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Mostrando postagens de Março, 2009
pornografia brasileira



madrugada

três meninos
ajeitam seus lençóis
de sacos e jornais
no mercado público
de mangabeira

chove

(poema do meu segundo livro, O guardador de sorrisos)

SOBRE TÍTULOS E LIVROS
“O batismo do livro” é o titulo de uma matéria do grande Bráulio Tavares - paraibano de tutano - na revista Literatura. Tudo a ver com um dos tópicos da edição anterior do Poesia Sim. O que achei interessante no texto foram algumas informações bastante curiosas, por exemplo, acerca de títulos que foram mudados na última hora. Por exemplo, a trilogia O Tempo e o Vento, de Erico Veríssimo, se chamaria O Vento e o Tempo. Erico só mudou o título na hora de ir pra gráfica. Com Graciliano Ramos ia acontecendo o mesmo. Vidas Secas se chamaria O Mundo Cheio de Penas.
LUIZ OTAVIO OLIANE
Recebi uma homenagem carinhosa do poeta carioca Luiz Otávio Oliani. Vejam o e-mail que me envia: "Caro Lau Siqueira (...)
Escrevo-lhe por um motivo único. Este ano sairá o meu segundo livro de poemas. Nele, incluí texto…
laranja mecânica



às vezes me desespero
e cometo absurdos

às vezes simplesmente
fico mudo

não sei de onde vim
nem porque assim
me desnudo

(do meu segundo livro, O guardador de sorrisos)

PROCURA-SE UM TÍTULO
Estou em pleno processo de construção do meu quinto livro. Desta vez é uma composição conjunta com a artista visual Constança Lucas. Começa, então, o drama da escolha do título e da seleção dos poemas. Escolhas que devem ser ao mesmo tempo lógicas e inventivas. Nunca foi fácil. Com este não está sendo diferente. Até porque já estou vivendo também a agonia do financiamento. Sempre é uma aventura. Afinal, meus leitores e leitoras são, na verdade, os meus editores. Portanto, preciso de, pelo menos, 300 editores investindo R$ 10,00 cada um. Tem sido assim. Mas, no momento preciso dizer que procuro ardentemente um título. Esta é a agonia do presente.

RESISTÊNCIA AO MERCADO
Há muito não estou mais interessado em vender meus livros nos espaços formais, ou seja, nas livrarias da cidade. Por uma que…
miramar




minha morada é uma ventana
por onde sinto os tremores do
mundo

meu quintal é uma ilha
guardada por beija-flores

de onde em saltos de milha
transbordo nos silêncios
sumidos

...

(tenho sonhos
feitos de aço)

(lau siqueira )

A CIRCUNSTÂNCIA DO POEMA
Sempre escolho leituras que fazem do meu pensamento um baú de espantos. Há livros que incorporo às minhas necessidades essenciais. Obra Aberta, por exemplo, é um deles. Foi onde descobri que o poema permite às suas linguagens um permanente movimento. Segundo Umberto Eco, desde quando escreveu o primeiro ensaio de Obra Aberta (em 1958) nunca mais parou de reescrevê-lo. O poema acima, escrito para o meu bairro e minha morada, também vem sendo reescrito. Talvez reapareça no blog em outro formato, ainda. O que é, na verdade, sua função enquanto provocação e exercício. Reinventar o poema é, fundamentalmente, um exercício de leituras e releituras.

UMBERTO ECO
“(...) qualquer obra de arte, embora não se entregue materialmente inacabada, exige uma respost…
byt
(a coragem de manter o riso)


no olho
que lê as coisas pelo
avesso
,
a poesia ruge
tal bicho que se re
bela
,
e some
,
navegando pa
lavras como se um
mar houvesse

(...há )

como se a lua impo
luta - e nua

com
partilhasse
seu brilho cinzento
dentro de um uni

verso
comun
ista

...na semea
dura do que virá

( ah... )

(ls – da série poemas vermelhos. Byt em russo significa cotidiano, rotina...)

