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segunda-feira, 22 de dezembro de 2008

a versão



pessoano

não raras vezes afeiçoado
às imensidões

fingidor sem sentimentos
voláteis colhendo impressões
fervidas vivas

como bicho que perdeu os
olhos comendo imagens

(lau Siqueira – poema vermelho)

FALTA DE VISÃO
Parece piada. Uma escola particular aqui em João Pessoa de nome irônico, Visão, pune os alunos traquinas enviando-os para a biblioteca. Pode? Será que esse método funciona? Na mesma escola o aluno pode se interessar por violão, mas é obrigado a estudar flauta para não ser reprovado. Em outra, também particular (que fechou), o Objetivo Colégio e Curso (de propriedade do vereador Professor Paiva), havia um professor de prenome Túlio que em sala de aula, chamava Clarice Lispector de Chatice Lispector. Detalhe: esse cara é professor de literatura. O problema é que quando se fala em déficit educacional essas coisas não entram no índice.

DICA D’EU
Vezenquando fico marejando na net e acabo encontrando pontes com os meus interesses de conhecimento. Daí que gosto de dividir o que me parece bom, saca? Achei muito legal a tal da “
Fênix, revista de história e estudos culturais”. Um veículo apoiado pela Fundação de Amparo a Pesquisa do Estado de Minas Gerais. Um amplo cardápio de pesquisas e conhecimentos repartidos. Tri bala!

SEM GRILOS COM ESTILOS
Escrever num blog passou a ser uma coisa de importância ímpar. Há quem desqualifique por aqui e por aí, o que chamam de “literatura de blog” ou “literatura da net”, como se toda a literatura impressa fosse maravilhosa. Mas, veja bem: Não sei quantas pessoas, mas sei que tem gente que vem aqui para ler o Poesia Sim e lê.Acontece o mesmo com milhares de blogs de gente conhecida, ou não. Portanto, escrever para o blog passa a ser de uma responsabilidade maviosa. Imagine! É possível ser lido sem pedir espaço pra seu ninguém. Quanta leveza! Eu vou voar por aqui.

E MAIS:
Vendi e vendo meu livro aqui no blog. Até mesmo em caso de problemas na entrega (pelos correios), o espaço de reclamação é aqui no blog e aqui se resolve tudo. Como desprezar um veículo com este poder de comunicação e interatividade? Ninguém é melhor ou pior porque publica em blog ou em papel. Nos blogs brota uma safra enorme de poetas desconhecidos, quem sabe, bem melhores que os indicados pelo bispado literário. Enfim... os tempos ainda são rotos, mas são outros.

ITAPEMA
Uma rádio comercial que eu escutava em Porto Alegre, agora escuto pela net. Muito legal ouvir um Bob Dylan ou um Nei Lisboa. É a prova que pra ocupar espaço comercial não precisa perder a elegância. Saudades de Porto Alegre! Meu coração são duas ilhas. Uma onde o Sol nasce primeiro e outra onde ele tem preguiça de ir embora. Clicaqui!

4 comentários:

Pavitra disse...


só pra constar, eu leio o Poesia Sim. rsrs

e falta de visão é uma merda! (tomara que os cegos americanos que criticaram o saramago não me leiam aqui).

seguirei as dicas... e por favor, continue voando, que vc dá rasante na minha cabeça... rssrs

beijos, lau!

ah, feliz ano novo! 2000&love... que 2009 seja 10!

BAR DO BARDO disse...

Cara, você fez umas considerações bem agudas. Precisamos dessa acuidade na poesia e na literatura em geral. Eu era um (mais um!) que via essa coisa de blogue com o nariz torcido. Agora edito o meu bloguezinho, a única forma de um senhor de 43 anos publicar os seus textos. Se puder, dá uma voltinha por lá. Eu, de minha parte, estou sempre dando uma passadinha por aqui.
Tudo de bom nas saídas e nas entradas, Lau Siqueira! Sem sacanagem!

Pimenta

Daniel Sampaio de Azevedo disse...

Lau, eu realmente gostei da OCCJP. Dou-te parabéns pela organização e pelo incentivo. E toda vez que ela tocar, quando se tratar de repertório estritamente erudito, estarei presente. De Bach a Cage, de Mozart a Webern, eduquemos nossos sentidos para melhor moldarmos as nossas "almas".

Um forte abraço.

P.s.: estou com novo blog: www.corredoremdobras.blogspot.com

fred disse...

"Não sei quantas pessoas, mas sei que tem gente que vem aqui para ler o Poesia Sim e lê."

Eu venho sempre e leio com prazer, Lau.

Ah! por falar nisso. Na Bravo 135, a que tem Woody Allen na capa, na página 29, há uma nota assinada por Marcelo Frizon, cujo título é "Onde estão os novos poetas" que diz: "Se os poetas que estão produzindo se lessem uns aos outros, as edições dos seus livros ficariam esgotadas rapidamente. Isso é uma demonstração da fraqueza da poesia contemporânea. O João Cabral editou vários de seus primeiros livros de maneira independente, mas os vendeu e os enviou a pessoas que liam e comentavam sua produção. Enquanto os poetas não lerem o que seus colegas estão produzindo, o grande público também não lerá, a academia não conhecerá quem são os novos bons poetas e as editoras não os publicarão."

Obvio que é assunto pra mais de metro e que há nuances que mereceriam uma discussão mais profunda, mas há um dado irrefutável: são realmente poucos os poetas que lêem a produção dos seus colegas, e raros, raríssimos os que comentam.

Aproveito para deixar os votos de um Feliz Natal pra você, para a família e para todos os leitores do seu ótimo blog.

Fraterno abraço.