quarta-feira, 4 de fevereiro de 2009

ploft



escrever poesia
algumas vezes
é como jogar
pedra em açude

as ondas se formam
e a gente descobre
que aquilo não é
poesia

é física



(do meu segundo livro, O guardador de sorrisos)

VANGUARDA
“Uma contracultura que não contraria, uma arte do escândalo que não escandaliza. A vanguarda estaria morta? Ou neutralizada, em razão do beneplácito adquirido pelas universidades, que lhes destinam salas de laboratório com sigla e número; por museus e fundações que lhe arquivam e preservam as produções? Com as multinacionais investindo no patrimônio da contracultura, visto que seu credo agônico se mostrou inofensivo para abalar os sólidos alicerces da tecnocracia, dilui-se a postura refratária aos núcleos que praticam a estética do escândalo e do experimentalismo artístico.”
(do livro “Modernidade e vanguarda nas artes, de Margarida Patriota. Oficina editorial, Instituto de Letras, UnB)
Então eu complemento: E aí? O que é vanguarda hoje?

RIO JAGUARIBE
Um rio inundado. Eis o destino do pobre Rio Jaguaribe, em João Pessoa. Não bastasse em um extremo da cidade um shopping sobre o seu leito, no outro extremo a prefeitura de tempos atrás, certamente regida por um irresponsável, urbanizou a comunidade que se apropriou do seu leito. No leito do rio, ruas calçadas e casas aguardando serem invadidas pelas águas no tempo das chuvas. João Pessoa, como tantas cidades, sofre muito mais com as cagadas homéricas dos oportunistas de plantão que propriamente com as suas mazelas naturais. E ninguém é responsabilizado!

MAÍRA BARROS
Há tempos não tinha notícias da minha querida Maíra Barros. Maíra é cantora e compositora. Filha de uma dupla muito conhecida, os grandes Antônio Barros e Cecéu. Dessa dupla, mais de 700 músicas foram gravadas. Entre elas, clássicos da música nordestina como “Homem com H” e “Bate Coração”. Ousada, Maíra segue o rastro dos pais, dando modernidade à tradição. Seu trabalho hoje comporta uma linguagem contemporânea que certamente dará qualidade ao mercado da música brasileira. Confiram!
www.myspace.com/mairabarros

boca di bonna


quando meus olhos
invadiram tua pele
e teus poros saltaram
sobre a minha saliva

engoli teu cio
e percebi um riso liberto
na gemedeira do
silêncio

e foi como um véu
na noite chuvosa
que lá fora zelava
os ferrolhos de uma
solidão que não mais
conjuga verbos
sofridos

porque o gozo é um
álibi para a eternidade
do instante que tatua
a memória branca dos
espelhos

(...)

signos retidos no aço
volumoso da canção
que não ouvi e nem sei
se existirá
alegre
ou triste

(no desejo e
na possibilidade
do mesmo
e intenso toque)

(poema vermelho – lau siqueira)

GRAN FINALE
Concedi entrevista ao sempre generoso amigo, poeta Selmo Vasconcelos, de Porto Velho. Entrevista esta que será publicada no jornal Alto Madeira, daquela capital. Confiram! http://antologiamomentoliterocultural.blogspot.com/ Fui!

9 comentários:

BAR DO BARDO disse...

Digo sim! Sempre! Primeiro, um poeta escreveu certa feita: "o oculto se encontra se o culto costura a cultura contra a contracultura" - no caso acho que fui eu. Segundo, vanguarda é hoje o que sempre foi, só que não sobe à passarela por holofotes. A "paradinha" da blogosfera é exemplo de vanguarda. Comparando: em termos de música, já matamos o vinil e o cd - nem vou filosofar sobre. Em termos de poesia,é, é, é, nem vou filosofar sobre, que somos tipo serial killer. Se não concorda, favor, puxe minha orelha.

Abaixo os clássicos!!!

lau siqueira disse...

Sou um criador se absolutamente nenhum preconceito estético, Henrique. Por isso não me icomodo com os clássicos da pintura e ainda assim admiro demais as "paradas" do Hélio Oiticica, respeito Petrarca e Cummings, Augusto de Campos e Olavo Bilac... enfim. Penso que a vanguarda vale pelo risco e é o que se pretende acontecido e não o que aconteceu. As vanguardas não são, absolutamente, estáticas. O problema é que duvido muito disso.
Sempre é uma alegria imensa vê-lo por aqui. Há braços!
Lau

PS. Dante é um clássico que só abaixo da minha estante, para reler e reler. Baudelaire, idem. Rimbaud... Haroldo de Campos é um clássico contemporâneo. Ou não? Puxeminha orelha... rsrsr

Héber Sales disse...

ploft: é bem por aí.
um abraço

nydia bonetti disse...

Lau
Também descobri há algum tempo que tem muito da física na poesia e vice-versa. Especialmente da física quântica.

Eternamente gravito, no campo das incertezas...

Abraços

Nydia

lau siqueira disse...

Pô, Henrique minha resposta pra tu tá cheia de erros. Nydia, realmente a física quântica é poesia pura. Vc leu Ponto de Mutação?

Ana disse...

Eu lembro da sensação que eu tive ao ler "Ploft" pela primeira vez! Ela só se intensificou! Beijão!

lau siqueira disse...

Pois é, Aninha, um poema "das antigas". Parece um forró de duplo sentido. rsrsrs bjs

adelaide amorim disse...

Mas a poesia não se mistura a tudo que diz respeito às realidade?

valeska disse...

Por muito pouco,não teriamos outro Shopping em cima do Rio,no trecho ao lado do Supermercado Pão de Açúcar na Epitácio.Também a comunidade Tito Silva em Miramar tem grande parte de sua área em cima de um braço do Rio.O destino do Rio Jaguaribe é muito triste...Praticamente atravessa a cidade inteira! E quase nunca eu vejo alguém falar no nosso Rio...