O QUE VOCÊ ESTÁ LENDO?
Recebo e-mail dum amigo poeta, o imprescindível Jomard Muniz de Brito. De tão fundamentais as suas argumentações e a sua provocação, transcrevo na íntegra: “Poeta Lau Siqueira, amigo de sempre: as suas dúvidas sobre a edição de textos pela net são por mim redobráveis: continuo preferindo a solidão compartilhada pelos livros: a net está inflacionando todas as redundâncias e falsas experimentações: vamos refazer uma impossível campanha de leitura dentro e através dos livros? Comecemos com a indagação: o que você vem lendo ultimamente? Abraços do Jomard.
PS.: se possível divulgue este comunicado tão interp…
tese de machado



no entalhe
a madeira se reparte

com porte de quem
cumpre o rito criador

o machado parte

a árvore tombada
já não é a mesma

virou linguagem
substrato e signo de
abismo e arte

(lau siqueira poema inédito em livro)

TESE DE MACHADO
Este poema foi um dos dez musicados por Paulo Roh e que, provavelmente, neste ano de 2009 deverão ser lançados em CD. A música ficou linda. Paulo Roh soube extrair de cada palavra a sua extrema musicalidade. Mas, não para por aí...

HOJE É O DIA!
Já escrevi por aqui que meu próximo livro será de poemas de desenhos. Uma parceria com a artista visual Constança Lucas, cujo talento você pode conferir num link aqui ao lado. Hoje mesmo começo a seleção dos poemas e envio os primeiros para Constança. Espero dentro de uns três meses ter re$paldo editorial para publicá-lo. Certamente que por conta própria. Apostando na venda para evitar maiores prejuízos. Espero que lá para setembro tudo esteja bem mais definido. E, quem sabe, o livro já publicado. Vou selecionar o…
signo


a cadeira
onde sento para
escrever poemas
sequer suspeita
da trama conceitual
que envolve
sua existência.

(do meu livro, Sem meias palavras, 2002)

FEITO PINTO NO LIXO
Fiquei feliz ao saber que ainda é possível encontrar meus livros anteriores através do site Estante Virtual. Tanto que vou colocar um link para este site aqui no blog. Além dos meus “filhos perdidos” pude encontrar outros livros raros. A razão da desova nunca importa. Afinal, já comprei Fernando Pessoa em um sebo. Acho honesto quando alguém, por algum motivo, entrega seus livros para esse tipo de empreendimento. Os sebos são grandes guardadores de raridades. Quem deixa livros em sebo, fomenta o mercado alternativo do livro, gera renda e oportunidade de leitura barata. Sobretudo permite aos “ratos de sebo”, como eu, razões que somente os ácaros compreendem. Ontem, pensando neste achado, fiquei feliz “feito pinto no lixo”, como se diz por aqui.

MARCAS

Nenhuma
vingança dentro de
si.
Suas mãos
e seus olhos
eram limpos.

Sabia d…
o galo


o silêncio
com suas equações
de estrelas
abre os portais
da madrugada

sob os olhos atentos
do infinito
um quarto de lua
empresta a partitura
ao galo

(do terceiro livro, Sem meias palavras)


MEUS LIVROS POR AÍ
A net sempre me surpreende enquanto ágil instrumento de mídia e pesquisa. Ontem consegui localizar três dos meus quatro livros. Eles estão à venda em alguns sebos pelo site Estante Virtual. site que se apresenta como a maior rede de sebos do Brasil. Esses exemplares, logicamente, foram carinhosamente desovados por alguém. Mas, a mim parecem filhos queridos extraviados pelo mundo que, de repente, dão algum sinal de vida. Senti certa alegria ao ter alguma notícia deles. Se alguma alma poética visitante do Poesia Sim estiver interessada, pode fazer o contato direto a partir do link aqui exposto.

SOBRE VENDA EM LANÇAMENTOS
Sempre fico desconfiado quando algumas pessoas que não curtem poesia, compram meus livros nos lançamentos. São pessoas que vêem um lançamento de livros como um evento…
motivo


...espesso -
estado de incêndio

(denso))))))

confronto
quando esboço
ou aborto

reto risco torto

avulso

ato que conjuga
quando esculpe

...num silêncio
ubre


(lau siqueira – poemas vermelhos)

EDU DA GAITA
Gosto de dizer que nasci na terra do grande Edu da Gaita. “Somos de Jaguarão” (RS), digo sempre. Lamento, entretanto, que esse grande músico seja uma personalidade completamente esquecida na memória da cidade. Seu acervo pode ser encontrado em algumas universidades do mundo, ou no Museu da Imagem e do Som, do Rio Grande do Sul. Em Jaguarão, não. Você que não é de Jaguarão e não tem nada com isso, conheça a obra e a história de Edu da Gaita: http://www.edudagaita.com.br/

O SUOR DA INSPIRAÇÃO
Terça passada estive participando do projeto Tome Poesia & Tome Prosa, do poeta Antônio Mariano. Fiz dupla com a romancista Mercedes Cavalcanti. Alguma pergunta foi feita acerca do processo de criação. Aliás, essa pergunta nunca falta. Muitas vezes, o que falta são as respost…
rio jaguarão



e assim
fui engolindo o tempo

bebendo as vinhas
do esquecimento

minhas mentiras íntimas
doces folias de momento

(a vida
eu mesmo invento)

