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Mostrando postagens de Janeiro, 2009
a pele
do motivo


a visão nua
das tuas omoplatas

tão iguais
a tantas

esconde alguns rebanhos
da minha tristeza

(do meu terceiro livro, Sem meias palavras – Ed. Idéia-PB)

REGISTRO
Faleceu no início da semana, em Bragança Paulista, o escritor e cineasta Rudá de Andrade. Rudá era filho de Oswald de Andrade e Patrícia Galvão (Pagú). Ele foi um dos criadores do Museu da Imagem e do Som (MIS) que dirigiu entre 1970 e 1981. Estudou cinema na Itália e trabalhou com Vittorio de Sica. Participou também da criação do curso de cinema da USP. Em 1983, recebeu o Prêmio Jabuti na categoria Biografia, com o livro Cela 13 – A grade agride, um livro que relatava a realidade das prisões européias.

JOÃO WERNER
Vale a pena conferir o trabalho do pintor e escultor paranaense João Werner. No site você poderá ter uma mostra das pinturas digitais, pinturas a óleo e esculturas desse artista. João reside em Londrina, no oeste do Paraná. Visite-o!

buraco de agulha


sobre a mesa
um grito figurativo
no veio abstrato

(em verdade um a…
Tinto Seco


Querido diário. Vírgula.
Novalinha. Sou um cidadão do meu tempo. Ponto. Olho ao redor e vejo que a esperança habita somente os olhos de quem luta. Ponto. Vejo lampejos de medusa. Ponto. Vejo tudo pelo olhar que assusta. Ponto. Vejo a louca entre a viagem e a musa. Ponto. Ponto. Ponto. Vejo a vida difusa. Ponto. Inconclusa. Ponto. E ponto. Ponto.

(do meu quarto livro, Texto Sentido)

ELEONORA FALCONE
“Cantora de voz bem pessoal, afinada, Eleonora Falcone faz uma equilibrada mistura de ritmos regionais com intenção pop/rock.” José Teles – Jornal do Commércio (Recife, 27/09/08). Esta é a minha amiga querida, Eleonora Falcone que estará no próximo dia 1 de fevereiro, às 19h, no Papagaio Pirata, o novo point da música paraibana. Para quem não conhece, fica exatamente ali no Ponto Extremo Oriental das Américas, na Capital das Acácias-PB - Av. Cabo Branco, 4696 (próximo à Praça de Iemanjá). Ingressos por apenas 5 pilas. Para completar a noite, o som universal da ótima Néctar do Groove. …
o galo


o silêncio
com suas equações
de estrelas
abre os portais
da madrugada

sob os olhos atentos
do infinito
um quarto de lua
empresta a partitura
ao galo

(do meu terceiro livro, Sem meias palavras. Editora Idéia-PB, 2002)

AOS QUE CAMINHAM...
Não sei dos passos futuros. Caminho na direção do amanhecer. Ainda que anoiteça. Caminho para o que acredito. Tal como nascente de rio. Olho para a cidade e vejo o que não existe. A fragilidade do fútil diante de um universo absoluto. A perenidade do que se perde da memória... Caminho como quem não perdeu a vertente...

ENQUANTO LUIZ MELODIA...
Ano passado ganhei um presente precioso de uma amiga do meu “sublime torrão” (Vera Dutra), a histórica e heróica Jaguarão(RS). Um CD do Luiz Melodia que ano passado fez um show de samba maravilhoso em João Pessoa, no projeto Estação Nordeste. Um show que ele, em uma daquelas gafes históricas, agradeceu ao povo de Pernambuco. Nada, no entanto tirou o brilho do grande artista que é Luiz Melodia. Escrevo para o Poesia Sim s…
cabo brancoo sol
é o estandarte
dos desejos

no carnaval
de areias nuas

úmidas de bar

zumbindo
sombras

no sal sustenido
dum corp'
oceano hibernáculo
dum futuro que toldos
verão (ou
n
ão) (lau siqueira. 08.01.09 – 21:44h, poeminha de verão para a revista CultPb)

