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Mostrando postagens de Fevereiro, 2009
figos maduros



ai de mim
com essa figueira crescendo dentro
sem saber direito o momento da poda ou da colheita


ai de mim
que não entendo de árvores que não compreendo direito o que elas dizem o que fazem como agem na hora do corte e depois na transcendência das figueiras

nem sei se a casca
grossa no caule leitoso
com o tempo terá uma
fibra impermeável

ai de mim
que percorro a mansidão invisível
como um galo cumprindo o ofício
das manhãs


(do meu quarto livro, Texto Sentido. Devido aos limites editoriais do blog, tive que mudar a formatação do poema pra não ficar um assassinato geral)

O BLOG DA ALICE
Alice Ruiz é uma das mais importantes poetas brasileiras e uma amiga que gosto de encontrar pelo mundo. Pessoa doce e selvagem. Finalmente Alice entra no mundo dos blogs. Ela está esperando sua visita, seu comentário. Você que chegou até aqui, por favor, dê mais um passo: http://aliceruiz.com.br/

UMA MALDADE COM OS JORNALISTAS
Imagine o que representaria, em termos de erro médico (para ser trágico nesta coméd…
boca boca


sem mira
atiro em mim mesmo
às vezes
-
saio lanhado e disforme
e novamente me transformo
: assumo a interina forma

no mais
sou o verso que voa
no espetáculo sem bis
do instante

(do meu quarto livro, Texto Sentido)

TERÇA-FEIRA GORDA
Meu olhar parte no espelho... Miro no aço para saber se o rosto – o mesmo rosto antigo - ainda é triste. Descubro a juventude em tanto riso (e)terno. (Menos no espelho!) Um condor imaginado mastiga minhas certezas. Não sei quando escrevo ou leio o poema. Nunca sei do próximo verso. Em cada ponto, aponto. Ponto é ponto final. Enfim, mais um café quente e forte... (ou uma ceva gelada!)

A NOVA MESOPOTÂMIA
Andei lendo na revista Continuum, do Instituto Itaú Cultural, sobre a produção artística (especialmente literária) e as novas mídias. Resumo: Como nos comportarmos, por exemplo, diante das novas tecnologias? Dos dez livros mais vendidos no Japão, atualmente, cinco deles são editados para leitura no celular. Incômodo? De jeito algum. Na Mesopotâmia, também não dev…
Escala


Às vezes, quando estou de um jeito
que nem mais a tristeza incomoda
penso que minh’alma é uma escada.

Então vou subindo, palavra por
palavra... Separando as sílabas
conforme a capacidade de
armazenagem dos meus bolsos. Até
que a poesia acena para mim de
alguma janela.

E depois some como o vôo que fica na memória
tamanha a beleza do pássaro.

(poema do meu quarto livro, Texto Sentido)

SOBRE MARIO QUINTANA
Minha filha ganhou de um amigo o livro do jornalista Juarez Fonseca (LP&M Pocket) sobre o humor do poeta Mário Quintana. Registro aqui dois momentos pitorescos que testemunhei quando estive com o poeta em janeiro de 1987 (e que não estão no livro). Ele disse, por exemplo, que o prefeito de Alegrete (sua terra), quis prestar-lhe uma homenagem mandando fazer uma estátua de bronze. Quando o prefeito veio pedir uma frase para colocar no monumento, Mário falou: “Não faça isso! Um erro em bronze é um erro eterno”. E lá está a estátua: “Um erro em bronze é um erro eterno”- Mário Quintana. Tam…
conluio


a morte
é um passo
absurdo

junta os pés
de todo mundo

(poema do meu terceiro livro, Sem Meias Palavras – 2002, publicado também na edição de Aos Predadores da Utopia, pelo projeto Dulcinéia Catadora. Aliás, um projeto que vale a pena conhecer. Veja!)


