domingo, 11 de janeiro de 2009

vento pássaro



apressado o vento percorre teto e piso
da mesma geografia

e os verbos decidem a rima da íris

numa epidemia de mentes perplexas
pelo óbvio hilariante conjugado no delírio
das sílabas que transbordam
na pele da palavra

pássaros que cantam a sede de voar
e o detalhe duchamp da imprópria gaiola
onde recolheram suas asas e punem o
elogio da própria sorte

como quem morre em suspiro-sustenido

palavras que não saem das
nossas bocas não são palavras poucas

e solidão é um oco dentro de um oco com
o qual fundamos um diálogo tosco numa

interação de silêncios e ventos certeiros
que mentem o que não sabemos sentir



(lau siqueira – poema vermelho)

UMBERTO ECO
“(...) qualquer obra de arte, embora não se entregue materialmente inacabada, exige uma resposta livre e inventiva, mesmo porque não poderá ser realmente compreendida se o intérprete não a reinventar num ato de congenialidade com o autor.”
(Em Obra Aberta, Ed. Perspectiva-SP, coleção debates)

POEMÚSICA
Quando pegou meu livro Texto Sentido pela primeira vez, meu amigo, poeta Amador Ribeiro Neto disparou logo: “teus poemas são musicais”. Lembrei disso quando escutei, ontem, as dez músicas da minha parceria com Paulo Ró. Provavelmente algum rolo haveremos de aprontar para 2009 com o material selecionado. Alguns dos poemas são do livro Texto Sentido, outros são inéditos.

CONSTANÇA LUCAS
Constança Lucas é uma artista portuguesa que reside em São Paulo há anos. É dela o poema visual que abre as portas do Poesia Sim. Espero que tudo saia perfeito e que neste ano de 2009 consigamos publicar, juntos, um livro onde os desenhos de Constança dialogam com os meus poemas. Constança é autora do desenho da capa de Texto Sentido. Uma parceria de poesia, de reflexões e de mundo que muito me orgulha.

MEMÓRIA DAS FRUTAS
Meus olhos brilham quando chego ao supermercado e encontro pêssegos, figos, morangos, “bergamotas”, uvas... São as deliciosas memórias da minha infância que engordam a conta no caixa. Então eu viajo aos tempos em que meu pai vinha me oferecer “pescos”, como ele dizia na sua linguagem campesina. “Toma um figo bem madurinho”, dizia minha mãe. Quanto amor contido naquele gesto! Por isso meu coração transita na ternura, mesmo quando triste.

DENISE EMMER
“Especulando sobre o futuro do Tempo alguns cientistas supõem que o Universo, atualmente em expansão, começará dentro de sete bilhões de anos a contrair-se. A fase de contração será igual ao tempo invertido da fase de expansão. Assim, a vida ocorrerá ao contrário e as pessoas morrerão antes de nascer.”
(Do livro O Inventor de Enigmas, da poeta carioca Denise Emmer, publicado pela José Olympio Editora)

FRED SVENDSEN
Ganhei uma peça muito expressiva do artista plástico Fred Svendsen que a partir de ontem está exposta permanentemente na mesa do meu computador. Imponente, uma pintura em madeira (Ypê, segundo Fred). Visite o site e conheça a obra deste fantástico artista brasileiro.

5 comentários:

Pavitra disse...


oi, lau!

esse poema está num dos meu favoritos já! achei lindo "e os verbos decidem a rima da íris"...
bom, achei todo ele lindo...

tbm vim deixar o endereço do blog da denise emmer, novinho ainda... :)

Denise Emmer

beijos.

BAR DO BARDO disse...

Sim, há memórias de madalenas,bergamotas, poesia marginal e, por vezes, um concretismo para lá de ultrapassado. Nunca lhe saberemos o sabor real, porque somos assíncronos para todo o sempre...

Clarissa Marinho disse...

"interação de silêncios e ventos certeiros
que mentem o que não sabemos sentir"
Esse pedacinho me lembro Pessoa!
E as lembranças como são né?Umas tem gosto de fruta,outras gosto de poesia!
;)

Erica Maria disse...

"pássaros que cantam a sede de voar
e o detalhe duchamp da imprópria gaiola
onde recolheram suas asas e punem o
elogio da própria sorte

como quem morre em suspiro-sustenido"

posso, nesse momento, suspirar sustenidamente?

A Flor do Sul disse...

É mesmo. A obra está menos em quem a dá ao mundo do que naquele que a recebe de presente.
Amei teu blogue.
Abração.