CULTPB
Que tem uma rapaziada mandando ver aqui na Paraíba, não tenho dúvidas. Na música, nas artes plásticas, no cinema, na literatura, no teatro... mas, também na comunicação. Parte dessa onda cálida vem sendo emitida por Taísa Dantas e Érica Chianca, duas jornalistas super antenadas que lançaram a revista virtual CultPb, em dezembro passado, no charmoso Casarão 34. Taísa me fez uma provocação para o próximo número. Solicitou um poema temático, sobre o verão. Mandei brasa na mesma hora, mas, como todo apressado, acabei fazendo modificações mínimas na primeira vez que ela respondeu e, agora, novamente percebi que havia colocado um título com cara de porre de Marcus James suave. Ou seja: com cara de nadavê. Mudei na hora! Se Cabo Branco não …
deus

fingiu que estava
criando o mundo
trabalhou seis dias
oito horas em dois turnos
salário de cento e oitenta
pregos

ornamentou noites
criou nuvens
e ventos
do barro fez a criatura

num sopro
o inventário das paisagens
uma vez pronta a maquete
exonerou-se
e ficou mudo

hoje
dies dominicu
reaparece com trezentas
mil faces midiáticas

(dizem que vive em tudo)

(poema do meu terceiro livro, Sem meias palavras, editora Idéia-PB, 2002. Infelizmente não é possível editar os poemas conforme o original)


POESIA IN CONCERT
Falo muito sério quando digo que tenho dificuldades enormes para conceituar poesia. Tenho receio de dizer que acredito que seja apenas linguagem ou mesmo linguagens de conexão com algum tipo de universalidade. Para mim a poesia é uma utopia. Um vôo no oco do vazio. Poesia é a experimentação de um cio com as palavras (ou mesmo sem elas). Por isso é tanto e ao mesmo tempo, nada. É como o ar que a gente nem vê e no alvoroço das coisas, sabendo que o que respiramos de forma refletida é o melhor dos alime…
as flores mallarmaicas


queria
num poema
oferecer flores

um jeito lógico
de não arrancá-las
da placidez silvestre

! como as flores
da adivinha mallarmaica
“que nunca estão no buquê”
e cujo aroma experimentamos
nas planícies viageiras
do significado

a palavra pétala
entre húmus e caules de linguagem
embriagando a dor extraída
deste pólen com o qual enlouqueço
as abelhas africanas
do esquecimento

mas tudo que tenho
são essas mãos vazias e uma
paixão petrarquiana
de insuportável hálito
modernista

(poema do meu terceiro livro, Sem meias palavras, publicado em 2002 pela Idéia Editora)

SAMBAQUIS

O mano-poeta Edson Cruz está fazendo uma enquete muito interessante com poetas brasileiros, a partir de em três perguntas. 1) O que é poesia para você? 2) O que um iniciante no fazer poético deve perseguir e de que maneira? 3) Cite-nos 3 poetas e 3 textos referenciais para seu trabalho poético. Por que destas escolhas? Na edição atual as perguntas foram para. Augusto de Campos. Dia desses devem ser publicadas as minhas respos…
vento pássaro



apressado o vento percorre teto e piso
da mesma geografia

e os verbos decidem a rima da íris

numa epidemia de mentes perplexas
pelo óbvio hilariante conjugado no delírio
das sílabas que transbordam
na pele da palavra
pássaros que cantam a sede de voar
e o detalhe duchamp da imprópria gaiola
onde recolheram suas asas e punem o
elogio da própria sorte

como quem morre em suspiro-sustenido

palavras que não saem das
nossas bocas não são palavras poucas

e solidão é um oco dentro de um oco com
o qual fundamos um diálogo tosco numa

interação de silêncios e ventos certeiros
que mentem o que não sabemos sentir


(lau siqueira – poema vermelho)

