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sábado, 17 de janeiro de 2009

as flores mallarmaicas


queria
num poema
oferecer flores

um jeito lógico
de não arrancá-las
da placidez silvestre

! como as flores
da adivinha mallarmaica
“que nunca estão no buquê”
e cujo aroma experimentamos
nas planícies viageiras
do significado

a palavra pétala
entre húmus e caules de linguagem
embriagando a dor extraída
deste pólen com o qual enlouqueço
as abelhas africanas
do esquecimento

mas tudo que tenho
são essas mãos vazias e uma
paixão petrarquiana
de insuportável hálito
modernista

(poema do meu terceiro livro, Sem meias palavras, publicado em 2002 pela Idéia Editora)

SAMBAQUIS

O mano-poeta Edson Cruz está fazendo uma enquete muito interessante com poetas brasileiros, a partir de em três perguntas. 1) O que é poesia para você? 2) O que um iniciante no fazer poético deve perseguir e de que maneira? 3) Cite-nos 3 poetas e 3 textos referenciais para seu trabalho poético. Por que destas escolhas? Na edição atual as perguntas foram para. Augusto de Campos. Dia desses devem ser publicadas as minhas respostas. Confira as respostas do nosso poeta “inventor de vera”, Augusto de Campos!

LUIZ AUGUSTO CASSAS
Gentil como sempre, Luiz Augusto Cassas enviou-me três dos seus livros. “Evangelho dos Peixes para a ceia de aquário”, “A mulher que matou Ana Paula Usher” (poema-romance) e “O filho pródigo”. Sobre a obra de Cassas, fala Marco Lucchesi: “Pode-se dizer que a obra de Luiz Augusto Cassas – entre as suas direções multifárias e abertas – é atravessada por uma sentida telemaquia. A busca da origem. Da ilha. E da casa. Como quem sofre uma nostalgia orientada para o passado e para o futuro.”

BLUES ETÍLICOS
Somos uma tribo. Falo das pessoas que curtem blues, como eu. Ontem tivemos a oportunidade de assistir um show instigadíssimo da lendária banda paulista Blues Etílicos, aqui em João Pessoa, na praça Antenor Navarro. A público vibrou demais e a banda que nunca tinha se apresentado em João Pessoa, manifestou desejo de voltar todo ano. Na abertura, uma das novidades da música made in PB, Zé Viola Progressive Band que está propondo-se a trabalhar com seus inspiradores, Zé Guilherme e Chico Viola. O show etílico foi dos últimos que contratei pela Fundação Cultural de João Pessoa.

TOQUE DE RECOLHER
Minhas missões pela cidade de João Pessoa há 23 anos se renovam periodicamente. Depois de ajudar a fundar a Central Única dos Trabalhadores (que se burocratizou, infelizmente), passei a assessorar sindicatos e, mais tarde, o então deputado estadual, Ricardo Coutinho (hoje prefeito). Nos últimos quatro anos estive na Fundação Cultural de João Pessoa. Sendo que nos dois últimos, como diretor executivo. Agora caminho para uma missão mais desafiadora, trabalhando em áreas onde existe até mesmo o “toque de recolher” determinado pelo tráfico. Como dizia o nobre senador Sir Ney, “tudo pelo social” (aliás, essa foi a melhor definição que escutei sobre o seu bigode) Boa sorte pra mim!

SALDO POSITIVO
Deixei raras pendências na Fundação Cultural de João Pessoa. Uma delas, o livro de Neuza Pinheiro que venceu o prêmio Lúcio Lins e que foi feito de forma totalmente desleixada pela gráfica (está no jurídico) e as últimas publicações da coleção Novos Escritos que preferi não encaminhar para a mesma gráfica, esperando nova licitação este ano. Ainda estou acompanhando isso, mesmo fora. No entanto, tenho um dado muito positivo para apresentar. A aplicação dos recursos da Fundação na atividade fim (cultura) que era de 31% em 2004, passou para mais de 50% em 2005 (com a direção do ator Luiz Carlos Vasconcelos) e pulou para 82% em 2007, primeiro ano da minha gestão, caindo em 2008 por conta da Lei Eleitoral e, principalmente, por conta da Lei de Responsabilidade Fiscal que exigia o fechamento financeiro da prefeitura inteira, reduzindo assim os investimentos em todas as áreas. Também o Fundo Municipal de Cultura está sem dívidas para com os artistas e com grana em caixa para finalizar os projetos do último edital. As contas estão em dia, a equipe está afinada e qualificada, etc. Merda pra tu, mano Walter Galvão! A FUNJOPE foi para as mãos de outro poeta.

3 comentários:

BAR DO BARDO disse...

mais poeta que burocrata, espero. poesia sim!

lau siqueira disse...

Precisei entender a máquina burocrática, dominá-la. Mas, não precisei me burocratizar, amigão. Grande abraço!

Adalgisa disse...

Parabéns pelo trabalho desenvolvido, poucos podem exibir um balanço tão positivo assim. Sei que não será diferente nessa nova empreitada. ,
Ada