sábado, 7 de fevereiro de 2009

aos predadores
da utopia




dentro de mim
morreram muitos tigres

os que ficaram
no entanto
são livres


(do meu segundo livro, O Guardador de Sorrisos)

OS PREDADORES
O poema acima é, seguramente, o meu poema mais divulgado. Infelizmente já pude encontrá-lo algumas vezes sem qualquer referência ao meu nome. Infelizmente algumas pessoas disseminam textos pela net (e fora dela), sem a referência autoral (e editorial) ou com a referência alterada. Uma vez encontrei, por acaso, esse poema numa coluna-besteirol da revista Metrópole, de Campinas (SP). Estava escrito como se fosse uma “frase” (veja!) e sem o meu nome. Entrei em contato e a moça se retratou e corrigiu o equívoco. Uma amiga chegou a recebê-lo, vindo de Portugal, também anonimamente. Por isso volto a publicá-lo aqui periodicamente, para retomar sua memória e sua simbologia pros meus caminhos na poesia.

DELETAR O POEMA
Rasgar o escrito. Ou sobre ele cometer muitos riscos. Quantos poemas ruins você escreveu hoje? Todo dia me pergunto. Para que serve destilar as melhores energias quando a possibilidade criativa desaparece sob nossos pés? Eu mesmo respondo: tudo vale (e muito) pelo mergulho no abismo! Num experimento de guapo, puro e livre. Bem definido nos caminhos pela linguagem, mas sem paredes no olhar. Falido em palavras, algumas vezes. Deveras morto. Deveras fétido. Deveras em plena decomposição nos álibis do estilo. No entanto, digo que experimentar vale sempre. Por isso insisto e aqui publico. Nunca sei se vou conseguir escrever um poema. Apenas me permito.

POESIA & VIDA S/A
Lendo o comentário da amiga Adelaide Amorim na edição anterior e revendo minha inconformidade com a situação do rio Jaguaribe, comecei a lembrar de outros poemas que já escrevi tendo o rio como metáfora. Lembrei de tantos poemas escritos pelo mundo, no ritmo das águas correntes. Você já viu a nascente de um rio? Não existe nada mais belo. Eu conheci a nascente do Tietê. Um cenário bem diferente do que nos mostra a vida assassinada no seu curso.

rio jaguaribe
(para Valeska Asfora, que ama o rio Jaguaribe)

a palavra
p a r a l e l e p í p e d o
cabe inteira no poema

somente não cabe
no leito de um rio

onde também não cabe
a palavra lixo e a palavra
shopping

no rio cabem apenas
os movimentos da água
e dos peixes

no rio cabem as margens
e a cultura ribeirinha

emblema da vida
no ecossistema

só não cabe a sua
indiferença

(nem a minha)

(lau siqueira – poema vermelho)


CONTADOR DE VISITAS
Coloquei um contador de visitas para ter idéia da freqüência no Poesia Sim e me surpreendi. Pensei que o número de visitas estivesse bem próximo ao número de comentários. Sou grato aos que por aqui passam. Muito mais aos que se detém na leitura de comentários e poemas. Textos, no mais das vezes, de cunho absolutamente pessoal, confessionais até o talo – como se diz por aqui. E por favor: eu assumo minhas bobagens e, até mesmo e de certa forma, a minha ousadia de escrever poemas e buscar um convívio artístico com as palavras. Viva Poesia!

17 comentários:

Héber Sales disse...

De fato, o poema merece toda essa divulgação. É afiadíssimo em seu alumbramento. Um abraço.

adrianna coelho disse...


deletar o poema?!
não, eu não deleto, mas guardo pra mim... e fico lá paquerando e tentando decifrar o que aquelas palavrinhas juntas querem me dizer... quando eu entendo, vira poema... rsrs

"rio jaguaribe" é lindo!

beijos, lau

(l' excessive) disse...

Olá, poeta!
Solidarizo-me com você qto. a copiarem seus textos e não haver a devida preocupação de colocar o autor.
Já postei esse seu "dentro de mim morrerm muitos tigre..." mas coloquei,sim, seu nome. Não recordo se linkei até aqui. Mas que coloquei seu nome, tenho certeza.
Acho ele simplesmente demais.
Parabéns

nydia bonetti disse...

