figos maduros



ai de mim
com essa figueira crescendo dentro
sem saber direito o momento da poda ou da colheita


ai de mim
que não entendo de árvores que não compreendo direito o que elas dizem o que fazem como agem na hora do corte e depois na transcendência das figueiras

nem sei se a casca
grossa no caule leitoso
com o tempo terá uma
fibra impermeável

ai de mim
que percorro a mansidão invisível
como um galo cumprindo o ofício
das manhãs


(do meu quarto livro, Texto Sentido. Devido aos limites editoriais do blog, tive que mudar a formatação do poema pra não ficar um assassinato geral)

O BLOG DA ALICE
Alice Ruiz é uma das mais importantes poetas brasileiras e uma amiga que gosto de encontrar pelo mundo. Pessoa doce e selvagem. Finalmente Alice entra no mundo dos blogs. Ela está esperando sua visita, seu comentário. Você que chegou até aqui, por favor, dê mais um passo:
http://aliceruiz.com.br/

UMA MALDADE COM OS JORNALISTAS
Imagine o que representaria, em termos de erro médico (para ser trágico nesta comédia), o deslize editorial de alguns dos nossos conhecidos jornais. Vou citar apenas três exemplos.
FOLHA DE SÃO PAULO – COTIDIANO, 28/11/07. “Jovem de 19 anos engravida após usar anticoncepcional.” Sério! Eu pedi um copo d’água. A abolição do órgão reprodutor masculino foi demais pra mim. Principalmente, num veículo que produz um disputado “Manual de Redação”. CORREIO DA PARAÍBA – manchete principal “Humberto Lucena está na CTI, mas passa bem.” Sinceramente nunca vi tamanho otimismo. Fiquei realmente espantado, mas ainda não foi esse o maior espanto editorial que tive na vida. Infelizmente, não lembro a data desta publicação, nem a da próxima. JORNAL O NORTE (PB) “Lancha desgovernada leva menino ao hospital”.Sem comentários. Esta foi uma criação dos Diários Associados. Bem...voltemos para a poesia.

ANELITO DE OLIVEIRA
Tive o prazer de conhecer pessoalmente na última terça, o poeta (mineiro de Bocaiúva) Anelito de Oliveira. Jornalista, Anelito foi editor do Suplemento Literário de Minas Gerais. Foi também criador e editor do jornal Não e da conhecida revista Orobó. Como ensaísta, publicou como co-autor o livro O defunto e a escrita: Machado de Assis segundo Brás Cubas. Acima de tudo, uma pessoa amável. Sobretudo, um crítico e poeta rigoroso. Reside hoje em Montes Claros(MG), onde é professor universitário.


UM POEMA DE ANELITO DE OLIVEIRA

: é água, passando
no cano, que passa
por dentro, ali na
parede, aqui, deste
apartamento, isto
isto que você ouve como
dilúvio, como, agora
seu canto, quieto,
esta noite, aqui,
a pensar em nada:
tudo sabe que é (
água), mas você pode
registrar: sangue
vapor fogo rumor
de ar, qualquer som
que faz do silêncio
veia prestes a es-
tourar, qualquer
ruído que anuncia
um corpo onde é

(“água” e o título do poema de Anelito de Oliveira, extraído da antologia Na virada do século – poesia de invenção no Brasil. Organizada pelos poetas Claudio Daniel e Frederico Barbosa)


SAIDEIRA
Conheça a revista CultPB. Carrega lentamente, mas vale a pena. Nesta edição, um poema meu (feito por encomenta, sobre o verão) com um desenho do grafiteiro Shiko. Veja o link: www.cultpb.com.br

Comentários

Marcos disse…
"Africanas matam pastor no CAN", essa eu li nO Liberal, de Belém, e se referia ao atyaque de abelhas africanas contra um cão pastor alemão.
Agradável surpresa encontrar este blog linkado pela minha mulher em nosso blog. Muito bom!
Bruna Mitrano disse…
Acho que percorro a mansidão invisível. "mansidão invisível", gostei tanto disso.
Belo poema esse seu, simples e completo(não no sentido de acabado, "imexível"; mas no sentido de que não parece faltar nada, nem sobrar).
Me fez ir como que de lancha p'ra qualquer lugar impossível, dentro de mim.
Só não me faria ficar bem no CTI porque o barulhinho ininterrupto do aparelho de onde saem os fios que ficam grudados na gente é insuportável.
Acho que vou parar de tomar anticoncepcional pra não engavidar.
E vou passar a ler os poetas que você indicou.
E também esse seu blogue, que tem muita coisa boa...
BAR DO BARDO disse…
bons textos, eu digo sim.

ai, lau, vc vai arrumar encrenca com 'os' jornalistas... rsrs
Clarissa Marinho disse…
Gostei do poema de Anelito,da forma como as palavras dançam.E qto à figueira,enquanto der fruto,acho que não importa muito se é época de colheita ou não!rs
Obg pelo elogio!
Daiana Geremias disse…
Eita... Bela poesia, Lau... E ótima a indicação do site da Alice Ruiz!
Ri um bocado com as manchetes dos jornais... Entre o riso e o choro, ainda fico com a primeira opção quando posso.
Beijos!
Marli Reis disse…
...por aqui, alimento a minha...(ai de mim!)

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