byt
(a coragem de manter o riso)


no olho
que lê as coisas pelo
avesso
,
a poesia ruge
tal bicho que se re
bela
,
e some
,
navegando pa
lavras como se um
mar houvesse

(...há )

como se a lua impo
luta - e nua

com
partilhasse
seu brilho cinzento
dentro de um uni

verso
comun
ista

...na semea
dura do que virá

( ah... )


(ls – da série poemas vermelhos. Byt em russo significa cotidiano, rotina...)

O QUE VOCÊ ESTÁ LENDO?
Recebo e-mail dum amigo poeta, o imprescindível Jomard Muniz de Brito. De tão fundamentais as suas argumentações e a sua provocação, transcrevo na íntegra: “Poeta Lau Siqueira, amigo de sempre: as suas dúvidas sobre a edição de textos pela net são por mim redobráveis: continuo preferindo a solidão compartilhada pelos livros: a net está inflacionando todas as redundâncias e falsas experimentações: vamos refazer uma impossível campanha de leitura dentro e através dos livros? Comecemos com a indagação: o que você vem lendo ultimamente? Abraços do Jomard.
PS.: se possível divulgue este comunicado tão interpessoal. JMB”

NEM TEMORES NEM ILUSÕES
Não tenho uma visão trágica nem eufórica da presença da internet em nossas literaturas. Tanto faz na rede ou nas grandes livrarias, o que deve sempre prevalecer é o garimpo. Não quero ser apocalíptico ou integrado. Não acho que o buraco é mais embaixo. (O buraco é meu!) E o meio não é a casa de massagem. Leio meus livros numa rede, comprada no sertão da Paraíba e repercuto noutra rede, paga mensalmente num caixa eletrônico. O que tenho lido respinga aqui. Inevitavelmente. E você, caro-cara, o que está lendo?

PARA DANÇAR O TWITTER
O dia 21 de março não foi apenas o Dia Internacional da Poesia - e dos meus 52 anos. O criador da nova rede social da moda, um ilustre desconhecido chamado Jack Dorsey, também comemorou em 21/03/09 o terceiro ano da criação de uma ferramenta que já interliga 6 bilhões de pessoas no mundo. Ocorre-me, então, pensar sobre a utilidade do novo instrumento. Não há mais tempo sequer para lamentarmos o avanço das redes sociais, mas sim para compreendermos os seus efeitos. Não podemos negar, por exemplo, que a net impulsionou significativamente a divulgação do trabalho de autores que ficavam deslocados do eixo Rio/Sampa. E então, vamos dançar o twitter?

A IMPORTÂNCIA DOS LIVROS
Nada, no entanto, substitui o prazer solitário da leitura. Lembro que uma vez, autografando um exemplar surrado, todo sublinhado, de “A metáfora Critica”, o grande professor, critico e pensador da literatura brasileira, João Alexandre Barbosa me disse afetuoso: “fico feliz de saber que meu livro está sendo tão útil para você”. Nunca mais esqueci. Não posso me responsabilizar pelo estado físico dos meus livros, uma vez que costumo levá-los até mesmo para os botecos onde vez por outra tomo um tinto, leio e escrevo na mais exata e impune solidão.

SEMPRE LENDO BORGES
“Quando Estou escrevendo algo, tento não compreendê-lo. Não acho que a inteligência tenha muito a ver com o trabalho de um escritor. Acho que um dos pecados da literatura moderna é ser muito autoconsciente.”
(Jorge Luiz Borges em Esse Oficio do Verso. Tradução de José Marcos Macedo. Cia das Letras)

Comentários

Mirse disse…
"A POESIA Ruge tal bicho que se rebela" Maravilhoso!!!Assim como a citação de Borges, um dos meus autores preferidos. A importância de manusear um livro, é tão profunda em mim, que não sei ler eletronicamente.( Ainda estou aguardando seu livro!!!!)

No mais, parabens pela bela postagem com foto do CHE, com Moacy, querido amigo.

Abraços, Lau!

Mirze
paulo de toledo disse…
caríssimo, até entendo o q o jomard diz, mas redundância e falsas experimentações tb são verificadas em papel, nénão?
pra mim, a www é um instrumento de democratização da informação q deve ser saudado por todos. se não fosse a internet, muito provavelmente eu não teria o prazer de conhecer vc nem os meus outros camaradas paraibanos.

abrações,

paulo
Márcia disse…
Sabe o que estou lendo? Atentados Poéticos, de Jomard Muniz de Brito. E me deliciando.
Aliás, eu sempre leio mais em livro que na net.
Beijo!
BAR DO BARDO disse…
Não ando lendo. Ou ando, ou leio. Mas se 'andar' for um copulativo, ando lendo pouco no papel e muito na tela. E eu era profundamente cético do virtual...

De fato, garimpar. E separar a pirita do ouro.

Eu digo sim.

- Henrique Pimenta
Roseli disse…
Poeta, através das redes muito se passa, pouco se esconde, demasiado se sente. Juntinhos na rede, da Paraiba, ou na virtual, nos falamos, nos sentimos, e quase nos tocamos, em meio a mais pura solidão. Solidão compartida nas redes, resulta em subtração: saca-se a tristeza e resulta em alcançar pessoas, tocar vidas e conhecer o toque mais amigo.E, pra você um sopro!Brise poeta!
lau siqueira disse…
hahahahaha... muito bom, Pimenta! Mas, por incrivel que pareça, ja andei lendo sim. Valeu! Mudei o texto, claro.
Roseli, teu olhar sobre as coisas tem a quietude profunda de um açude...
Marcinha, Jomard existe! Viva nosotros. Paulo Tôlendo, meu brother, sempre muito tudo ver vc aqui. Mirse, o mestre Cirne transborda sempre...

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