Lau
Se me pedissem para escolher um poema, dentre todos os que já li, "aos predadores da utopia", com certeza seria o meu escolhido.
Li pela primeira vez na Agenda da Tribo (que eu adoro) e me encantei.
Abraços
Nydia

valeska disse...

O meu (seu) poema preferido é "Os colibris".O "Predadores..." é quase uma oração para quem continua resistindo, e encantador porque mostra os caminhos do nascimento e da vida de um poema...Este que descreveu um fato e acabou sendo a revelação da alma de alguns de nós...Agora "tô toda besta" com o "rio jaguaribe"!rsrs Beijos

BAR DO BARDO disse...

seu poema mais divulgado faz por merecer o seu criador.

não costumo deletar os meus textos detestáveis, porque são como filhos que não nasceram para a poesia, mas não deixam de ser filhos...

já o meu contador de visitas, esse eu deletei, porque ele estava muito lerdo! rsrs

para a poesia digo, mais uma vez, sim!

- pimenta

José Carlos Brandão disse...

Muitos tigres de bengala
dentro de mim

coitados
tão velhinhos.

Anônimo disse...

Grande Lau, sempre surpreendendo com sua poética densa e original.

Ó, um SIMzinho procê, poeta:

mais
luz
do
que
o
sol
do
meu
céu

o
som
do
seu
sim



Abs,
Tchello d'Barros
Maceió/AL

Joana disse...

arabéns pelas múltiplas visitas!Que bonito esse poema do Rio Jaguaribe, Lau.

tete bezerra disse...

lindo "os predadores da utopia".um clássico da poesia nacional.

lisieux disse...

Todos os teus poemas são muito bons. E eu estou no meio daquelas pessoas que vêm, voltam, tornam a voltar e nem sempre comentam... talvez porque não haja o que dizer, quando a poesia é tão boa.
Os meus poemas, não os deleto NUNCA... e nem corrijo. Acho que poesia é momento e cada um tem sua importância, mesmo que o poema tenha saído "desafinado" e feio. Faz parte de nossa história, mesmo assim.
Bjo
lis

Edson Bueno de Camargo disse...

Minha filha abre o seu orkut comeste poema, mas não se preocupe, ela dá direitinho os seus créditos.

Ouvi do Fred Barboa, poeta de São Paulo que este poema, é um dos poemas porrada, que fazem a gente parar e pensar. No que concordo perfeitamente.

Oh burrico duro de montar esta tal de utopia.

Analuka disse...

Olá, querido amigo de alma alada e lunar!... Pois é, assim como aconteceu com teu poema (um dos que mais aprecio, por sinal!), também já aconteceu com minhas pinturas: às vezes me deparo com algumas de minhas imagens por aí, sem que haja qualquer referência à autoria... Mas, felizmente, muitos outros sites ajudam a divulgar nosso trabalho de modo mais consciente e respeitoso! Concordo plenamente contigo no que diz respeito ao direito e valor da experimentação poética constante: se estamos vivos e pulsantes, se somos apaixonados por letras, palavras e sentidos, como não ousar, e se atrever a escrever, na busca de algo diferente e satisfatório, ou, simplesmente, da auto-descoberta ou renovação?... Escrever, como pintar ou dançar, é vital e encantatório! ABraços alados azuis.

Abilio Terra Junior disse...

Prezado Lau Siqueira, estou apreciando os teus poemas exemplares. O teu blog é excelente. Aproveito para te convidar a visitar a minha homepage http://www.oshomenspassaros.com, e também o meu blog no MySpace; www.myspace.com/abilioterra é o meu endereço. Agradeceria se você colocasse o link da minha homepage no teu blog; colocarei também o link do teu blog na minha homepage. Um grande abraço, Abilio Terra.

lau siqueira disse...

Gracias aos amigos e amigas que comentaram este post.

Ricardo disse...

Oi Lau,

O que me animava (enquanto me animou) a manter o Nozarte blog foi o contador de visitantes. Fosse avaliar minhas visitações apenas pelos comentários, teria fechado o blog muito antes. É importante o contador. Importantíssimo. Abcs, Ricardo Alfaya.

Anônimo disse...

intiresno muito, obrigado