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sexta-feira, 20 de março de 2009

signo


a cadeira
onde sento para
escrever poemas
sequer suspeita
da trama conceitual
que envolve
sua existência.


(do meu livro, Sem meias palavras, 2002)

FEITO PINTO NO LIXO
Fiquei feliz ao saber que ainda é possível encontrar meus livros anteriores através do site Estante Virtual. Tanto que vou colocar um link para este site aqui no blog. Além dos meus “filhos perdidos” pude encontrar outros livros raros. A razão da desova nunca importa. Afinal, já comprei Fernando Pessoa em um sebo. Acho honesto quando alguém, por algum motivo, entrega seus livros para esse tipo de empreendimento. Os sebos são grandes guardadores de raridades. Quem deixa livros em sebo, fomenta o mercado alternativo do livro, gera renda e oportunidade de leitura barata. Sobretudo permite aos “ratos de sebo”, como eu, razões que somente os ácaros compreendem. Ontem, pensando neste achado, fiquei feliz “feito pinto no lixo”, como se diz por aqui.

MARCAS

Nenhuma
vingança dentro de
si.
Suas mãos
e seus olhos
eram limpos.

Sabia dos ventos
que mudam rumos
e inventam
barcos.

Escrevia poemas
e tinha marcas visíveis
e invisíveis
na fronteira entre a pele
e o nada.

(lau siqueira - poema vermelho)

VICENTE HUIDOBRO
“Poema criado é um poema em que cada parte que o constitui, e todo o conjunto, mostra um jeito novo, independente do mundo exterior, desligado de qualquer outra realidade que não seja a própria, pois toma o seu lugar no mundo como um fenômeno singular, separado e diferente dos demais fenômenos.”
(epígrafe da antologia “A poesia Maranhense no século XX, organizado por Assis Brasil).

rio jaguaribe


a palavra
p a r a l e l e p í p e d o
cabe inteira no poema

somente não cabe
no leito de um rio

onde também não cabe
a palavra lixo e a palavra
shopping

no rio cabem apenas
os movimentos da água
e dos peixes

no rio cabem as margens
e a cultura ribeirinha

emblema da vida
no ecossistema

também não
cabe a sua indiferença


(nem a minha)

(lau siqueira – poema vermelho)

DIREITO AMBIENTAL
Escrevi este poema quando, juntamente com a Defesa Civil, estive em missão de trabalho na comunidade Tito Silva, em João Pessoa. Desinformados acerca da questão ambiental, os comunitários construíram suas casas no leito do rio. Coitados, todo ano têm problemas com as cheias. O que é imperdoável, no entanto, é a consolidação do crime pela Prefeitura que, na época, realizou calçamento no leito do rio. Este fato motivou o poema que agora será epígrafe do livro “Direito Ambiental: desafios contemporâneos”, organizado pelo professor, advogado e ambientalista Talden Farias e por outro advogado cujo nome não foi citado no e-mail que Talden enviou solicitando autorização. O livro será lançado em agosto.

8 comentários:

Mirse disse...

Belíssimo!!!!!!
Quanta emoção e segredo não existirá na cadeira e na mesa de um poeta? De cedro ou de simples madeira, deve sentir as vibrações da emoção que também a envolve.

Parabéns!

Grande abraço

Mirze

fred disse...

Sempre dizendo: poesia sim.
Abraço-o

Cássio Amaral disse...

20 de Março de 2009

ORTOGRAFICA ORFOMOSE FORMA


qUE fEIÚRA
OLHE NO ESPELHO MEU FILHO!
É FeiuRA

Postado por Cássio Amaral às 01:24:00

Nydia Bonetti - disse...

A indiferença nao deveria caber em lugares nenhum, no entanto ela invade o planeta e lentamente o destrói. Até quando?
Precisamos cuidar.
bjo.

Nana disse...

Papito! o poema é mais que perfeito para o direito ambiental! bjim, papi!

Anônimo disse...

Lau, sempre bom ler e reler sua poesia, nessa verve densa em meio a palavras tão bem (es)colhidas.

Me impressiona essas suas abordagens temáticas inusitadas e esse resultado final que nos passa uma leveza na leitura.

Abrção,
Tchello d'Barros
Maceió/AL

Leo Lobos disse...

mis saludos desde Santiago de Chile
gracias por la invitación a POESIA SIM - poesía sí!!

un abrazo afectuoso y fraterno desde Chile

Leo Lobos

Luciana Marinho disse...

mãos e olhos limpos.
bela marca do e-terno.

lindo post.

bom domingo, lau.
beijo.