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sexta-feira, 20 de fevereiro de 2009

mobília


na madrugada insone
os objetos afirmam
suas linguagens de silêncio

e desenvolvem
suas prosas mudas
sob a nudez do telhado

imobilizados
movimentam a rodilha
do tempo

e dilaceram os vultos

espectros antigos
que entre eles
se escondem


(poema do meu primeiro livro, O Comício das Veias, Meubolso Edições, 1993)

CRONOPIOS
Minha coluna no portal Cronopios traz uma visão muito particular sobre o experimentalismo permanente de um coletivo musical que é pura transgressão poética. Falo do Aguauna. Confira!

GRACIAS, REGINA!
Sempre sou imensamente grato a “pequena multidão” que compra meus livros. (Multidão significando densidade. Pequena significando delicadeza.) Vem do Rio de Janeiro, por exemplo, um presente de Regina Coeli. Regina comprou meu livro aqui no blog Poesia Sim e ainda teve a gentileza de divulgá-lo em seu blog. Aproveito a maré leitora de Regina, para agradecer as pessoas que vêm aqui e lêem os poemas e os toques. Agradeço mui carinhosamente às pessoas que compram meu livro, seja em qualquer circunstância, lugar ou tempo. Afinal, essas pessoas são a minha possibilidade de publicar numa extrema marginalidade, num mercado editorial para o qual eu gostaria de ser de alta periculosidade... Confiram o blog de Regina Coeli!

FREVO NAS RUAS
Vindo de Recife, na noite de ontem, cruzei com um pequeno bloco de frevo ali por perto do Marco Zero, no velho estilo caliente do ritmo das terras de Itamaracá . Então pude perceber que é sempre carnaval. Apenas não usamos as mesmas fantasias do calendário. No mais, a cidade fervia em sensações de alegria. Dia desses quem estará por ali será o francês Manu Chão e sua ginga multicultural.


Tua pele em minha ousadia

Quando tua voz estremece o dorso
do silêncio absurdo nas horas frias,
sinto teu beijo no hálito suposto
onde vejo ternas tuas mãos vazias.

Quando em teu beijo meu desejo voa,
nas horas em que pulsamos miúdos,
na ancestral inquietude vivida à toa,
fecho teus olhos e nos despimos mudos.

Tuas pernas entreabrem minhas pálidas
lembranças dum tempo arte que arde.
(Dizem que até demências são cálidas!)

Teu sexo me engolindo... pele ardendo,
dizendo que pra saudade nunca é tarde.
(De você e de mim, só não sei quando.)

(poema vermelho – ls)

3 comentários:

anareis disse...

Estou fazendo uma campanha de doações para criar uma minibiblioteca comunitaria na minha comunidade carente aqui no Rio de Janeiro,preciso da ajuda de todos.Doações no Banco do Brasil agencia 3082-1 conta 9.799-3 Que DEUS abençõe todos nos.Meu e-mail asilvareis10@gmail.com

Juliano Sanches disse...

Olá tudo bem. Parabéns por ter um Blog com um estilo visionário. Há quem tire ouro do lodo. Há quem tire pessoas de mobílias. Quem diria hein... Não estamos em Terra de Cego, mas, às vezes, parece que só poucos enxergam em nosso chão. Poucos tem um olho. Olho que funciona, é claro. Precisamos descobrir esse nosso olho, pois, pelo contrário, estaremos unidos à multidão que se embarca eternamente na nau do conformismo. Desde já vou acompanhar o olho desse Blog. Bem pensado esse espaço. Nessa semana, no meu blog eu fiz uma poesia sobre as superações da vida, as pedras tiradas no caminho. Dê uma olhada.

Meu nome é Juliano Sanches, sou jornalista, colaborador do Portal Sorocult (www.sorocult.com), do Portal Comunique-se (www.comunique-se.com.br), da revista on-line Guaruçá (www.ubaweb.com), e do Portal Mário Lincoln do Brasil (www.mhariolincoln.jor.br). Sou colunista do Jornalzen (www.jornalzen.com.br), de Campinas. Escrevo esporadicamente para o Jornal Correio Popular de Campinas (www.cpopular.com.br). Tenho um blog, chamado "Casa do Juliano Sanches". Trata-se de um espaço de reflexão sobre temas como qualidade de vida, natureza, ecologia, espiritualidade universalista, viagens, lugares do Brasil, experiências místicas, músicas de diferentes estilos, ruralismo, jornalismo, psicologia, peças de teatro, livros, autoconhecimento,
autoajuda, autoafirmação, resistência cultural, vida em harmonia, paz, estudos, observações diárias, poesia, geração de visibilidade para as pessoas mais excluídas, culturas do povo e folclore. Comecei a fazer algumas experiências de coleta de informações. Durante os finais de semana, eu dedico uma parte do tempo à observação e ao acompanhamento dos coletores de lixo de Campinas. Já fiz amizade com alguns deles. Com as experiências, eu iniciei uma reflexão sobre a falta de visibilidade dos trabalhadores braçais. No blog Casa do Juliano Sanches (http://casadojulianosanches.blogspot.com/), eu também dediquei um espaço ao tema. O meu objetivo é verificar como são as relações sociais entre coletores de lixo e a população que anda pelas ruas de Campinas. Fiz algumas comparações entre carroceiros, profissionais de limpeza de banheiro, garis e margaridas. Pude perceber que são pessoas receptivas. Apesar de vivenciarem uma situação de anonimato, produzida pelos dispositivos da sociedade, eles aindam conseguem, mesmo que minimamente, manifestar suas visões a respeito das condições de sobrevivência nas cidades industrializadas. Fiz algumas fotos de dois dos garis que acompanhei. As imagens dos rostos deles fazem uma representação evidente das dificuldades vivenciadas pelas ruas, principalmente o cansaço e o abandono da sociedade.

Visite minha Casa, quando puder.

O endereço é:

(http://casadojulianosanches.blogspot.com/).

Um grande abraço.

BAR DO BARDO disse...

Digo sim!
E me repito se afirmo que os textos são bons?