LÚCIO LINS
Ontem seria o aniversário de nascimento do poeta paraibano (amigo muito querido), Lúcio Lins. Além de grande poeta Lúcio era um sujeito admirado por todas as pessoas. Até os canalhas gostavam dele! Para homenageá-lo, deixo registrado no Poesia Sim um dos seus poemas mais emblemáticos. Um texto que foi musicado e gravado pelo também poeta de inventivas melodias, o paraibano mallarmaico, Chico Cesar. Vale a pena conferir o clip da canção que foi gravada também com muita beleza e singularidade pela minha amiga cantora e compositora, Eleonora Falcone - pessoa imensa que conta com a minha mais alta estima. http://www.cifras.com.br/videoclip/chico-cesar/duas-margens


POEMA DE LÚCIO LINS COM MELODIA DE CHICO CESAR

Quando o tempo me cobri…
mobília


na madrugada insone
os objetos afirmam
suas linguagens de silêncio

e desenvolvem
suas prosas mudas
sob a nudez do telhado

imobilizados
movimentam a rodilha
do tempo

e dilaceram os vultos

espectros antigos
que entre eles
se escondem

(poema do meu primeiro livro, O Comício das Veias, Meubolso Edições, 1993)

CRONOPIOS
Minha coluna no portal Cronopios traz uma visão muito particular sobre o experimentalismo permanente de um coletivo musical que é pura transgressão poética. Falo do Aguauna. Confira!

GRACIAS, REGINA!
Sempre sou imensamente grato a “pequena multidão” que compra meus livros. (Multidão significando densidade. Pequena significando delicadeza.) Vem do Rio de Janeiro, por exemplo, um presente de Regina Coeli. Regina comprou meu livro aqui no blog Poesia Sim e ainda teve a gentileza de divulgá-lo em seu blog. Aproveito a maré leitora de Regina, para agradecer as pessoas que vêm aqui e lêem os poemas e os toques. Agradeço mui carinhosamente às pessoas que compram meu livro, seja em qualq…
divina sentença

como se não fosse o fato
no oco de um todo consumado

- coração de alquimias
tramando os olhos do passado

como se não fosse um ato
- cenário de sombras sumidas
num hiato

)colheitas de abismo e arte(

num coração de alquimias
tramando os olhos do passado

minh’alma desvestida do espanto
...desnudada no acalanto
da luz do desenluarar

)colheitas de abismo e arte(

como se um açude muito
profundo
pudesse guardar um coração

ferido de morte

ls – poema vermelho. Pruma amiga que reencarnou seus afetos)
blindagem


vivo neste redemoinho
como um cogumelo de ondas
invisíveis sobre a areia

um nada que se avoluma cada
vez que domino a palavra
como amante que permanece
esguio diante do amor

começo a tecer meus rios
paralelos como os rios que em
mim permanecem

cálidos e recorrentes



... uma vez vencido sou outro


(poema do meu quarto livro, Texto Sentido)

PRÊMIO SÃO PAULO DE LITERATURA
O Governo do Estado de São Paulo, por meio da Secretaria de Estado da Cultura, lança nesta sexta, 13 de fevereiro, o concurso Prêmio São Paulo de Literatura 2009. As inscrições podem ser feitas até o dia 30 de março e os interessados poderão acessar o regulamento no portal http://www.cultura.sp.gov.br/. Podem concorrer livros de ficção no gênero romance lançados no ano de 2008. A entrega dos documentos deverá ser efetuada por Via Postal ou no Núcleo de Protocolo e Expedição da Secretaria de Estado da Cultura (na Rua Mauá nº 51, Bairro Luz, São Paulo - SP, CEP 01028-900).

ZERO PARA A CULTURA
Minha irmã e minha sobrinha vieram de …
barulho


palavra
por palavra

minha úlcera
de verbos

tece
aos poucos

a membrana
do silêncio

(do meu primeiro livro, O comício das veias – Ed. Idéia-PB, 1993)

MARACATUS NO SAGUÃO

Recife sabe explorar sua multiculturalidade. Aliás, a cultura é uma das suas mais lucrativas indústrias. Hoje fui pegar minha irmã e minha sobrinha no Aeroporto dos Guararapes. Elementos do frevo, caboclinhos e maracatu saudavam os recém chegados. Totalmente "pra turista ver", mas tudo numa encenação de muito bom gosto. Na volta para João Pessoa, passando pelo Marco Zero, vejo que as estruturas começam a ser montadas. Por esses dias quem estará por lá será Manu Chao.

INDIGNAÇÃO
Recebi um e-mail muito triste de uma amiga e de um amigo. Fotos de uma moça com graves ferimentos no rosto, braços e mãos. Sangue na blusa... Sinais de muita violência! O autor da covardia, seu ex-namorado. Um tal Hilton Maia, mais conhecido por Japa. Repugna pensar que esse cara pode ficar impune! Aliás, como outros filhinhos abastados (abo…
cobaia


não existem feridas
que não cicatrizem

mas a marca funda
de um olhar amargo

dói como a dor de
um bicho esmagado

(do meu primeiro livro, O comício das veias – Ed. Idéia-Pb, 1993. O livro foi feito em parceria. Poemas meus e contos de Joana Belarmino)

POEMAS ANTIGOS
Tenho publicado em destaque no Poesia Sim, poemas dos meus livros anteriores. Aliás, todos devidamente esgotados. Tenho um projeto (aliás, uma idéia) de publicação a partir deles. Pretendo fazer uma seleção de poemas. (Quem sabe um dia.) Por enquanto, tudo não passa de um sonho...

