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terça-feira, 10 de março de 2009

rio jaguarão



e assim
fui engolindo o tempo

bebendo as vinhas
do esquecimento

minhas mentiras íntimas
doces folias de momento

(a vida
eu mesmo invento)


(publicado inicialmente no meu segundo livro, pela Trema Edições e pelo projeto Dulcineia Catadora)


TOME POESIA. TOME PROSA.
Neste dia 10, às 20h, eu e a romancista Mercedes Cavalcanti estaremos falando das nossas trajetórias literárias no projeto “Tome Poesia, Tome Prosa”, do mano-poeta-produtor Antônio Mariano (atual editor do Correio das Artes). O projeto acontece nas primeiras terças de cada mês no restaurante Sagarana, na praia de Cabo Branco, em João Pessoa. No dia 5, estive falando sobre o grande líder negro paraibano, João Balula, no auditório do CT, da UFPB Campus 1. Da mesma mesa, participaram a professora Saruê Tanaka, o mestre de bateria da Escola de Samba Malandros do Morro e a artista plástica Rachel Trindade. Raquel é filha do grande Solano Trindade.

JORGE LUIS BORGES
“Tenho para mim que sou essencialmente um leitor. Como sabem, eu me aventurei na escrita; mas acho que o que li é muito mais importante que o que escrevi. Pois a pessoa lê o que gosta – porem não escreve o que gostaria de escrever, e sim o que é capaz de escrever.”
(em Esse Ofício do Verso, Cia das Letras, Tradução de José Marcos Macedo)

ESCREVER É PRECISO!
Acabo sempre relendo alguns livros. Barthes, Rilke, Maiakovski, Jakobson, Umberto Eco, Croce… Estudiosos de Poesia, poetas ou não. Acabam virando naturalmente livros de cabeceira. Sempre recorro aos meus autores preferidos quando preciso de ajuda para pensar a Poesia e o ato da escrita. O que leio em Borges nesse livro apontado no tópico anterior, se parece muito com o que Mario Quintana me disse em entrevista “linkada” aqui no blog: “A Poesia é a procura da Poesia. Assim como Deus é a procura de Deus.” Escrever é um eterno exercício de insatisfação. Uma insatisfação, algumas vezes, levada quase aos raios do desespero. Ainda assim é tão imprescindível. Quase tanto quanto a leitura.

AMIGOS PRESENTES
Recebi dois presentes carinhosos de um amigo e uma amiga. Do poeta Ademir Assunção, o livro A Musa Chapada, escrito a quatro mãos com o também poeta Antônio Vicente Serephim Pietroforte. Da genial, Constança Lucas, recebi dois exemplares do meu livro “Predadores”, publicado pelo projeto Dulcineia Catadora. Conheça o projeto e compre livros (5 reais cada). Você estará ajudando um projeto social em Sampa, realizado pelos meus queridos Carlos Pessoa Rosas (escritor) e Lucia Rosas (artista plástica). A renda é revertida integralmente para o projeto que beneficia os catadores e ainda trabalha oficinas de literatura e artes plásticas com seus filhos.

UM POEMA DE WALY
SALOMÃO

minha alegria permanece eternidades soterrada
e só sobre para a superfície
através dos tubos alquímicos
e não da causalidade natural
ela é filha bastarda do desvio e da desgraça,
minha alegria:
um diamante gerado pela combustão,
como rescaldo final de um incêndio.

(do livro Algaravia, editado pela Rocco)

8 comentários:

Lis Cristina. disse...

Ler e Escrever é preciso..é recuperar o irreprodutível, escrever é libertar memso que por minutos de todos os problemas , mesmos os desvanecidos, é transportar sonhos, os mais íntimos do nosso Eu...
Que bela fonte ..que bela fronteira ..é este blog...
"e assim
fui engolindo o tempo
bebendo as vinhas
do esquecimento
minhas mentiras íntimas
doces folias de momento"

Não vejo a hora de ler este livro..
Poesia Sim...!!!!!!!!!

fred disse...

Grande abraço, Lau.

Fiota disse...

"escrever é um eterno exercício de insatisfação"... ih, disse tudo! pelo menos, da minha parte! esperando amanhã um relatório do "tome poesia, tome prosa"! bjim, tico! =*

mario cezar disse...

tantas palavras. qual é mesmo a serventia?

Priscila Lopes disse...

Amigo, estou quase lançaminha "minha" coletânea poética. Quero ver você no lançamento em São Paulo, provavelmente em maio. Viu? Quando tiver confirmações, aviso.

Venho aqui com frequencia, embora deixe poucos recados. Gosto de ter diversos assuntos num lugar só, gosto como os INScreves.

Beijo

Adriana disse...

"A vida eu mesmo invento", gostei muito...o Waly Salomão tbm é muito bom.Se blog sempre arrasando!

jorge vicente disse...

escrever é sempre uma procura
e é preciso escrever sempre
e pensar sempre

(mesmo que não se pense)

um grande abraço
jorge

p.s.
e sim, poesia é literatura (ou não...)

mas, afinal o que é Literatura? Ou que é Poesia? Ou que é Homem ou animal? Eu sou eu e pronto!

Mirse disse...

Escrever engolindo o tempo, e dematcando o espaço entre o que se Le por vontade e o que se escreve por necessidade de transpor esta ponte que existe .

Parabéns, amigo!

Grande abraço

Mirze