sexta-feira, 27 de março de 2009


miramar




minha morada é uma ventana
por onde sinto os tremores do
mundo

meu quintal é uma ilha
guardada por beija-flores

de onde em saltos de milha
transbordo nos silêncios
sumidos

...

(tenho sonhos
feitos de aço)


(lau siqueira )

A CIRCUNSTÂNCIA DO POEMA
Sempre escolho leituras que fazem do meu pensamento um baú de espantos. Há livros que incorporo às minhas necessidades essenciais. Obra Aberta, por exemplo, é um deles. Foi onde descobri que o poema permite às suas linguagens um permanente movimento. Segundo Umberto Eco, desde quando escreveu o primeiro ensaio de Obra Aberta (em 1958) nunca mais parou de reescrevê-lo. O poema acima, escrito para o meu bairro e minha morada, também vem sendo reescrito. Talvez reapareça no blog em outro formato, ainda. O que é, na verdade, sua função enquanto provocação e exercício. Reinventar o poema é, fundamentalmente, um exercício de leituras e releituras.

UMBERTO ECO
“(...) qualquer obra de arte, embora não se entregue materialmente inacabada, exige uma resposta livre e inventiva, mesmo porque não poderá ser realmente compreendida se o intérprete não a reinventar num ato de congenialidade com o autor.”
(no capítulo A Poética da Obra Aberta – Obra Aberta, Editora Perspectiva-SP, tradução do poeta Sebastião Uchoa Leite)

MINHA COLUNA EM CRONOPIOS

O texto publicado ontem em minha coluna no portal Cronopios foi originalmente escrito para o mais antigo suplemento literário em circulação no país, Correio das Artes. Meu amigo querido, produtor, ficcionista, poeta maiúsculo e editor do suplemento, Antônio Mariano me fez uma provocação. Mariano me pediu um texto sobre revistas, jornais, sites e suplementos literários. O texto foi originalmente escrito para o Correio das Artes, mas já publiquei no meu outro blog, Pele Sem Pele, no site El Theatro e, agora, no portal Cronopios, onde mantenho uma coluna. Confira! http://www.cronopios.com.br/site/colunistas.asp?id_usuario=69#texto .

POEMA DE MARIO FAUSTINO

Quem como tu sem ser percebida
poderia passar entre as legiões de anjos?

Se com eles cantasses nenhuma nota soaria em falso
e serias um deles em seus coros
a mim inacessíveis

estas tão perto anjo desambientado!
Mas é tão frágil a tua presença
que é possível que eu fique de repente
outra vez sozinho
na noite desamparado

(Poema de amor, escrito pelo poeta piauiense Mario Faustino em 23/02/1948. Do livro que eu adoro, O Homem e sua Hora – e outros poemas. Poema que eu queria ter escrito, hoje.)

3 comentários:

Mirse disse...

Belíssimo, acho que é pleonasmo.

"meu quintal é uma ilha
guardada por beija-flores

de onde em saltos de milha
transbordo nos silêncios
sumidos"

MARAVILHOSO!!!

1-TEXTO SENTIDO, meu livro de cabeceira e das horas de silêncio sumido"

2-Eu, leitora, recomendo a todos que acompanham esse blog!

Parabéns!

Mirze

BAR DO BARDO disse...

bons textos

boas citações

tudo de bom

Antzella disse...

Saber que se tem outro sítio onde se pode aprender de ti é muito gratificante, Lau!!

bom juntar os rios. estreitar laços de afecto. Voar.

beijinhos,

Antz.