NALDINHO
Escrevi ontem o texto de apresentação do CD “Todos do mesmo lado”, de Naldinho. Para os paraibanos que não lembram, Naldinho era baixista do excelente grupo de rock sertanejo, Apokalipsy. Depois fez história com o Tocaia da Paraíba, cujo primeiro CD também possui apresentação minha. Professor da UFPB, campus de Cajazeiras, Naldinho é um grande pesquisador das raízes da cultura nordestina. Suas composições são impecáveis, eivadas de cheiros hu…
aos predadores
da utopia




dentro de mim
morreram muitos tigres

os que ficaram
no entanto
são livres


(do meu segundo livro, O Guardador de Sorrisos)

OS PREDADORES
O poema acima é, seguramente, o meu poema mais divulgado. Infelizmente já pude encontrá-lo algumas vezes sem qualquer referência ao meu nome. Infelizmente algumas pessoas disseminam textos pela net (e fora dela), sem a referência autoral (e editorial) ou com a referência alterada. Uma vez encontrei, por acaso, esse poema numa coluna-besteirol da revista Metrópole, de Campinas (SP). Estava escrito como se fosse uma “frase” (veja!) e sem o meu nome. Entrei em contato e a moça se retratou e corrigiu o equívoco. Uma amiga chegou a recebê-lo, vindo de Portugal, também anonimamente. Por isso volto a publicá-lo aqui periodicamente, para retomar sua memória e sua simbologia pros meus caminhos na poesia.

DELETAR O POEMA
Rasgar o escrito. Ou sobre ele cometer muitos riscos. Quantos poemas ruins você escreveu hoje? Todo dia me pergunto. Para que se…
ploft



escrever poesia
algumas vezes
é como jogar
pedra em açude

as ondas se formam
e a gente descobre
que aquilo não é
poesia

é física


(do meu segundo livro, O guardador de sorrisos)

VANGUARDA
“Uma contracultura que não contraria, uma arte do escândalo que não escandaliza. A vanguarda estaria morta? Ou neutralizada, em razão do beneplácito adquirido pelas universidades, que lhes destinam salas de laboratório com sigla e número; por museus e fundações que lhe arquivam e preservam as produções? Com as multinacionais investindo no patrimônio da contracultura, visto que seu credo agônico se mostrou inofensivo para abalar os sólidos alicerces da tecnocracia, dilui-se a postura refratária aos núcleos que praticam a estética do escândalo e do experimentalismo artístico.”
(do livro “Modernidade e vanguarda nas artes, de Margarida Patriota. Oficina editorial, Instituto de Letras, UnB)
Então eu complemento: E aí? O que é vanguarda hoje?

RIO JAGUARIBE
Um rio inundado. Eis o destino do pobre Rio Jaguaribe, em Jo…
grafite

morrer é quase
um imprevisto

morro sempre
quando penso
que não existo

(ls – do meu terceiro livro, Sem meias palavras)

AGUAÚNA
Ainda hoje estarei enviando o próximo texto para a minha coluna no portal Cronópios. No entanto você já poderá acessá-lo em meu outro blog, Bastidores do Parto (www.lausiqueira.blogspot.com). Faço uma tentativa de análise do grupo de experimentações sonoras e musicais que no dia 26 de dezembro se apresentou no Festival Música do Mundo, aqui em João Pessoa. Os textos da minha coluna serão sempre apresentados em primeira mão para os leitores do Poesia Sim, através do blog-mano Bastidores do Parto. Confira!

EZRA POUND
“O MÉTODO adequado para o estudo da poesia e da literatura é o método dos biologistas contemporâneos, a saber, exame cuidadoso e direto da matéria e contínua COMPARAÇÃO de uma ‘lâmina’ ou espécime com outra.”
(em ABC da Literatura – Ed. Cultrix-SP. Tradução de Augusto de Campos e José Paulo Paes)

A ÍRA DO DELÍRIO
Não creio mais em inocências tardias. Os…