.luizalbertomachado.com.br

Simplesmente Samelly disse...

Moçinho, mudei de casa. Vai me ver: http://sao-seus-olhos.blogspot.com/

Beijo recitado

ADRIANO NUNES disse...

Caro poeta,


Belo poema!


Adriano Nunes.