(publicado inicialmente no meu segundo livro, pela Trema Edições e pelo projeto Dulcineia Catadora)

TOME POESIA. TOME PROSA.
Neste dia 10, às 20h, eu e a romancista Mercedes Cavalcanti estaremos falando das nossas trajetórias literárias no projeto “Tome Poesia, Tome Prosa”, do mano-poeta-produtor Antônio Mariano (atual editor do Correio das Artes). O projeto acontece nas primeiras terças de cada mês no restaurante Sagarana, na praia de Cabo Branco, em João Pessoa. No dia 5, estive falando sobre o grande líder negro paraibano, João Balula, no auditório do CT, da UFPB Campus 1. Da mesma mesa, participaram a professora Saruê Tanaka, o mestre de bateria da Escola de Samba Malandros do Morro e a artista plástica Rachel Trindade. Raquel é filha do grande Solano Trindade.

JORGE LUIS BORGES
“Tenho para mim que sou essencialmente um leitor. Como sabem, eu me…
embargo


não sei em que estação
minh’alma estanca e pede
fôlego

caminhante da
pele que me veste
vou indo

andar de leveza sobre as
pedras e flutuante de nuvem
quando aço

(do meu livro Texto Sentido - venda ao lado, por 15 pilas)

DISCUTINDO POESIA
Na postagem anterior o debate fluiu fácil. Várias pessoas comentaram sobre a seleção de poemas para a publicação. A verdade é que no caso de uma publicação custeada pelo autor, no geral, o critério básico é a solidão do autor. Não há modelo. Por outro lado, quando uma editora decide bancar uma publicação até mesmo o título do livro pode sofrer alterações. Não raras vezes a seleção de poemas fica por conta de um organizador ou editor. Mas, enfim, continuemos o papo agora noutro foco.

CROCE E A POESIA
“Na consciência estética atual vem incidindo, cada vez mais profundamente, a diferença entre Poesia e Literatura, já muito sentida na época romântica, embora percebida apenas em alguns aspectos particulares nas épocas precedentes, inclusive a antiguidade grec…
refrão

os ventos são algazarras
do infinito
em nossos cabelos gris

(bis)

(do meu quarto livro, Texto Sentido)

EZRA POUND
“(...) estou firmemente convicto de que se pode aprender mais sobre poesia conhecendo e examinando realmente alguns dos melhores poemas do que borboletando em torno de um grande número deles. De qualquer forma, uma grande quantidade de falsos ensinamentos é devida à suposição de que os poemas conhecidos da crítica são realmente os melhores.”
(do livro ABC da Literatura, tradução de Augusto de Campos e José Paulo Paes, Editora Cultrix-SP)

QUAIS OS SEUS MELHORES POEMAS?
Boa parte das pessoas que freqüentam o blog Poesia Sim, também são poetas. Ocorre-me perguntar, então: Você conhece seus melhores poemas? Esta não é, certamente, uma pergunta para ser respondida com sim ou não. Pelo menos eu não posso responder assim.
Certa vez, convidado pelo poeta e professor Amador Ribeiro Neto para participar de um momento com seus alunos e alunas no Curso de Letras da UFPB, descobri que est…
mercado central
de joão pessoa




são tristes
as folhas murchas
do repolho
que um homem
faminto não pode
comer

(poema do meu segundo livro, O Guardador de Sorrisos-1998)

CARLOS ARANHA
Não faço segredos da minha aversão ao estilo “caixa preta intelectual” das academias de letras. Minha convicção é que a obra e somente a obra pode imortalizar um autor. O exemplo pulsante dessa verdade é Mario Quintana que dizia ser a Academia Brasileira de Letras “um tipo de associação recreativa e funerária”. Não sou o único a pensar assim. Apesar de tudo, tenho inúmeros amigos muito queridos em várias delas. (Respeitar as diferenças nunca foi meu fraco.) Agora recebo o convite para a posse de Aranha na Academia Paraibana de Letras...

CARLOS ARANHA I
Conheço Aranha desde que cheguei à Paraíba, Sou testemunha das suas idéias e das suas ações. Por isso, no próximo dia 2 de março, segunda-feira, a partir das 20 horas, estarei na fila de abraços do meu amigo no Teatro Santa Roza. Aranha é uma transgressão aos trâmites ca…