UMBERTO ECO
“(...) qualquer obra de arte, embora não se entregue materialmente inacabada, exige uma resposta livre e inventiva, mesmo porque não poderá ser realmente compreendida se o intérprete não a reinventar num ato de congenialidade com o autor.”
(Em Obra Aberta, Ed. Perspectiva-SP, coleção debates)

POEMÚSICA
Quando pegou meu livro Texto Sentido pela primeira ve…
razão
nenhuma



o que escrevo
é apenas parte
do que sinto

a outra parte
finjo que minto
e acredito

(ls – do meu livro Sem meias palavras)

TURBILHÃO
Viver é um turbilhão. Um guizo de coisas ditas e sentidas. Os dias estão vividos no olho da víbora. No encanto e no veneno. Estilhaço e o ferro inteiro! Tudo que assim como as nuvens, pluma.

PENSAR O POEMA
Não existe nada mais racional que publicar um livro. Expor-se enquanto elemento nascido, criado e atestado, enquanto propriedade privada de um nome e de uma imensa fome de palavras. O que está escrito e assinado tem uma feição egoísta. Na verdade a poesia não tem nome, nem dono. E pensar o poema é negá-lo, sobretudo. Esquecer as enchentes e as queimadas, as calmarias e as tempestades... Para emergir no oco das coisas não ditas.

GIORGOS SEFÉRIS

A cada manhã me lembra a água morna
que não tenho junto a mim nada mais vivo.

(O poeta nasceu em Esmirna, em 1900 e morreu em Atenas, em 1971. “Para onde quer que eu viaje, a Grécia me dói”, dizia. Extraído do livro…
condição perene


nas cheias
o rio comanda o espetáculo

e as margens são apenas
degraus para o leito mais fundo

nas secas
o rio é a margem

(poema do meu terceiro livro – Sem meias palavras. Ed. Idéia-PB, 2002)


OLIVEIRA SILVEIRA
Conheci Oliveira Silveira em outubro, quando estive em Porto Alegre participando do PortoPoesia2. O poeta já estava visivelmente debilitado. Agora os amigos gaúchos, poetas Sidney Schneider, Mário Pirata e Ronald Augusto informam a triste notícia. Oliveira faleceu na noite do primeiro dia do ano. Confesso que não conhecia muito da sua poesia. Mas pude constatar o profundo respeito e o carinho dos escritores pampeanos para com ele. Uma criatura doce, com a poesia traçada nas próprias razões da existência, na força das suas contundentes concepções de poesia e de mundo. Lembro de uma frase sua naquela noite de outubro: “Nos interessa sermos referenciados como poesia negra do Rio Grande do Sul.” Oliveira nos deixou versos assim: "mas quando menos se espera/ pode mudar-se…
transmutar-se

eu vi um homem
de bandeira

e era mesmo um
homem não era
um bicho


(e eu aqui
colhendo lírios)

(lau siqueira – poema andarilho)

2009
Que não nos falte coragem, nem capacidade de invenção. Que as armadilhas sejam todas visíveis aos mais subjetivos dos sentidos. Que não nos falte leveza nem firmeza. Que o amor seja um elo com o universo. Que a solidariedade seja uma razão construída. E que o que é absoluto, jamais seja tudo. Sejamos, pois, felizes em 2009.

Saciemos nossa sede de saber, nas melhores fontes.



AVE!

DEUS CONSTRUÇÃO
DE S CONS TRUÇÃ O
ES D SOC UM RTÃÇO
DE S COM DES TÃDU
DESCONSTRUÇÃO D
ESCONSTRUÇÃODEI
SCONSTRUÇÃODEU
SCONSTRUÇÃODEU
D’EUSD’EUSD’EUSD’’’’’

NOVOS RUMOS
Dia 2 a vida estará diferente para o poeta. (Um xadrez em minha frente.) Pedras postas, dispostas aos movimentos dolentes das mãos. É tempo de reconstruir esperanças. Adelante!


TERCETO

tudo pula e sofisma
e até arroto tem rima
(só não tem clima)